Agradecimento e reconhecimento acadêmico
Aos membros da Associação Médica Brasileira, colegas de profissão e comunidade acadêmica
No último dia 15 de outubro, tive a honra e o privilégio de ser um dos médicos homenageados em cerimônia solene realizada no Anfiteatro David Uip, no Centro Universitário FMABC.
Receber esse reconhecimento institucional, no momento em que exerço a presidência da Associação Médica Brasileira, convida-me a uma profunda e grata reflexão sobre a vocação docente e a construção da minha trajetória na medicina.
Nenhum professor se constrói isoladamente. Minha caminhada na docência teve início na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, instituição onde exerci o magistério por 22 anos. Guardo pela Santa Casa uma gratidão imperecível; aquele período foi o alicerce fundamental para a lapidação do educador que me tornei. A experiência acumulada naquelas salas e enfermarias preparou-me para os passos seguintes da minha carreira.
Com o encerramento daquele ciclo, tive a imensa graça de ser acolhido de braços abertos pelo Centro Universitário FMABC. Fui recebido com extrema fidalguia por todos os docentes do nosso Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, bem como por inúmeros e queridos colegas de outras disciplinas. Na FMABC, encontrei o terreno fértil para prestar o concurso para Professor Titular, cargo que ocupo até o presente momento. Já se somam 26 anos de dedicação integral a esta casa que, hoje, ostento o orgulho de chamar de meu lar.
Ao longo desses mais de um quarto de século na FMABC, dediquei-me com afinco ao progresso acadêmico dos meus pares. Foi uma satisfação imensa orientar muitos colegas de departamento na obtenção de seus títulos de Mestre e Doutor.
Testemunhar a evolução desses docentes na carreira acadêmica, vê-los expandir a produção científica e alcançar o reconhecimento extramuros — sendo convidados como palestrantes nos principais congressos da nossa especialidade, tanto no Brasil quanto no exterior — é a maior recompensa que um Professor Titular pode almejar.
Essa robusta qualificação do nosso corpo docente reverbera diretamente no nosso propósito maior: os nossos alunos e residentes. É por eles e para eles que trabalhamos, e o reflexo desse esforço é a entrega de profissionais com excelente formação técnica e ética para a sociedade.
Carrego comigo a primazia e a felicidade de ter atuado intensamente nessas duas grandes escolas médicas: a Santa Casa e a FMABC. Expresso aqui minha pública e perene gratidão a todos os professores, alunos e residentes que contribuíram para que eu pudesse chegar até este momento.
Por fim, estendo meus sinceros agradecimentos ao nosso Reitor, professor Fernando Luiz Affonso Fonseca, que com inteligência e brilhantismo ímpares tem liderado a instituição, aprimorando continuamente as condições para que o ensino, a pesquisa e a assistência se deem com o mais alto padrão de qualidade.
Muito obrigado a todos.
César Eduardo Fernandes
Professor Titular de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC)
Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)


Posicionamento institucional sobre o Certificado de Atualização do Título de Especialista
A Associação Médica Brasileira (AMB), fiel ao seu compromisso com a qualidade da Medicina e a valorização da especialização médica, manifesta seu posicionamento sobre o projeto de atualização periódica do título de especialista.
A Medicina evolui continuamente, incorporando novos conhecimentos, tecnologias e recursos diagnósticos e terapêuticos. Nesse cenário, a atualização permanente dos médicos constitui um compromisso indispensável com a excelência profissional e a segurança da assistência à população.
Após um longo período de estudos e discussões, a atual Diretoria da AMB entende que não estão reunidas, neste momento, as condições necessárias para dar prosseguimento ao projeto do Certificado de Atualização do Título de Especialista, especialmente diante da ausência de consenso entre as entidades médicas envolvidas.
A proximidade do encerramento do atual mandato também recomenda cautela. Assim, considera-se mais adequado deixar às futuras gestões a possibilidade de retomar o debate, em diálogo com as entidades representativas da Medicina brasileira.
Essa decisão não diminui a relevância da proposta nem afasta nossa convicção de que a atualização periódica da qualificação dos especialistas merece permanecer na agenda institucional da AMB. Reflete, isto sim, uma avaliação de oportunidade e prudência institucional.
O propósito do Certificado de Atualização do Título de Especialista não é questionar a legitimidade dos títulos já concedidos, mas estimular e reconhecer o compromisso permanente dos especialistas com a atualização de seus conhecimentos e competências, fortalecendo a confiança da sociedade e a valorização profissional.
Experiências internacionais demonstram a importância de mecanismos de manutenção e atualização da qualificação profissional. A construção de um modelo brasileiro, entretanto, exige diálogo, maturidade institucional, convergência entre as entidades médicas e critérios técnicos consistentes e transparentes.
Ao final de seu mandato, esta Diretoria reafirma seu respeito às diferentes posições manifestadas ao longo desse processo e expressa sua expectativa de que os estudos e as reflexões desenvolvidos possam contribuir para a retomada futura dessa iniciativa, quando estiverem reunidas as condições necessárias para sua concretização.
