Dr. Etelvino Trindade destaca vocação e compromisso com os pacientes durante homenagem ao Dia do Médico no Senado Federal
A Associação Médica Brasileira (AMB) participou, nesta quarta-feira (14), da sessão especial em homenagem ao Dia do Médico, realizada no plenário do Senado Federal. A entidade foi representada pelo Dr. Etelvino de Souza Trindade, vice-presidente da Região Centro-Oeste da AMB, em solenidade promovida pela Frente Parlamentar da Medicina, presidida pelo senador Hiran Gonçalves. O encontro reuniu parlamentares e representantes de entidades médicas brasileiras.
Em seu discurso, Dr. Etelvino destacou a vocação médica, a dedicação ao cuidado e a necessidade de aprendizado contínuo ao longo da carreira. “O médico nunca está médico, no sentido do exercício da sua profissão, ele é médico o tempo todo”, afirmou, ao ressaltar o compromisso permanente que acompanha a profissão e a responsabilidade dos profissionais com os pacientes.
O representante da AMB também enfatizou a importância da relação de confiança entre médico e paciente, baseada na empatia, na comunicação e no respeito mútuo. Ao encerrar sua fala, reforçou a necessidade de reconhecer a dedicação dos profissionais mesmo diante das adversidades: “Parabéns a todos os médicos, que mesmo nas adversidades continuam realizando seus ideais de servir”.
Comissão Mista do Congresso Nacional aprova relatório que institui o Enamed
Proposta ainda precisa ser apreciada pelos plenários da Câmara e do Senad. Prazo se encerra amanhã. AMB defende avaliação rigorosa da formação médica.
A Comissão Mista do Congresso Nacional responsável pela análise da Medida Provisória 1.370/2026 aprovou, nesta quinta-feira (15), o relatório do deputado federal Doutor Luizinho, que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A proposta ainda precisa ser apreciada pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, antes do prazo final de vigência da medida provisória, que se encerra amanhã (19).
O avanço da proposta no Congresso ocorre em um cenário de rápida expansão do ensino médico no País e de preocupação com a qualidade da formação oferecida por parte das instituições. Segundo dados apresentados no relatório aprovado, o número de cursos de Medicina passou de 181, em 2010, para 467, em 2024, um crescimento de 158%.
Os resultados do Enamed 2025 também evidenciaram diferenças importantes no desempenho das instituições. De acordo com o parecer, 69,4% do conjunto dos cursos avaliados alcançaram desempenho satisfatório, percentual que chegou a 95% entre as instituições públicas federais. Entre os cursos privados autorizados por decisões judiciais, o índice foi de apenas 30,8%.
Para a AMB, a expansão das vagas e dos cursos de Medicina precisa estar acompanhada de critérios efetivos de qualidade, fiscalização e avaliação. A formação médica exige sólida base científica, desenvolvimento de habilidades práticas e preparo para tomar decisões que impactam diretamente a vida dos pacientes. Nesse contexto, avaliar competências e conhecimentos é uma medida fundamental para o fortalecimento da Medicina brasileira.
Como funcionará o Enamed
O texto aprovado pela Comissão Mista propõe a realização do Enamed pelo Ministério da Educação ao final do quarto, oitavo e décimo segundo semestres da graduação. A proficiência será requisito para o exercício profissional e para o registro nos Conselhos Regionais de Medicina dos estudantes que ingressarem nos cursos após a publicação da medida provisória, preservando as regras aplicáveis aos alunos já matriculados.
Os resultados deverão subsidiar o aprimoramento dos currículos, o reforço das atividades práticas e a adoção de medidas de supervisão dos cursos. A proposta também prevê a divulgação anual do desempenho por instituição de ensino, ampliando a transparência e oferecendo informações à sociedade sobre a qualidade da formação médica.
O projeto cria ainda a Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, com representantes dos ministérios da Educação e da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM), responsável por acompanhar a aplicação do exame e estabelecer diretrizes.
Outro ponto previsto é a criação da Inscrição de Egresso de Medicina (IEM), destinada aos graduados que não alcançarem a proficiência. A inscrição permitirá o desenvolvimento de atividades técnico-científicas, sem atendimento a pacientes ou prática de atos privativos de médicos.
