Proficiência Médica: um único país, uma única prova. Um problema de todos
A Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Paulista de Medicina (APM) parabenizam as Faculdades de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e seus diretores, Dra. Eloisa Bonfá (FMUSP -São Paulo), Dr. Jorge Elias Júnior (FMUSP -Ribeirão Preto) e Dr. José Sebastião dos Santos, (FMUSP – Bauru) pelo relevante artigo publicado no jornal O Globo – Um país, uma prova médica, nesta terça-feira (vide abaixo), que traz à reflexão pública um tema de extrema importância para o presente e o futuro da Medicina brasileira – a avaliação nacional da formação e da proficiência do egresso.
A manifestação da FMUSP, por meio de suas lideranças, reafirma o compromisso histórico da instituição com a excelência na formação médica e com a defesa de padrões elevados de qualidade, valores que sempre nortearam sua trajetória e que contribuem decisivamente para o fortalecimento da assistência à saúde no País. Ao trazer argumentos técnicos e responsáveis ao debate, o artigo presta um importante serviço à sociedade e à comunidade médica, ao destacar a necessidade de garantir que todos os profissionais estejam devidamente preparados para o exercício da Medicina.
A APM e a AMB manifestam total apoio às posições expressas pelas faculdades de medicina da USP em relação a esta importante questão e, ao momento difícil que vivemos no ensino médico em nosso país. Ainda mais por vermos neste artigo reforçadas as ideias por nós defendidas ao longo dessa discussão.
Com os mesmos propósitos contidos neste artigo e, tendo em vista que não é mais a necessidade do exame de proficiência que está em discussão, e sim como fazer, quando fazer, quem fazer e quem se responsabilizar pela elaboração do conteúdo programático, estivemos ontem em Brasília conversando com diferentes senadores de diferentes partidos sobre a ideia de reunirmos o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), o Ministério da Saúde (MS) e o Ministério Educação (MEC), para que, conjuntamente, constituam um grupo consultivo para a elaboração e acompanhamento das diretrizes a serem elaboradas para o exame de proficiência médica. Também, aproveitamos a oportunidade para expressar que se defina por apenas uma prova que seja realizada tanto com a finalidade de avaliação das instituições formadoras, quanto da proficiência dos egressos dos cursos de medicina.
Temos forte convicção que o aperfeiçoamento da formação médica e a implementação de mecanismos que assegurem a qualidade profissional, como o exame de proficiência, exigem diálogo permanente, responsabilidade institucional e, sobretudo, união entre as principais entidades envolvidas nesse processo.
Nesse sentido, é fundamental a convergência de esforços entre o CFM, AMB e MEC, cada qual em sua esfera de competência, para a construção de soluções consistentes, técnicas e alinhadas ao interesse maior da sociedade brasileira.
A união dessas instituições representa um passo decisivo para garantir a qualidade da formação médica, valorizar os profissionais devidamente qualificados e, acima de tudo, assegurar à população brasileira uma assistência segura, ética e de excelência.
A Associação Médica Brasileira e a Associação Paulista de Medicina reiteram seu compromisso com a defesa da boa prática médica, com a valorização da formação de qualidade e com o fortalecimento institucional da Medicina no Brasil.
Associação Paulista de Medicina (APM)
Associação Médica Brasileira (AMB)
Vice-presidente da AMB, Dra. Luciana Rodrigues participa de ato pela reconstrução da primeira Faculdade de Medicina do Brasil, na Bahia

A vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dra. Luciana Rodrigues, participou no último dia 19, ao lado do Dr. Antonio Alberto Lopes, diretor da Faculdade de Medicina da Bahia, e muitos outros médicos, ex-alunos, funcionários e autoridades de um ato em defesa da reconstrução da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (FAMEB-UFBA), reconhecida como a primeira escola médica do país e símbolo histórico da formação médica brasileira.
Em meio às comemorações dos mais de dois séculos de fundação da instituição (ocorrido no último dia 18), a dirigente reforçou a necessidade urgente de união entre entidades médicas, universidades e sociedade para garantir a preservação e reestruturação do prédio histórico, que enfrenta sérios problemas estruturais, já há muitos anos.
