‘Segurança Ética na Saúde Digital’ é tema de debate em painel no segundo dia do CBMG 20265

Um erro de procedimento médico com o auxílio de inteligência artificial é responsabilidade do profissional ou da IA? Este foi um dos questionamentos levantados durante o debate sobre ‘Segurança Ética na Saúde Digital’, coordenado pela Dra. Paula Calderon, membro da Comissão de Saúde Digital da AMB.
O painel foi realizado na tarde desta sexta-feira (12), durante o segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira – CBMG 2026.
Em sua apresentação, Jeancarlo Fernandes Cavalcante, head do Departamento de IA do Conselho Federal de Medicina (CFM) deu destaque à Resolução CFM nº 2.454/2026, que normatiza o uso da Inteligência Artificial (IA) na medicina no Brasil. A norma garante ao médico o direito de utilizar ferramentas de IA como apoio à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica continuada, desde que os limites éticos e legais da profissão sejam respeitados.
Segundo o especialista, a resolução também estabelece que a palavra final sobre as decisões diagnósticas, terapêuticas e prognósticas sempre será do médico. “A IA não substitui a relação médico-paciente. A inteligência artificial amplia a capacidade médica, mas não substitui a inteligência clínica humana. O profissional deve ser o responsável final pelas decisões clínicas”, explicou Jeancarlo.
O especialista finalizou sua fala dizendo que a tecnologia deve servir à medicina, e não o contrário. Isso protege o paciente, preserva a autonomia do médico, estimula a inovação responsável e fortalece a confiança.


Em complemento à apresentação de Jeancarlo Fernandes, Juliana Hasse, presidente da Comissão Estadual de Direito Médico e da Saúde da OAB-SP ressaltou os deveres dos médicos a partir da nova resolução ao usar a inteligência artificial. Registrar em prontuário, ou seja, documentar o uso da IA como suporte à conduta, foi um dos pontos destacados pela advogada. Ela também falou sobre a decisão clínica, que deve ser sempre humana. “A IA não tem essa capacidade de substituir o profissional, mas ela auxilia esse profissional. Mas deve ser usada conforme a técnica e a ética”, disse.
Conclusão do painel
Após alguns questionamentos dos congressistas presentes no painel, os debatedores concluíram que cada situação relacionada ao médico utilizar a IA como ferramenta de apoio em seu trabalho com seus pacientes é muito particular.
“Não há resposta sim ou não quando há um erro de procedimento por parte do médico ao consultar ou não a IA. Todo o processo precisa ser analisado minuciosamente”, afirmou Wagmar Barbosa de Souza, 2º secretário do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).
Especialistas defendem estratégias personalizadas contra dependências químicas e o vício em apostas online

A crescente complexidade dos transtornos relacionados ao uso de substâncias e das dependências comportamentais exige que os médicos estejam preparados para identificar sinais precoces, compreender os múltiplos fatores envolvidos e oferecer abordagens terapêuticas cada vez mais individualizadas. O tema foi debatido durante o segundo dia do 4º CBMG, promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB), que termina amanhã (13/6).
Sob coordenação do Dr. Rafael Mayoral Reichert, diretor financeiro da Associação Paulista de Psiquiatria, o painel reuniu especialistas para discutir desde os avanços científicos na compreensão da dependência química até os desafios impostos pela popularização das apostas esportivas online e o manejo de pacientes em situações complexas.
Dr. Vinicius Oliveira de Andrade, secretário-geral da Comissão de Dependências da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), destacou a transformação do entendimento médico sobre os transtornos por uso de substâncias ao longo das últimas décadas. Segundo ele, comportamentos que antes eram frequentemente interpretados sob uma perspectiva moral hoje são compreendidos a partir de mecanismos biológicos, psicológicos e sociais que interagem de forma contínua.