O texto também estabelece critérios para avaliação e supervisão dos cursos, prevê contrapartidas pelo uso de campos de prática do Sistema Único de Saúde (SUS) e permite a utilização da nota do Enamed no acesso direto à Residência Médica. Entre as demais medidas, estão a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares) e a integração da etapa teórica do Revalida à terceira etapa do Enamed.
Avaliação da formação e segurança dos pacientes
A discussão sobre a qualidade do ensino médico está diretamente relacionada à responsabilidade de garantir que os futuros profissionais tenham conhecimentos e competências compatíveis com as exigências da assistência à saúde. A avaliação da formação, aliada à supervisão das instituições e ao aprimoramento do ensino, constitui uma etapa importante desse processo.
A AMB defende que a qualidade da formação e a segurança dos pacientes devem estar no centro das políticas públicas voltadas ao ensino médico. Para a entidade, é essencial que a ampliação do acesso à graduação seja acompanhada de padrões consistentes de qualidade, valorização da formação prática e mecanismos transparentes de avaliação.
AMB participa da Premiação de Jornalismo e de Melhores Práticas na Medicina de 2026 da AMRIGS
Nesta quarta-feira (14), o vice-presidente da Região Sul da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. Juarez Molinari, participou da Premiação de Jornalismo 2026 promovida pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS). O evento foi realizado para anunciar os finalistas dos Prêmios de Jornalismo e de Melhores Práticas na Medicina de 2026.
“Por mais um ano estou aqui, nessa importante premiação, representando com honraria a AMB. Parabenizo à AMRIGS pelo grandioso evento e a todos os jornalistas e profissionais da Medicina do Brasil que se destacaram este ano”, celebrou Dr. Juarez.
A iniciativa reconhece trabalhos jornalísticos sobre inovação tecnológica e inteligência artificial na Medicina, além de projetos que contribuem para a qualificação da assistência e o aprimoramento das práticas médicas.
»Confira a lista completa dos premiados
Livro sobre violência contra crianças e adolescentes é lançado no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria
Obra reúne orientações para profissionais de saúde e outros agentes da rede de proteção, com foco na identificação precoce de sinais de violência, na prevenção e na garantia dos direitos da infância e da adolescência

O enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes exige atenção permanente, conhecimento técnico e atuação integrada entre famílias, profissionais de saúde, educadores e instituições de proteção. Com esse propósito, será lançado nesta quinta-feira, dia 15, durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, o livro dedicado à prevenção, à identificação e ao enfrentamento das diferentes formas de violência contra a população infantojuvenil – Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes em Situação de Risco e Violência (3ª edição), de autoria da Dra. Renata D. Waksman e Dr. Mario R. Hirschheimer.
O lançamento oficial ocorrerá às 15h30, no estande da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante o congresso. Editada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), a obra tem versão digital com 452 páginas e será disponibilizada gratuitamente nos portais da Associação Médica Brasileira (AMB), da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
A publicação surge em um cenário de preocupação com o avanço dos registros de violência contra crianças e adolescentes no Brasil, que ultrapassam 115 mil notificações anuais no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), conforme os dados apresentados pelos autores. O livro também aborda desafios contemporâneos, como abusos e crimes no ambiente digital, cyberbullying, exposição excessiva às telas e outras situações que podem comprometer o desenvolvimento e a segurança de crianças e adolescentes.
Identificar os sinais e agir precocemente
O livro aborda as principais formas de violência física, psicológica e sexual, além da negligência e da omissão de cuidados. Também chama a atenção para situações menos reconhecidas socialmente, como a violência institucional, o abandono digital, a negligência emocional, a autolesão não suicida e a simulação ou indução de doenças por cuidadores.
Um dos pontos centrais da publicação é a importância de reconhecer sinais que podem passar despercebidos por familiares, professores e profissionais de saúde. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento social, queda no rendimento escolar, alterações no sono e no apetite, dores recorrentes sem causa aparente e regressões no desenvolvimento podem indicar sofrimento e merecem atenção.