A AMB reafirma seu compromisso com a educação médica continuada, a valorização dos especialistas e a excelência da assistência à saúde da população brasileira.
César Eduardo Fernandes
Presidente da AMB
Nota oficial – Exame nacional de proficiência em medicina:
um avanço para a qualidade da formação médica e a segurança dos pacientes
A Associação Médica Brasileira (AMB) considera a aprovação, pelo Congresso Nacional, das medidas relativas ao Exame Nacional de Proficiência em Medicina um avanço importante para a qualificação da formação médica no Brasil. A iniciativa reconhece um princípio fundamental: o exercício da Medicina deve estar associado à demonstração de conhecimentos e competências compatíveis com a responsabilidade de cuidar da vida e da saúde das pessoas.
O exame de proficiência é uma bandeira histórica da AMB, consolidada na atual gestão, que tem defendido, de forma permanente, a necessidade de assegurar à sociedade que os médicos estejam adequadamente preparados para o exercício profissional. A AMB reafirma que a qualidade da formação médica e a segurança dos pacientes devem constituir compromissos prioritários das instituições de ensino e do poder público.
Avanços importantes
O texto aprovado estabelece avaliações ao longo da graduação, prevê a definição prévia de critérios de proficiência e permite a utilização dos resultados na avaliação dos cursos e na formulação de políticas públicas, ampliando a transparência sobre a qualidade do ensino médico.
Também contempla medidas relacionadas à formação prática nos serviços do SUS, contrapartidas das instituições de ensino pela utilização desses serviços, e aproveitamento dos resultados do ENAMED em processos seletivos para residência médica.
Outro avanço relevantes foi a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares), ao estabelecer um instrumento voltado à avaliação sistemática da qualidade dos programas de residência médica, contribuindo para identificar deficiências, orientar melhorias e qualificar a formação dos futuros especialistas. Nesse processo, a participação da Associação Médica Brasileira é fundamental, dada sua experiência histórica na formação e na titulação de especialistas, bem como a atuação de suas Sociedades de Especialidades na definição de critérios técnico-científicos. A presença da AMB na governança do Sinares fortalece a legitimidade técnica do sistema e contribui para que a avaliação esteja efetivamente comprometida com a excelência da formação especializada e a segurança dos pacientes.
Essas iniciativas representam oportunidades para aprimorar a formação dos futuros médicos e estimular a melhoria contínua das instituições de ensino.
Pontos que ainda exigem aperfeiçoamento
A AMB considera necessário avançar em aspectos fundamentais para a efetividade do novo modelo:
- Avaliação prática obrigatória: é indispensável desenvolver mecanismos capazes de avaliar, além dos conhecimentos teóricos, as habilidades clínicas, o raciocínio diagnóstico e a tomada de decisões médicas.
- Governança técnica e plural: a participação da AMB e das Sociedades de Especialidades na Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica é fundamental para incorporar a experiência técnico-científica das entidades responsáveis pela qualificação e titulação dos especialistas.
- Resposta efetiva aos resultados insatisfatórios: os mecanismos de supervisão devem permitir intervenções tempestivas e proporcionais à gravidade das deficiências identificadas, evitando que cursos com desempenho inadequado permaneçam por períodos excessivos sem medidas corretivas.
Compromisso com a Medicina de qualidade
A efetividade do novo modelo dependerá de regulamentação consistente, avaliações tecnicamente rigorosas, transparência dos resultados e medidas concretas para corrigir deficiências na formação médica.
A AMB continuará contribuindo para o aperfeiçoamento do sistema, em diálogo com o Congresso Nacional, o Governo Federal, o Conselho Federal de Medicina, as Sociedades de Especialidades e as demais entidades médicas.
O objetivo não é criar obstáculos ao exercício profissional, mas assegurar que todo médico esteja preparado para exercer a Medicina com competência, responsabilidade e segurança.
A sociedade brasileira tem o direito de confiar na formação dos profissionais que cuidam de sua saúde. A AMB seguirá trabalhando para que esse compromisso se traduza em políticas públicas efetivas e em uma Medicina cada vez melhor para o Brasil.
AMB capacita 41ª turma de estudantes de Medicina por meio do Projeto SABE
A Associação Médica Brasileira (AMB) teve mais uma turma capacitada, por meio de conteúdo teórico e prático sobre primeiros socorros, na noite desta quinta-feira (15). Essa é a formação da 41ª turma do Projeto SABE (Suporte de Atendimento Básico de Emergência), que contou com a participação de cerca de 30 estudantes de Medicina da Universidade Nove de Julho (Uninove) e da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid).
A aula foi conduzida na sede da AMB por integrantes da Comissão Nacional do Médico Jovem (CNMJ) da entidade, entre eles Zeus Tristão, atual presidente da comissão.
O SABE oferece conteúdo de suporte básico de vida para graduandos do curso de Medicina, com a utilização de equipamentos que simulam situações de emergência, como ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e desfibrilação.