O especialista explicou que o consumo de álcool e outras drogas geralmente se inicia associado à busca por prazer, mas, com a progressão do quadro, passa a ser impulsionado pela necessidade de aliviar sofrimento emocional, ansiedade e sintomas de abstinência. Ele ressaltou ainda que a dependência deve ser encarada como uma condição multifatorial, exigindo tratamentos que combinem intervenções farmacológicas, acompanhamento psicológico, suporte social e estratégias de redução de danos.
“Precisamos entender que o paciente é uma pessoa e não apenas um diagnóstico. Quanto mais individualizado for o tratamento, melhores tendem a ser os resultados”, afirmou.
A discussão também abordou o crescimento acelerado das apostas esportivas online e seus impactos na saúde mental. Dr. Hermano Tavares, ex-vice-coordenador de Saúde Mental do Projeto Região Oeste da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), alertou para o aumento dos casos de transtorno do jogo associados à ampla oferta de plataformas digitais.
O psiquiatra lembrou que a regulamentação do setor ampliou significativamente o acesso às apostas e observou que a combinação entre disponibilidade permanente, publicidade intensa e tecnologias digitais criou um ambiente propício ao desenvolvimento de comportamentos compulsivos.
“A aposta online se tornou a grande vilã da atualidade. Os lucros são privatizados, mas os custos sociais acabam sendo compartilhados por toda a sociedade”, destacou.
Segundo ele, estimativas apontam que o Brasil possui cerca de 28 milhões de apostadores e que aproximadamente um em cada cinco usuários pode desenvolver dependência, proporção comparável à observada em algumas drogas ilícitas. O especialista enfatizou que o transtorno do jogo é uma condição tratável, mas reforçou a importância de medidas preventivas para conter o avanço do problema.
O Dr. Quirino Cordeiro, professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e ex-coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, trouxe reflexões sobre o gerenciamento de pacientes com dependência de álcool, maconha e outras drogas que apresentam necessidades mais complexas de cuidado. Ele abordou as estratégias voltadas ao fortalecimento da autonomia do paciente, à construção de vínculos terapêuticos e à oferta de suporte contínuo, respeitando as particularidades de cada caso.
No debate, os especialistas defenderam uma atuação integrada entre diferentes serviços de saúde e destacaram a importância de estruturas capazes de garantir acompanhamento prolongado, especialmente para pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Ao longo da discussão, prevaleceu a avaliação de que o enfrentamento das dependências químicas e comportamentais passa por uma visão ampla do paciente, combinando conhecimento científico, escuta qualificada e estratégias terapêuticas construídas de forma individualizada.
“Regulação da graduação médica e Enamed exigem debate mais amplo”, defende Fernando Sabia Tallo
Na tarde do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a conferência “Uma reflexão sobre a regulação da graduação e o Enamed” discutiu os desafios da formação médica no Brasil diante da expansão de escolas, do aumento de vagas e das propostas de avaliação da qualidade do ensino. A atividade foi coordenada pelo Dr. Ramiro Colleoni Neto, professor adjunto e chefe do departamento de Cirurgia da Escola Paulista de Medicina, e teve como conferencista o Dr. Fernando Sabia Tallo, Diretor Tesoureiro da AMB.
Em sua apresentação, Fernando Sabia Tallo afirmou que a regulação da graduação médica precisa ser analisada a partir da forma como o ensino médico é estruturado no país, especialmente diante da presença crescente de instituições privadas com finalidade lucrativa. Para ele, há um conflito entre a lógica empresarial, voltada à expansão e sustentabilidade financeira, e a lógica formativa, que exige supervisão intensiva, tempo, prática assistencial e segurança do paciente. “Ensinar medicina exige tempo, supervisão e prática real. É um processo que não combina com lógica de escala pura, porque formar um médico com segurança significa discutir casos, acompanhar o estudante à beira do leito e tolerar a lentidão pedagógica necessária ao aprendizado”, afirmou.
O conferencista também criticou o uso de uma prova cognitiva como instrumento central para avaliar escolas, estudantes e a aptidão para o exercício profissional. Segundo ele, avaliação de curso, acompanhamento do aluno e licenciamento profissional são processos diferentes e não deveriam ser concentrados em um único instrumento. “O licenciamento não existe para melhorar ranking de escola ou desempenho acadêmico. Ele existe para proteger o paciente. A função central de qualquer processo de licenciamento médico deve ser garantir que quem chega ao atendimento tenha condições reais de exercer a medicina com segurança”, disse.
Ao comentar o Enamed, Fernando Sabia Tallo defendeu que a avaliação da formação médica deve ser longitudinal, prática e institucional. “Não é possível reduzir a avaliação da formação médica a uma prova cognitiva de múltipla escolha. A qualidade de uma escola e a competência de um futuro médico precisam ser avaliadas ao longo do tempo, pelo acompanhamento real da evolução do estudante”, afirmou.
A conferência reforçou que a qualidade da educação médica depende de uma regulação mais robusta, capaz de avaliar separadamente escolas, estudantes, licenciamento profissional e processos formativos. Para Tallo, o debate deve ter como prioridade a proteção da sociedade e a segurança do paciente.
Inteligência Artificial na Prática Clínica: Aplicações, Limites e Transformações na rotina do dia a dia do médico
A inteligência artificial (IA) está redefinindo a prática médica, especialmente no ambiente ambulatorial, onde decisões clínicas cbmgrápidas, precisas e fundamentadas em evidências são essenciais. A incorporação dessas tecnologias tem ampliado a capacidade de análise de dados, apoiado o raciocínio clínico e contribuído para a personalização do cuidado, inaugurando uma nova etapa na integração entre medicina e tecnologia.
Para discutir o tema, o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral promoveu o painel “Inteligência Artificial na Prática Clínica: Potencial, Limites e Aplicações no Consultório”, que trouxe uma abordagem prática sobre como a IA está sendo incorporada à rotina médica. O debate destacou benefícios já observados no dia a dia dos profissionais, além das limitações e dos desafios éticos e operacionais envolvidos em sua adoção crescente.
A sessão foi coordenada pelo Dr. Thiago Ligouri e contou com a participação dos debatedores Dr. Cesar Biselli e os especialistas em IA, Filipe Loures e Bruno Dornelles. As discussões tiveram início com uma análise sobre o uso da IA na rotina dos consultórios e os impactos dessas ferramentas na prática assistencial.
Segundo Bruno Dornelles, embora não tenha formação médica, seu trabalho está diretamente ligado ao desenvolvimento de soluções capazes de compreender e apoiar o raciocínio clínico por meio da inteligência artificial.
“Estamos trabalhando há algum tempo com modelos de linguagem e transcrição em tempo real. Um aspecto muito importante desse processo foi a proximidade que construímos com os médicos, acompanhando suas rotinas para entender como poderíamos aprimorar a solução”, afirmou. “O primeiro passo é gerar a documentação clínica”, acrescentou.
Complementando a discussão, o Dr. Cesar Biselli destacou que áreas como prontuário eletrônico, secretariado e agendamento vêm registrando avanços significativos com a adoção da IA. Segundo ele, o uso dessas ferramentas tem reduzido entre 70% e 80% o volume de digitação realizado pelos profissionais de saúde.
Como exemplo, Dr. Biselli citou a experiência da Alice, operadora de saúde que utiliza inteligência artificial para qualificar o atendimento aos pacientes. “Com essa tecnologia, conseguimos identificar rapidamente se o cliente precisa ou não de uma consulta presencial. Esse é um uso reativo da IA”, explicou. Além disso, ele ressaltou a utilização de ferramentas com atuação proativa. “Também contamos com uma IA que sinaliza quando a pessoa precisa repetir exames ou realizar acompanhamentos periódicos, como consultas ginecológicas, por exemplo”, completou.
Dr. Cesar ainda salientou que não possui nenhum conflito de interesse ao fazer a afirmação aos médicos para ficarem de olho nas novas empresas que estão surgindo ou que já surgiram propondo soluções. “Vou ser sincero, não gosto de ficar preenchendo prontuários. E há soluções que fazem isso por você”, disse.
Já Dr. Thiago ressaltou que há IAs que ajudam tanto nas pesquisas clínicas e auxiliam em prontuários e agendamentos, como também as que ajudam na parta administrativa e a terceira que são chamados de copilotos. “Sobre a transcrição da consulta, é um mercado que vem crescendo no Brasil, mas nos Estados Unidos já é um cenário real. Com isso, diminui o tempo de documentação do médico, aumenta o contato ocular ocasionando uma melhora da relação médico-paciente e também a qualidade da documentação do prontuário, melhorando o armazenamento. Tudo isso aumenta a satisfação do paciente”, colocou.
Mais do que apresentar ferramentas, a sessão buscou estimular uma reflexão crítica sobre o papel da inteligência artificial na prática clínica, reforçando que seu maior valor está em ampliar a capacidade de decisão do médico, e não em substituí-la. Nesse contexto, a IA deve ser compreendida como um recurso de apoio, que exige supervisão, senso crítico e integração ao julgamento clínico.
Quando abordado sobre o uso da IA perante o CFM. Para o Dr. Biselli, ainda chegará na questão: – “quem vai se responsabilizar por isso?”. O CFM já liberou o que é de baixo, médio e alto risco. “Fazer diagnóstico como uma máquina não está liberado pelo CFM e eu acho isso correto”, disse. “Além disso, somos corresponsáveis. E humanos também erram. Na minha opinião, isso é um problema de governança maior. Não há uma resposta clara, pois pode haver um contraponto sobre o não uso da IA, também, e o paciente sair de uma consulta sem um pedido de eletro, por exemplo, sendo que ele precisava fazer”.
Ao fim, juntou-se à mesa Filipe Loures, fundador da VOA. Para ele, desenvolver na saúde não é como desenvolver em outros setores. “Em saúde, tudo depende. Se o paciente está marcando uma consulta de rotina ou se é um pós-operatório que precisa de um atendimento mais rápido. São muitas nuances que em outros setores não existem, tal como agendar a revisão de um automóvel, por exemplo”.
Ao final, o debate reforça que o futuro do consultório será cada vez mais híbrido, sendo que a IA jamais substituirá a humanização do médico, combinando inteligência humana e artificial de forma complementar, com foco na segurança, na eficiência e na qualidade do cuidado ao paciente.
Simpósio destaca cuidado integral à saúde da mulher em todas as fases da vida