No campo clínico, hematomas em bebês que ainda não engatinham ou caminham, lesões em locais incomuns para acidentes e marcas em diferentes estágios de cicatrização também exigem avaliação cuidadosa. A identificação desses sinais, associada à análise do contexto e à escuta adequada, pode contribuir para interromper situações de violência e evitar novos danos.
A obra destaca, ainda, que crianças e adolescentes podem ter dificuldade para relatar as agressões, especialmente quando os responsáveis pela violência são pessoas próximas, das quais dependem emocional ou materialmente. Medo, vergonha, culpa, ameaças e a dificuldade de compreender ou expressar o que aconteceu estão entre os fatores que favorecem o silêncio das vítimas.
Responsabilidade compartilhada e atuação em rede
Além de orientar a identificação dos casos, o livro reforça o papel dos profissionais na proteção integral de crianças e adolescentes. Médicos, enfermeiros, professores e outros integrantes da rede de atendimento precisam estar preparados para reconhecer sinais de alerta, acolher as vítimas sem julgamentos e acionar os mecanismos de proteção previstos na legislação.
A publicação enfatiza a importância de distinguir a comunicação aos órgãos de proteção, a notificação aos sistemas de vigilância em saúde e a denúncia às autoridades de segurança pública. Também ressalta que a suspeita fundamentada de violência deve ser considerada no encaminhamento dos casos, sem que os profissionais aguardem a obtenção de provas conclusivas para buscar a proteção necessária.
Outro aspecto abordado é a prevenção da revitimização. A escuta deve ocorrer de forma acolhedora, respeitosa e adequada à idade e às condições da criança ou do adolescente, evitando a repetição desnecessária de relatos e procedimentos. Para isso, a integração entre saúde, educação, assistência social, Conselhos Tutelares, Ministério Público e demais órgãos da rede de proteção é fundamental.
A obra também apresenta caminhos para a prevenção, incluindo o fortalecimento dos vínculos familiares, a adoção de práticas educativas não violentas, o desenvolvimento de programas permanentes contra o bullying e a promoção da cidadania digital nas escolas. O fortalecimento dos serviços públicos e a capacitação continuada dos profissionais são apontados como medidas essenciais para ampliar a capacidade de resposta do país.
Violência na infância pode deixar consequências por toda a vida
As repercussões da violência não se limitam ao momento em que ocorre a agressão. Experiências traumáticas na infância podem afetar o desenvolvimento neurológico, a saúde mental, o desempenho escolar e a capacidade de estabelecer vínculos afetivos saudáveis. Ao longo da vida, também podem estar associadas a maior vulnerabilidade a transtornos de ansiedade e depressão, autolesão, uso abusivo de substâncias e doenças crônicas.
Por isso, o reconhecimento precoce e a intervenção adequada são decisivos para reduzir os danos e ampliar as possibilidades de recuperação. A proteção da infância, nesse contexto, não é uma responsabilidade exclusiva das famílias ou dos profissionais de saúde, mas um compromisso coletivo que envolve toda a sociedade e o poder público.
Ao reunir informações e orientações práticas, o livro busca contribuir para uma mudança de postura diante da violência: substituir a omissão pela responsabilidade ativa, reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e fortalecer uma cultura de prevenção e proteção.
A mensagem central da publicação é direta: diante de uma suspeita fundamentada de violência, é preciso acolher, agir e acionar a rede de proteção. O silêncio e a espera por certezas podem prolongar situações de risco e comprometer o desenvolvimento e a vida das vítimas.
Acesso gratuito
A versão digital, com 452 páginas, será disponibilizada gratuitamente nos portais da Associação Médica Brasileira (AMB), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).
Exemplares impressos ficarão disponíveis nas sedes das três entidades, com distribuição definida por cada associação.
SERVIÇO
Versão digital: gratuita, nos portais da AMB, da SBP e da SPSP.