O projeto
A iniciativa da AMB tem como objetivo difundir conhecimentos básicos de suporte em casos de parada cardiorrespiratória extra-hospitalar. O programa é gratuito e possui duas frentes de atuação: capacitar estudantes de Medicina e promover treinamentos para o público leigo em escolas, com a participação dos acadêmicos capacitados.
Desde sua criação, em 2022, o Projeto SABE contribui para ampliar o conhecimento sobre atendimento básico de emergência e preparar futuros médicos para compartilhar essas habilidades com a sociedade.
Exame de proficiência médica é aprovado pelo Congresso Nacional
Proposta estabelece avaliação nacional da proficiência dos estudantes de Medicina e segue agora para sanção presidencial
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram, na noite desta quinta-feira (15), o texto da Medida Provisória nº 1.370/2026, que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A proposta, aprovada pelo Congresso Nacional, segue agora para sanção presidencial.
O Enamed tem como objetivo avaliar os conhecimentos, as habilidades e as competências adquiridos pelos estudantes ao longo da graduação, além de aferir a qualidade dos cursos de Medicina. A iniciativa busca assegurar que os futuros profissionais estejam preparados para o exercício seguro da Medicina, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais e as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
A aprovação representa um avanço para a qualidade da formação médica no Brasil e atende a uma das principais reivindicações da Associação Médica Brasileira (AMB), que defende a avaliação da proficiência dos futuros médicos como medida fundamental para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade da assistência à população.
Avaliação ao longo da graduação
Pelo texto aprovado, o exame será aplicado pelo Ministério da Educação (MEC) em três etapas: ao final do quarto semestre, do oitavo semestre, antes do ingresso no internato, e do décimo segundo semestre. A participação será obrigatória e integrará o currículo dos estudantes, com resultado final calculado a partir do desempenho acumulado e maior peso para a última etapa.
Os critérios de aprovação, os pesos de cada avaliação e o nível mínimo de proficiência serão definidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, criada pela proposta. O colegiado terá representantes do MEC, do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM), com atribuições relacionadas às diretrizes, à metodologia e aos critérios de avaliação.
Um dos pontos centrais do projeto é a exigência de proficiência no Enamed para a obtenção do registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Essa regra será aplicada aos estudantes que ingressarem na graduação após a publicação da Medida Provisória nº 1.370/2026. Quem já estiver matriculado antes dessa data permanecerá sujeito às regras vigentes no momento do ingresso.
O texto também prevê que estudantes que não atingirem o nível mínimo de proficiência poderão refazer a terceira etapa em edições posteriores. Até que obtenham a proficiência, poderão solicitar aos CRMs uma Inscrição de Egresso de Medicina (IEM), restrita a atividades técnico-científicas, educacionais, administrativas e de pesquisa, sem atendimento a pacientes ou exercício de atos privativos de médicos.
Transparência e qualidade do ensino médico
A proposta determina a divulgação anual dos resultados consolidados do Enamed por instituição de ensino superior, com disponibilização em portal público por, no mínimo, dez anos. As instituições deverão publicar os resultados das três últimas edições, preservando a identidade dos participantes.
Os cursos com desempenho insatisfatório poderão ser submetidos a processos de supervisão e às medidas previstas na legislação educacional. A iniciativa estabelece, assim, um instrumento nacional para acompanhar a qualidade da formação médica e ampliar a transparência sobre o desempenho das instituições de ensino.
O texto também prevê parâmetros nacionais para a capacidade formadora dos campos de prática utilizados na graduação, incluindo limites de estudantes por leito, equipe de Saúde da Família, ambulatório, unidade assistencial e preceptor. Estão previstas, ainda, contrapartidas das instituições de ensino que utilizam a estrutura e os serviços públicos de saúde para atividades práticas obrigatórias, limitadas a 2% do faturamento líquido do curso e formalizadas por meio do Contrato Organizativo da Ação Pública Ensino-Saúde.
Integração com a residência médica e o Revalida
Além de avaliar a formação na graduação, o texto permite que candidatos proficientes utilizem a nota do Enamed nos processos seletivos de acesso direto à Residência Médica. A proposta também institui o Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares), voltado ao aprimoramento da qualidade dos programas e ao direcionamento da oferta de vagas.
Outra medida prevista é a vinculação do exame teórico do Revalida à terceira etapa do Enamed. O projeto cria, ainda, a Comissão Permanente de Avaliação do Sinares, com representantes do MEC, do Ministério da Saúde, da AMB e do CFM.
A proposta estabelece garantias de acessibilidade e adaptações razoáveis para a realização das avaliações, além de prever reaplicação sem custo adicional em situações de força maior, caso fortuito ou falha operacional atribuível à Administração.
Próxima etapa: sanção presidencial
Com a aprovação nas duas Casas do Congresso Nacional, o texto segue agora para sanção presidencial. Caso seja sancionada, a proposta consolidará um novo marco para a avaliação da formação médica no país, com repercussões sobre a graduação, o ingresso na profissão, a residência médica e os mecanismos de acompanhamento da qualidade do ensino.
Fonte: AMB, em 16.10.2026.

