Ao iniciar a palestra sobre “Prevenção e rastreamento do câncer ginecológico”, Dr. Jesus Paula Carvalho começou dizendo que o sistema de saúde funciona bem se a porta de entrada funcionar bem. Para tal, ele destacou a importância do diagnóstico precoce e as estratégias de rastreamento para cânceres como o de colo do útero e endométrio.
“O Câncer de Colo do Útero não deveria nem existir, pois se uma menina fizer a prevenção primária, o controle etiológico com vacina, ele não acontece. Queremos eliminar este câncer e temos como”, disse. “Essa doença foi escolhida pela OMS para deixar de existir no século 21 e há uma campanha que isso aconteça até 2030”.
“O Brasil é o terceiro país em que o câncer de endométrio aumenta no mundo”, disse “E o fator de risco é o hiperestrogenismo decorrente da obesidade”, explicou. “Precisamos aprender a fazer biópsia e isso se gasta um real para fazer, com o próprio espéculo”. Ao falar sobre câncer de ovário, ele explicou que o início se dá nas tubas uterinas. “Além do foco nas tubas uterinas, é preciso saber a história familiar”, disse.
Em seguida, a presidente da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender abordou o tema “Climatério e menopausa: abordagem atual”, trazendo atualizações sobre o manejo clínico dessa fase da vida da mulher, com foco em sintomas, terapias disponíveis e impacto na qualidade de vida. “Com o aumento da expectativa de vida de 54 anos em 1950 para 80 anos atualmente, percebemos que aproximadamente 1/3 da vida da mulher é no pós menopausa”, disse. “As mulheres também mudaram nas atividades gerais neste período e isso ocasionou a queda da fecundidade, pois deixaram para engravidar depois ou optaram por não engravidar”, completou.
Hoje há uma janela de oportunidade para a Terapia de Reposição Hormonal, que pode ser feita por mulheres abaixo de 60 anos e até 10 anos do início dos sintomas. “Hoje a FDA reduziu muito as advertências possíveis. Antigamente trabalhávamos com a menor dosagem no menor tempo possível. Atualmente se preconiza a menor dose eficaz, explicou”.
A especialista ainda salientou que neste período é importante o diálogo com a mulher para que ela repense sua vida em todos os aspectos, tais como profissionais, atividades físicas, hábitos, saber tudo que pode ser controlado, melhorado para daí ela fazer início da sua terapia.
Na sequência, Dr. Rogério Bonassi Machado apresentou a palestra “Contracepção e planejamento reprodutivo”, discutindo métodos contraceptivos modernos e a importância do planejamento reprodutivo individualizado ao longo das diferentes fases da vida feminina.
Segundo ele, há vários estudos que mostram que anticoncepcionais hormonais também previnem cânceres. Num gráfico entre mortalidade materna versus utilização de contraceptivos, ele explica que quanto mais se utiliza, maior é a chance de se prevenir morte materna.
Porém, ele explicou as diferenças entre os métodos contraceptivos, pois os de longa duração, como um DIU que fica por três anos, acaba sendo muito mais eficaz que um anel vaginal, que você coloca e tira a cada relação, por exemplo.

O simpósio “Saúde da Mulher ao Longo da Vida” reforçou a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da adoção de estratégias personalizadas de cuidado ao longo das diferentes etapas da vida feminina. Ao reunir especialistas de referência para discutir temas como câncer ginecológico, climatério, menopausa, contracepção e planejamento reprodutivo, a atividade evidenciou o compromisso da comunidade médica com a atualização científica e a promoção da saúde da mulher. A programação integrou o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, consolidando o evento como um espaço de debate qualificado e troca de experiências em prol de uma assistência cada vez mais abrangente e baseada em evidências.
Entre a Clínica, a Gestão e a Tecnologia: O Futuro do Médico Generalista

“A Medicina Preventiva é fundamental para evitar que as doenças avancem.” Foi com essa afirmação que o Dr. José Mauro Secco, um dos coordenadores do painel ao lado do Dr. Jayme Malek Junior, iniciou a discussão sobre Medicina Preventiva e Social no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB.
Na primeira apresentação, o Dr. Junji Miller abordou o tema “A inteligência artificial apoiando o médico generalista”. Segundo ele, a IA aplicada à gestão se divide em duas dimensões: o conhecimento médico e o trabalho médico, conceitos distintos. “A IA não alucina com dados. Ela alucina com palavras, mas com dados raramente”, afirmou. Ele também destacou a existência de padrões visíveis e padrões ocultos, estes últimos ainda fora da plena compreensão humana.
Conforme explicou, quando um modelo de inteligência artificial gera uma informação aparentemente correta, convincente e bem estruturada, mas que é falsa ou imprecisa, ocorre o fenômeno das chamadas “alucinações”. Isso acontece porque as LLMs não armazenam fatos, mas padrões estatísticos de linguagem. Para reduzir esse problema, a qualidade do prompt é fundamental. “O óbvio para nós não é óbvio para a IA. Quanto mais a gente escreve com clareza, menos a IA vai alucinar”, disse. “O futuro não será IA versus médico, mas IA com o médico”, finalizou.
O debate seguiu com a apresentação “Médico sanitarista: entre a clínica, a gestão e a academia, as múltiplas possibilidades desta carreira”, conduzida pelo Dr. Adalto Pontes. Ele iniciou explicando que o médico sanitarista tem como foco central a coletividade, e não apenas o indivíduo. “Somos o estranho no ninho, a ovelha negra, mas com o tempo explicamos a nossa atuação”, afirmou.
Para contextualizar a importância da especialidade, citou nomes como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Emílio Ribas, Vital Brazil, Nise da Silveira e Zilda Arns, destacando que muitos desses profissionais foram fundamentais para a construção da saúde pública no Brasil. “Muita gente não sabe o que os sanitaristas fazem, mas eles não são apenas conhecidos, são reconhecidos pelos seus feitos”, disse. Segundo ele, a atuação do médico sanitarista envolve atenção primária à saúde, medicina clínica preventiva, ensino e pesquisa.
“Hoje somos 1.637 médicos sanitaristas no Brasil, representando cerca de 0,3% dos especialistas. No entanto, estimativas apontam a necessidade de cerca de 50 mil profissionais, podendo chegar a 75 mil em um cenário ideal”, destacou. “Uma especialidade com sólidas bases históricas e um futuro desafiador e encorajador”, concluiu.
Em seguida, o Dr. Sérgio Antônio da Silveira Júnior apresentou a palestra “Decidir bem também é auditar: o novo papel do médico generalista na era da complexidade”. Ele destacou que o médico generalista enfrenta hoje uma sobrecarga de informações e uma intensa pressão por resultados nem sempre facilmente alcançáveis. “Fica a questão: quem é o auditor do sistema de saúde?”, provocou.
Segundo ele, nesse novo cenário, o próprio médico assume esse papel de auditor ao tomar decisões clínicas sob diferentes pressões. Entre elas, citou a pressão do paciente, muitas vezes já influenciado pela automedicação; a pressão da tecnologia, especialmente na indicação de exames; o fascínio do excesso, com solicitações de investigações desnecessárias; e a fragmentação do cuidado, quando o paciente circula entre múltiplos especialistas.
“Enfim, o primeiro auditor do sistema de saúde está sentado diante do paciente e toma decisões todos os dias”, concluiu.
O 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB reforçou o papel central do médico generalista como eixo estruturante do sistema de saúde, evidenciando sua atuação na prevenção, na coordenação do cuidado e na tomada de decisão clínica em cenários cada vez mais complexos. Nesse contexto, o médico generalista surge como protagonista na integração do cuidado.
Mesa discute papel do médico generalista no cuidado ao paciente cirúrgico