Autores


Mudanças sem respaldo científico na vacinação infantil podem trazer doenças de volta, alerta WMA
Preocupação foi manifestada durante a 77ª Assembleia Geral da WMA, realizada em Roterdã. O evento contou com a presença da delegação da Associação Médica Brasileira (AMB)
A Associação Médica Mundial (WMA) alertou que mudanças nos calendários de vacinação infantil sem respaldo científico podem favorecer o retorno de doenças próximas da eliminação, colocando em risco a saúde das crianças e a saúde global.
O alerta foi feito durante a 77ª Assembleia Geral da WMA, realizada em Roterdã, que foi realizada entre os dias 7 e 10 de outubro. A Associação Médica Brasileira (AMB) esteve presente com sua delegação e acompanhou as discussões durante os três dias do evento.
A WMA adotou, com emendas, a Resolução sobre Calendários de Vacinação Infantil. O documento reconhece a autonomia dos países nas decisões de saúde, mas ressalta que surtos de doenças como sarampo e meningite podem ultrapassar fronteiras e ameaçar, especialmente, populações vulneráveis.
“Os calendários de vacinação salvam a vida das crianças porque são elaborados com base em evidências científicas rigorosas. Quando são alterados sem respaldo científico, doenças que estávamos prestes a derrotar podem voltar”, afirmou o presidente da WMA, Dr. Jung Yul Park, defendendo decisões orientadas pela ciência e pelo melhor interesse das crianças.
A WMA também reforçou a importância da produção de evidências científicas diante do surgimento de novas infecções e variantes, reafirmando seu compromisso com a vacinação universal e com os princípios éticos da Declaração de Helsinque. A entidade destaca ainda que pesquisas envolvendo crianças em situação de vulnerabilidade devem respeitar suas necessidades e prioridades de saúde.
Médicos cobram ação urgente dos governos contra os impactos das mudanças climáticas
Crise climática ameaça a saúde global, alerta Associação Médica Mundial, durante 77ª Assembleia da entidade

A Associação Médica Mundial (WMA) aprovou durante a 77ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Roterdã, entre 7 e 10 de outubro uma versão revisada da Declaração de Delhi sobre Saúde e Mudanças Climáticas. O documento pede que os governos reconheçam as mudanças climáticas como uma emergência de saúde e garantam às futuras gerações o direito de viver em um ambiente saudável.
A entidade defende a eliminação rápida e equitativa dos combustíveis fósseis em todo o mundo, como medida para proteger a saúde, acompanhada de uma transição justa para trabalhadores e comunidades envolvidos na extração, no processamento e na queima desses recursos.
“As mudanças climáticas já estão afetando a saúde dos nossos pacientes, por meio do calor, das enchentes e das doenças”, afirmou o presidente da WMA, Dr. Jung Yul Park. “Nosso código de ética exige que os médicos protejam a saúde das futuras gerações, assim como a dos pacientes de hoje. Isso significa agir sobre as causas, e não apenas tratar as consequências”, explicou ele.
Park também destacou que as populações mais vulneráveis são, muitas vezes, as que menos contribuíram para a crise climática. “Os governos precisam garantir que seus sistemas de saúde estejam preparados e que as medidas de adaptação cheguem às comunidades que mais necessitam delas”, acrescentou.
Diretrizes
A WMA pede aos governos que cumpram seus compromissos climáticos internacionais, destinem recursos para fortalecer os sistemas de saúde, invistam em pesquisas sobre clima e saúde e capacitem médicos e outros profissionais para atuar em desastres relacionados às mudanças climáticas.
A entidade também defende a participação de representantes da saúde no planejamento de emergências, a assistência às pessoas deslocadas por causas ambientais e a inclusão da saúde nas políticas públicas pertinentes.
Os médicos, por sua vez, são orientados a se preparar para emergências climáticas e interrupções no fornecimento de insumos, reduzir a pegada ambiental dos serviços de saúde e considerar fatores ambientais durante a anamnese dos pacientes. Já as associações médicas devem incorporar a emergência climática às suas agendas e promover a inclusão do tema das mudanças climáticas e da saúde na formação médica. A Associação Médica Brasileira (AMB) esteve presente com sua delegação e acompanhou as discussões durante os três dias do evento.
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Fonte: AMB, em 15.10.2026.