Representando oficialmente a AMB, além de sua condição de professora titular e ex-aluna da FAMEB, a Dra. Luciana manifestou orgulho e compromisso com a instituição que ajudou a formar gerações de médicos em todo o Brasil. “Falando em nome da AMB como vice-presidente, como professora da Faculdade e como aluna da Faculdade de Medicina mais antiga do país, faço uma manifestação admirável pela reconstrução dessa escola. Vamos juntos reconstruir nossa escola”, afirmou.
A ligação da vice-presidente com a FAMEB transcende o âmbito institucional e se confunde com sua própria história familiar e profissional. “A relação com essa escola é muito forte, porque meu pai se formou aí, minha mãe se formou aí, eu me formei nessa escola, sou professora titular dessa escola, meu pai foi professor titular também dessa escola e nós temos alunos, ex-alunos dessa escola em todo o Brasil. Então há uma ligação muito forte, também pessoal, com a luta por uma nova reestruturação deste prédio”, destacou.
A primeira escola médica do Brasil e berço da medicina nacional
Fundada em 1808, a Faculdade de Medicina da Bahia, hoje integrante da Universidade Federal da Bahia, é reconhecida como a primeira escola de medicina do Brasil e uma das mais antigas das Américas. Criada no contexto da chegada da Corte portuguesa ao país, a instituição tornou-se referência na formação de médicos e no desenvolvimento científico, contribuindo decisivamente para a consolidação da medicina brasileira.
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Ao longo de mais de dois séculos, a FAMEB formou milhares de profissionais que se destacaram na assistência, no ensino e na pesquisa, ocupando posições de liderança em universidades, hospitais e instituições de saúde em todo o território nacional. Seu prédio histórico, localizado no Terreiro de Jesus, no centro histórico de Salvador, é considerado patrimônio cultural e símbolo da história da medicina no país.
Segundo a vice-presidente da AMB, a preservação da escola é uma responsabilidade coletiva. “Sabemos que a medicina atravessa problemas graves no momento, com excesso de escolas, precariedade de salários e uma série de outros desafios, mas é importante lembrar que a medicina brasileira nasceu na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Esta é a Casa da Medicina Brasileira e precisa ser completamente reestruturada e pensada para ampliar as ações de assistência, ensino, pesquisa, arte, cultura e interlocução com a comunidade”, afirmou.
Mobilização nacional diante de risco estrutural e necessidade de reconstrução
Recentemente, a direção da faculdade e a associação de ex-alunos promoveram uma mobilização para chamar a atenção das autoridades e da sociedade sobre a situação física do prédio histórico. Reportagens da imprensa nacional destacaram que a estrutura apresenta deterioração significativa e necessita de uma intervenção ampla para garantir a segurança e a continuidade de suas atividades acadêmicas e assistenciais.
De acordo com informações divulgadas, o custo da restauração completa pode chegar a cerca de R$ 100 milhões, valor necessário para recuperar a estrutura física e preservar o patrimônio histórico. A situação tem gerado preocupação entre professores, estudantes, médicos e entidades representativas, que defendem a união de esforços entre poder público, instituições e sociedade civil para viabilizar o projeto.
Para a Dra. Luciana, a reconstrução exige articulação institucional e compromisso coletivo. “Sabemos que vários são os problemas dos prédios antigos e históricos, como é o caso da nossa Faculdade, que é patrimônio. Para que essa reconstrução ocorra, é necessário que as instituições se unam em busca de recursos e projetos que possam reconstruir a sede da Casa da Medicina Brasileira”, disse.
AMB reforça compromisso com a preservação da história e o futuro da Medicina
Ao se posicionar publicamente, a vice-presidente reafirmou o compromisso da Associação Médica Brasileira com a valorização das instituições formadoras e com a preservação da história da profissão.
“Todos nós médicos brasileiros temos imenso orgulho dessa escola, que marcou o início de tudo. Não se trata apenas de um patrimônio baiano, mas de um patrimônio de todos os médicos brasileiros e de todos os brasileiros”, afirmou.
A mobilização em torno da reconstrução da Faculdade de Medicina da Bahia representa, segundo a dirigente, não apenas a preservação de um edifício histórico, mas o reconhecimento da origem da medicina no Brasil e o compromisso com o fortalecimento da formação médica de qualidade para as futuras gerações.

Fonte: AMB, em 25.02.2026.