Ao final da manhã do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a mesa redonda “Cirurgia geral – o médico generalista e o paciente cirúrgico” discutiu a atuação do generalista em diferentes etapas da jornada cirúrgica, do preparo pré-operatório ao reconhecimento de complicações, passando pela suspeita inicial de câncer e pelo tratamento da obesidade. A atividade foi coordenada pelos médicos Flávio Daniel Saavedra Tomasich, Titular da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Luiz Carlos Von Bahten, diretor de Comunicação da Associação Médica Brasileira (AMB) e Paulo Roberto Corsi, vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).
A primeira apresentação foi conduzida pelo Dr. Pedro Eder Portari Filho, Governador do Capítulo Brasil do Colégio Americano de Cirurgiões. Ao falar sobre cuidados perioperatórios, ele destacou que o primeiro passo do pré-operatório é conhecer bem o paciente e evitar pedidos de exames sem indicação clínica. “O pré-operatório começa pela relação médico-paciente. É preciso sentar, conversar e entender quem é aquele paciente antes de qualquer conduta. Não faz sentido pedir exames de forma automática; é a avaliação clínica bem feita que orienta o melhor preparo para a cirurgia”, afirmou.
Na sequência, o Dr. Luiz Carlos Von Bahten, abordou as principais complicações pós-operatórias. A apresentação destacou a importância da vigilância clínica no pós-operatório, especialmente diante de sinais como febre, taquicardia, hipotensão, dor desproporcional, dispneia, oligúria, alteração do nível de consciência e piora progressiva do estado geral.
“O pós-operatório seguro começa com uma vigilância simples, repetida e bem documentada”, afirmou. Para o especialista, o médico generalista que acompanha pacientes internados precisa reconhecer precocemente sinais de deterioração, estratificar riscos, investigar de forma dirigida e acionar o cirurgião quando necessário. “No pós-operatório, a dúvida não pode esperar. O paciente precisa ser reavaliado em minutos, não em horas”, reforçou.
O terceiro tema foi apresentado pelo Dr. Flávio Daniel Saavedra Tomasich. O especialista ressaltou que o médico generalista tem papel central na detecção precoce e no encaminhamento adequado de pacientes com sinais suspeitos de câncer.
“O desfecho do paciente oncológico começa muito antes de ele ser tratado do ponto de vista oncológico. Não começa no centro de oncologia; começa no consultório do médico”, afirmou. Entre os sinais de alerta, o especialista citou perda de peso inexplicada, sangramento anormal, anemia sem causa definida, disfagia, alterações persistentes do hábito intestinal, massas palpáveis, linfonodos persistentes, tosse crônica e sintomas sem explicação clara. “O maior inimigo do paciente oncológico não é a doença, é o atraso do diagnóstico”, completou.
A programação também contou com a apresentação do Dr. Luiz Gustavo de Oliveira e Silva, coordenador do programa de cirurgia bariátrica e metabólica do Hospital Federal de Ipanema. Ao tratar de cirurgia de obesidade para generalistas, ele afirmou que, mesmo diante dos avanços dos novos medicamentos para obesidade, a cirurgia bariátrica segue como uma alternativa relevante, especialmente em pacientes com obesidade grave e doenças associadas.
Ao final do debate, o Dr. Edivaldo Massazo Utiyama, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, destacou que o médico generalista tem papel decisivo em todo o percurso cirúrgico: preparar melhor o paciente, reconhecer complicações, suspeitar precocemente de doenças graves e encaminhar de forma adequada, contribuindo para desfechos mais seguros.
Abordagem integrada transforma o cuidado em doenças tromboembólicas e cardiovasculares

Na manhã do segundo dia do 4º CBMG, especialistas de diferentes áreas debateram condições clínicas que exigem uma abordagem integrada entre angiologia, cirurgia vascular, hematologia e cardiologia. A programação percorreu temas que vão da prevenção do tromboembolismo venoso na gravidez à investigação das trombofilias e aos desafios relacionados à morte súbita, reunindo evidências científicas e aplicações práticas para a assistência médica.
Para o Dr. Paulo Martins Toscano, vice-presidente Norte da AMB e membro titular do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a evolução da especialidade está diretamente associada à capacidade de antecipar riscos e ampliar a precisão diagnóstica.
“A angiologia e a cirurgia vascular têm avançado significativamente com a incorporação de técnicas menos invasivas e diagnósticos mais precisos. A prevenção continua sendo o principal instrumento para reduzir complicações vasculares, especialmente por meio do controle do diabetes, da hipertensão e do tabagismo. O diagnóstico precoce também tem papel decisivo para melhorar os resultados dos tratamentos e a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.
O tromboembolismo venoso associado à gestação esteve entre os assuntos centrais da discussão conduzida pelo Dr. Adilson Ferraz Paschôa, chefe do Centro de Cirurgia Vascular Integrada e membro titular da SBACV. O especialista abordou o aumento do risco trombótico durante a gravidez e o puerpério, período considerado particularmente vulnerável para a ocorrência desses eventos. A utilização da heparina de baixo peso molecular, os cuidados com pacientes anticoaguladas no momento do parto e os critérios para manutenção da profilaxia após o nascimento foram alguns dos aspectos discutidos. Também foram apresentados parâmetros para estratificação de risco e indicações para acompanhamento mais rigoroso em gestantes com histórico prévio de trombose ou embolia.
A compreensão das trombofilias e o uso racional dos exames diagnósticos nortearam a participação da Dra. Elisabetta Sachsida Colombo, membro-fundadora e ex-diretora da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH). A médica analisou os principais defeitos hereditários e adquiridos relacionados à formação de trombos, observando que a solicitação de testes deve estar vinculada ao contexto clínico e às possíveis repercussões na condução do caso. A especialista revisou fatores como mutação do fator V de Leiden, mutação da protrombina, síndrome do anticorpo antifosfolípide e deficiências de proteínas anticoagulantes naturais, além de discutir os limites e as indicações da investigação laboratorial.
A programação foi concluída com a participação do Dr. Sérgio Timerman, diretor do Centro de Parada Cardíaca, Time de Resposta Rápida e Ciência da Ressuscitação do InCor-HCFMUSP, que trouxe uma reflexão sobre a magnitude da morte súbita e das doenças cardiovasculares. A discussão passou pelos avanços das diretrizes de ressuscitação, pela chamada jornada da sobrevivência e pela necessidade de ampliar o treinamento da população para o reconhecimento precoce e o atendimento imediato das emergências cardíacas. O cardiologista também abordou os desafios para reduzir a mortalidade e ampliar o acesso às estratégias de prevenção e resposta rápida.
As discussões reforçaram que a integração entre especialidades tem papel fundamental na redução de complicações, na identificação precoce de fatores de risco e na construção de linhas de cuidado mais efetivas para pacientes com doenças tromboembólicas e cardiovasculares.
Talk shows ampliam debates sobre comunicação, propósito e inovação
A programação do segundo dia contou ainda com uma série de talk shows que promoveram discussões sobre comunicação, trajetória profissional e transformação na Medicina.
O Grupo Pleno, empresa oficial do CBMG 2026, realizou o talk show “Audiovisual que Conecta Conhecimento, Experiência e Confiança”. A atividade teve moderação de Andréia Brum e participação da estrategista de marketing Edilaine Dutra, que discutiu a importância da comunicação audiovisual na construção de autoridade e relacionamento com pacientes.
Na sequência, o Projeto Rumo promoveu o talk show “Transformando Vidas na Medicina”, também mediado por Andréia Brum, com participação de Carlos Dzik. O encontro abordou experiências inspiradoras e iniciativas voltadas à transformação social por meio da Medicina.
Encerrando a programação da Arena Silenciosa no dia 12, a TES Ecoeficiente realizou um talk show mediado por Andréia Brum, com participação de Vivian Gomes, diretora comercial do Grupo R1. O debate abordou temas relacionados à inovação, sustentabilidade e novas perspectivas para a gestão de serviços em saúde.
Saúde indígena, carreira médica e inovação marcam o segundo dia do CBMG na Arena Silenciosa
No dia 12 de junho, a Arena Silenciosa continuou oferecendo conteúdo diversificado e alinhado às demandas atuais da Medicina.
A AgSUS abriu a programação com a palestra “Saúde Indígena – Diagnóstico na Medicina de Floresta”. O tema foi apresentado e compartilhou experiências relacionadas ao atendimento em territórios remotos, aos desafios logísticos e às particularidades clínicas da assistência aos povos indígenas.
Na sequência, o MedGrupo promoveu a apresentação “Método MedGrupo: A Dinâmica do Raciocínio Prático”, destacando metodologias de ensino voltadas ao desenvolvimento do raciocínio clínico e à formação médica baseada em resolução de casos.
A gestão financeira da carreira médica foi tema da palestra da Unicred, intitulada “Planejamento Financeiro do Médico: do Primeiro Plantão à Aposentadoria”. O conteúdo foi apresentado por Rafael Klee de Vasconcelos, vice-presidente da Unicred Valor Capital, que abordou estratégias de organização financeira, investimentos e planejamento de longo prazo para os profissionais da saúde.
Também focada no desenvolvimento profissional, a Carecod promoveu atividade conduzida por Seung Beom Kim, ampliando a discussão sobre planejamento, gestão e desenvolvimento de carreira médica.
Um dos destaques da tarde foi o encontro promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center, com o tema “Decisões Estratégicas em Ambientes de Alta Complexidade”. A apresentação reuniu Graziela Escobar, diretora de Planejamento Estratégico e Inteligência de Mercado do A.C.Camargo, e Rodrigo Oliveira Santos, gerente de Ensino e Pesquisa da Fundação Antonio Prudente. Os especialistas compartilharam experiências sobre liderança, gestão e tomada de decisões em instituições de referência nacional.
A internacionalização da carreira médica foi tema da palestra promovida por Marcus Damasceno Advocacia, intitulada “Como os Médicos Brasileiros Estão Construindo Carreira na Europa Através de Portugal”. O advogado Marcus Damasceno apresentou oportunidades, requisitos regulatórios e perspectivas para profissionais interessados em atuar no mercado europeu.
A atualização científica continuou presente com a participação da Medway, que apresentou o tema “Atualização no Manejo de Algumas Taquiarritmias, Sobretudo da Fibrilação Atrial”. A atividade foi conduzida pela professora de Clínica Médica Ana Alcantara, abordando estratégias diagnósticas e terapêuticas voltadas a uma das arritmias mais prevalentes na prática clínica.
Obesidade, vacinação, saúde indígena e inteligência artificial são os destaques do segundo dia dos simpósios patrocinados dentro do CBMG
No dia 12 de junho, os simpósios patrocinados seguiram abordando temas de grande impacto para a saúde pública e para a prática clínica.

A Lilly – A Medicine Company apresentou simpósio “Mounjaro no Manejo Farmacológico da Obesidade: Da Evidência à Prática”, ministrado pelo professor Mario José Saad. O encontro discutiu as evidências científicas mais recentes relacionadas ao tratamento farmacológico da obesidade, condição considerada um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade.
A vacinação foi tema de um amplo debate promovido conjuntamente por Pfizer, Sanofi e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Com o tema central “Imunização Pública – Desafios de Cobertura Vacinal e Sustentabilidade do Sistema de Saúde”, o simpósio reuniu especialistas para discutir estratégias de recuperação das coberturas vacinais e os impactos da vacinação na sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro.
Participaram das discussões Harryson Santos, da área de Medical Affairs da Pfizer; Rafael Araújo, líder de Acesso e Valor da Sanofi; e Monica Levi, referência nacional em imunizações e membro da AMB. Entre os temas abordados estão o papel das equipes multidisciplinares na recuperação das coberturas vacinais do adulto, os benefícios da vacinação ao longo da vida e o panorama atual da imunização no Brasil.
Outro destaque foi o simpósio “Saúde Indígena – Guia Prático para Atuação do Médico na Saúde Indígena”, que reuniu especialistas com ampla experiência na área. Participaram Idjarrury Sompré, diretor do Departamento de Atenção Integral à Saúde Indígena da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI); Sarah Segalla, supervisora acadêmica do Programa Mais Médicos no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Amapá e Norte do Pará; e Edson Oliveira, gestor executivo da AgSUS. O encontro discutiu aspectos culturais, epidemiológicos e assistenciais fundamentais para uma atuação qualificada junto aos povos indígenas.
A inovação tecnológica aplicada à Medicina esteve presente no simpósio “Como Ser Recomendado pelo ChatGPT: Estratégias Práticas para Médicos”. Ministrada por Edson Medeiros, professor, autor e especialista em marketing médico, a atividade abordará como os profissionais podem fortalecer sua presença digital, ampliar sua visibilidade e adaptar sua comunicação ao novo cenário impulsionado pela inteligência artificial.
Encerrando a programação dos simpósios patrocinados, foi realizado o encontro “Reconhecendo Sinais e Sintomas de Coagulopatias Hereditárias”, destinado exclusivamente a prescritores. A palestra será conduzida por Érika Okazaki, que apresentou aspectos fundamentais para o reconhecimento precoce dessas condições, contribuindo para diagnósticos mais rápidos e melhores resultados clínicos.
Atualização científica integrada à prática do médico generalista
Os simpósios patrocinados reforçam o compromisso do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB com a educação médica continuada e com a oferta de conteúdo científico de alta qualidade. Ao reunir especialistas renomados, representantes de instituições públicas, sociedades científicas e empresas do setor da saúde, a programação amplia as oportunidades de atualização dos participantes e fortalece o papel do médico generalista como protagonista na promoção da saúde, prevenção de doenças e coordenação do cuidado em todo o sistema de saúde brasileiro.


Manual de Suporte Avançado de Vida em Anafilaxia e Asma será lançado durante o CBMG
Manual oferece informações para o resgate imediato de quadros de anafilaxia e crises agudas de asma
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) lançou oficialmente a 2ª edição do “Manual de Suporte Avançado de Vida em Anafilaxia e Asma”. O lançamento ocorreu nesta sexta-feira (12), no estande da ASBAI, durante a programação do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), evento que reúne grandes nomes da Medicina e médicos generalistas no Distrito Anhembi (SP). A obra consolida-se como o principal guia técnico para o manejo de crises alérgicas graves e respiratórias no país.
Desenvolvido para médicos e demais profissionais de saúde em geral, especialmente para aqueles que atuam em prontos-socorros, unidades de emergência e terapia intensiva. “A anafilaxia, por exemplo, pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar e o manual oferece informações para o resgate imediato e diretrizes atualizadas para o enfrentamento de quadros de anafilaxia e crises agudas de asma”, explica Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI e uma das editoras da obra.
O conteúdo prioriza o desenvolvimento do raciocínio clínico rápido e a execução de intervenções precisas, fatores determinantes para a sobrevivência e a redução de sequelas em quadros potencialmente fatais.
A publicação é fruto de um trabalho colaborativo, coordenada pelos editores Dirceu Solé, Fabiana Andrade Nunes Oliveira, Fátima Rodrigues Fernandes, Herberto José Chong Neto, Mara Morelo Rocha Felix e Marisa Rosimeire Ribeiro.
A obra reflete o compromisso da ASBAI com a educação continuada e a excelência científica, contando com o apoio e parceria de renomados centros de reanimação e simulação realística.
A presidente da ASBAI conta que um dos diferenciais desta edição é sua integração direta com o treinamento prático. Os profissionais inscritos no curso AALS (Allergy Advanced Life Support) receberão o manual como material didático base, garantindo que o conhecimento teórico seja imediatamente aplicado em protocolos de simulação e, posteriormente, na prática clínica diária”, explica.
O presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, destacou a importância do manual. “Esta obra é fundamental para os médicos que atuam na linha de frente do atendimento à população. Parabenizo a ASBAI por essa iniciativa fundamental para a medicina”, disse.
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4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB promove atualização sobre HIV e hepatites virais
O 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB promoveu uma atualização sobre os principais desafios e avanços no manejo do HIV e das hepatites virais. Durante a mesa “Virologia na Prática do Clínico Geral: Desafios Atuais e Atualização Clínica”, especialistas destacaram o papel estratégico do clínico geral no diagnóstico precoce, acompanhamento e encaminhamento desses pacientes.
Ao abordar o cuidado da pessoa vivendo com HIV sob a perspectiva do clínico geral, o Dr. Ricardo Sobhie Diaz ressaltou a importância da viremia na história natural da infecção e destacou que o envelhecimento ocorre de forma acelerada entre pessoas infectadas pelo vírus. Segundo ele, o tratamento antirretroviral é capaz de reduzir esse processo, embora não o elimine completamente.
“Quando você trata uma pessoa, espera que os níveis de CD4 retornem ao normal ou se elevem. Mas, se esse nível estiver muito baixo, nem sempre é possível atingir a normalidade. Isso gera, inclusive, imunossenescência, que é o processo natural de deterioração e reestruturação do sistema imunológico decorrente do envelhecimento”, explicou.
Apesar dos desafios, o especialista destacou uma perspectiva positiva. “Se você consegue tratar, a carga viral fica indetectável e os níveis de CD4 aumentam. Com isso, a expectativa de vida pode ser até maior do que a de pessoas sem HIV”, afirmou.
Na sequência, o Dr. Dimas Carnaúba Jr. discutiu as hepatites virais, com foco nos avanços recentes em diagnóstico e tratamento, além das novas estratégias terapêuticas disponíveis.
“Para o diagnóstico das hepatites virais, é fundamental descobrir os casos o mais cedo possível. Tão importante quanto curar é identificar quem tem hepatite B ou C, pois milhões de pessoas convivem com essas infecções, sabendo ou não do diagnóstico”, disse. “E o clínico geral é a principal porta de entrada desses pacientes”.
O especialista ressaltou que os tratamentos evoluíram significativamente. “Hoje não precisamos mais de biópsia, interferon, tratamentos prolongados ou muitos efeitos adversos. Para se ter uma ideia, a cura da hepatite C está em torno de 95%. Porém, precisamos detectar os casos. Além disso, os testes atuais são não invasivos, funcionando como um ‘novo estetoscópio’ do fígado”.
Para finalizar, ele reforçou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para evitar a progressão para doenças hepáticas avançadas. “Nosso trabalho é impedir que o paciente desenvolva uma doença crônica avançada, situação em que a expectativa de vida pode cair de 12 para dois anos. Alguns países já colocaram o clínico geral no centro das estratégias de eliminação das hepatites”, concluiu.
Na terceira apresentação, Dra. Nancy Cristina Belei abordou as infecções respiratórias virais, destacando a abordagem clínica das síndromes gripais, os critérios de gravidade, as estratégias de prevenção e a importância da vacinação.
Durante a exposição, ela apresentou dados sobre a sazonalidade das infecções respiratórias entre 2021 e 2026, incluindo casos de SARS-CoV-2, influenza, VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e resultados negativos para esses agentes.
“Essas doenças apresentam uma capacidade de replicação extremamente rápida. Para um tratamento realmente efetivo, seria necessário atender os primeiros pacientes em menos de 24 horas, o que, na prática, é muito difícil de acontecer”, destacou.
Segundo a especialista, no caso da influenza, a transmissão pode ser reduzida quando o tratamento é iniciado precocemente. “O contato com uma pessoa infectada por influenza ainda permite reduzir a transmissão da doença se houver intervenção terapêutica em até 48 horas”, explicou.
O encerramento do painel reforça a importância da virologia como componente essencial da formação e atuação do clínico geral, destacando que o domínio desse conhecimento é fundamental para o diagnóstico precoce, o manejo adequado e a prevenção eficaz das principais infecções virais na prática médica contemporânea.
“Interoperabilidade e inteligência artificial devem transformar a prática médica”, apontam especialistas durante o CBMG
Na tarde do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a palestra “Interoperabilidade – proposta de valor para o setor de saúde” discutiu como a integração segura de dados e o uso da inteligência artificial podem apoiar a prática clínica, melhorar a tomada de decisão e fortalecer a jornada do paciente no sistema de saúde. A atividade foi coordenada pelo Dr. Antonio Carlos Endrigo, presidente da Comissão de Saúde Digital da AMB.
Ao abrir a sessão, Endrigo destacou que o tema integra uma agenda mais ampla da entidade voltada à saúde digital. “Nesta sala, estamos tratando de temas centrais para a saúde digital. A interoperabilidade entra nessa agenda como uma proposta de valor para todo o setor, porque discute como os dados podem circular melhor e apoiar a assistência médica”, afirmou.
A apresentação inicial foi conduzida pela Dra. Cristina Ellert Salomão, médica reumatologista, com atuação no acompanhamento de pacientes crônicos e experiência no uso de prontuário eletrônico desde 2005. A especialista abordou o impacto da inteligência artificial na rotina do consultório e destacou que a chegada da interoperabilidade exigirá dos médicos capacidade de interpretar dados vindos de diferentes fontes, como laboratórios, hospitais e outros profissionais de saúde.
“Se hoje já é difícil localizar e organizar toda a história do paciente dentro de um prontuário, imaginem quando a interoperabilidade trouxer informações de laboratórios, hospitais e outros profissionais. O desafio será transformar esse volume de dados em conhecimento útil para a prática clínica”, afirmou.
Durante a apresentação, Cristina mostrou exemplos práticos de uso de inteligência artificial para organizar históricos extensos, gerar sumários clínicos, transcrever relatos de pacientes e apoiar hipóteses diagnósticas. Para ela, a tecnologia não elimina a responsabilidade médica, mas amplia a necessidade de análise crítica.
O painel também contou com a participação de Marco Antonio Bego, diretor executivo do Instituto de Radiologia HCFMUSP, que apresentou um projeto piloto de interoperabilidade voltado à troca segura de informações entre diferentes pontos do sistema de saúde. Ele explicou que interoperabilidade não é apenas integrar sistemas, mas permitir que dados relevantes sejam acessados, com consentimento, no momento em que são necessários para o cuidado.
“Interoperabilidade não é simplesmente fazer um sistema conversar com outro. É permitir que a informação certa esteja disponível no momento certo, para quem precisa dela, independentemente de onde o dado foi gerado”, explicou. Segundo ele, o objetivo é manter os dados na origem e compartilhá-los apenas quando houver necessidade assistencial, reduzindo riscos, custos e duplicidade de informações.
Na etapa final, Paulo Salomão, doutor em Informática Médica e CEO de uma health tech, reforçou que interoperabilidade e inteligência artificial caminham juntas. Para ele, dados em grande volume, sem inteligência aplicada, têm pouco valor para a assistência. “Dados são tão importantes quanto uma prescrição ou uma conduta médica. Sem dados corretos, o médico não consegue fazer um bom diagnóstico, indicar o melhor tratamento ou tomar uma decisão clínica segura”, afirmou.
A mesa reforçou que a transformação digital na saúde depende de governança, segurança, consentimento, padronização de dados e uso responsável das novas tecnologias. O debate mostrou que a interoperabilidade pode deixar de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar um caminho concreto de melhoria da assistência médica.
Rapidez no diagnóstico e tratamento da obesidade são fundamentais para enfrentar o câncer de mama

Na palestra que abordou o rastreamento do câncer de mama, nesta sexta-feira (12), segundo dia de trabalhos do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, dois fatores se mostraram fundamentais para o enfrentamento dessa doença que ameaça a saúde da mulher.
A rapidez no diagnóstico e o combate à obesidade são as ações que podem mitigar a doença, segundo concordaram os expositores. Em relação ao primeiro fator, o médico Carlos Alberto Ruiz, que atua há 35 anos no Hospital das Clínicas, em São Paulo, afirmou que quando se trata de tumor palpável é preciso ir direto para a biópsia de agulha grossa, “sem perder tempo com outros exames”, como até mesmo a mamografia, que é essencial nesses casos.
“O retardo no diagnóstico vai causar mais mortes. A agilidade faz toda a diferença”, defendeu. “Atualmente, o tempo médio de tratamento no Brasil é de 160 ou 180 dias, dependendo do sistema e da região que atende, e a lei diz que deve ser de 60 dias”, afirmou Ruiz, para quem privilegiar o salvamento da paciente faz toda a diferença. O médico considera que um dos desafios atuais do SUS e da rede privada é identificar os gargalos de atendimento para reduzir o tempo de tratamento.
Já o médico Daniel Buttros, professor do Programa de Pós-Graduação em Tocoginecologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/UNESP), sustentou que a relação do câncer de mama com a obesidade “é íntima e catastrófica”. Buttros também disse que é necessário reduzir o risco de câncer de mama na abordagem combinada do estilo de vida da mulher e na administração de medicamentos, como as canetas emagrecedoras.
“É preciso levar em conta fatores como a alimentação, o uso de substâncias tóxicas, qualidade de relacionamentos, gestão do estresse, qualidade do sono”, afirma. A perda de peso é importante porque a obesidade é uma “doença recidivante”, nas palavras do médico, “e perder peso diminui o risco oncológico”. Ele citou um estudo que destaca que mulheres com câncer de mama que tratam a obesidade vivem mais.
O rastreamento desse tipo de câncer deve ser feito uma vez por ano a partir dos 40 anos. Isso ainda não é realidade no país, mas essa idade é um objetivo a ser alcançado. O médico Gustavo M. Badan, líder do setor de Radiologia Mamária no Hospital Santa Catarina e Coordenador da Imaginologia Mamária da Santa Casa de São Paulo, afirmou que os dados comparados dos países no mundo mostram que os países desenvolvidos, como os EUA e os da Europa, têm mais casos dessa doença, levando em conta a incidência por grupos de 10 mil mulheres.
“O estilo de vida da mulher atualmente, com menos filhos, menos amamentação, mais hormônios tem causado a maior incidência da doença. Mas também há mais diagnóstico por conta do rastreamento. Quanto mais rastreamento, menos mortes. E nos países da África, que têm menos recursos, há mais mortes de câncer de mama”, disse.
O rastreamento é garantido pela mamografia, que é um recurso altamente disponível no país, e de baixo custo. A ressonância magnética também é uma ferramenta de rastreamento, mas é mais cara, menos disponível e mais difícil de interpretar. Na Inglaterra, o rastreamento reduz a mortalidade em 20%, mostram estudos.
Também há estudos que comprovam que a redução de mortes é de 20% a 30% no caso do rastreamento ser feito uma vez por ano. “Quando o diagnóstico é antecipado, há mais chance de o tratamento não necessitar de quimioterapia”, disse Badan.
Nova edição da CBHPM é lançada no CBMG 2026; inclusão da cirurgia robótica é um dos destaques na nova edição

A manhã do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina da Associação Médica Brasileira – o CMBG 2026 – foi marcada pelo lançamento da CBHPM 2026 – Classificação Brasileira e Hierarquizada de Procedimentos Médicos. A mesa de discussão sobre a nova edição da publicação foi conduzida pelo diretor de Defesa Profissional da AMB, Dr. Carlos Mascarenhas, e pela Dra. Miyuki Goto, consultora técnica da CBHPM da AMB.
Entre as novidades pontuadas pelo Dr. Carlos é a atualização de diversos procedimentos que a medicina passou a fazer nesses últimos quatro anos. “Chamo atenção para a cirurgia robótica, que passa a ser incorporada na CBHPM, apesar de termos ainda uma restrição de uso da cirurgia robótica no Brasil, pois nem todas estão no rol da Agência Nacional de Saúde (ANS), cobertura obrigatória. Mas a AMB já está antecipando essa tecnologia que surgiu. Nós a incorporamos na tabela”, explicou.
O especialista também ressaltou que a nova edição surge como um passo importante para os médicos brasileiros, mas ainda há pontos a serem melhorados. “O grande desafio é conseguirmos implementar o que está sendo lançado hoje. Esse é apenas um pontapé inicial de uma longa jornada para a implantação dessa nova edição na prática junto às operadoras de planos de saúde como referencial para os profissionais da medicina”, disse.
Dra. Miyuki, que colabora em toda a estruturação da CBHPM celebrou a nova edição e destacou a importância da consolidação da CBHPM para a saúde suplementar no Brasil. “É uma edição bastante esperada, que traz muita novidade tecnológica. É muito importante que todos possam conhecer ou acessar a CBHPM e participar desse processo que não é algo estático, é muito dinâmico”, afirmou a especialista.
A nova edição traz a revisão e atualização de procedimentos, incorporando avanços científicos e tecnológicos, como saúde digital, terapias avançadas, métodos diagnósticos de alta complexidade e técnicas minimamente invasivas.
Além disso, a CBHPM mantém seu papel fundamental como base da TUSS da ANS, contribuindo para a padronização dos registros, a transparência contratual e a qualificação da assistência à saúde no Brasil. Sua importância se estende também ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao colaborar com a harmonização de nomenclaturas e com a qualificação das informações em saúde.
A publicação ainda atualiza os procedimentos que precisavam melhorar remuneração, que tinham que mudar auxílios cirúrgicos, que precisavam ser incorporados com portes anestésicos e retirar alguns que já estavam ultrapassados.
“Nós fizemos uma repaginação na CBHPM, mas mantivemos o coração dela, que é a hierarquização com a valorização dos honorários médicos. E a partir de então cabe a nós da AMB agora, enquanto médicos, às sociedades médicas, ao Conselho Federal de Medicina e aos sindicatos médicos no Brasil inteiro buscar os operadores de planos de saúde para negociar a implantação da CBHPM”, concluiu Mascarenhas.
O que é a CBHPM?

A CBHPM é uma publicação da Associação Médica Brasileira que consolida e classifica, de forma hierarquizada, os procedimentos realizados na medicina brasileira. Ela abrange todas as especialidades e estabelece um padrão mínimo aceitável para a remuneração do exercício profissional.
Atualmente, as 54 Sociedades de Especialidades, que possuem amplo conhecimento técnico-científico sobre a evolução dos procedimentos e tratamentos, são filiadas à AMB e colaboram continuamente para a atualização da CBHPM.
Estadão | Caderno Viva – 'Não passe o dia sentado comendo tudo que te oferecem', alerta Drauzio Varella

Hoje, o cenário é de doenças crônicas, que Drauzio classifica como as verdadeiras “epidemias” da atualidade: diabetes e hipertensão. Diferente das infecções do passado, essas condições exigem um acompanhamento contínuo que o modelo de “médico isolado” em um consultório não consegue suprir com eficiência. “Dados mostram que apenas 12% dos hipertensos mantêm a pressão controlada após um ano de tratamento”, aponta o médico.
De acordo com a pesquisa Vigitel 2025, o número de adultos brasileiros com diabetes saltou 135% entre 2006 e 2024, elevando a taxa de 5,5% para 12,9%. O levantamento, que monitora os fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), também apontou um crescimento expressivo em outras condições no mesmo período: a obesidade cresceu 118%, o excesso de peso subiu 47% e a hipertensão avançou 31%.
Mais de 56% da população brasileira está acima do peso, e o sedentarismo projeta matar tanto quanto o cigarro no século XXI. A mensagem central de saúde pública mudou de “ferva a água” para “não passe o dia sentado comendo tudo o que te oferecem.”
SUS como patrimônio
Para Drauzio, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser compreendido como um verdadeiro patrimônio nacional, estruturado com uma racionalidade e estratégia que muitos países de primeiro mundo não conseguem sustentar devido aos altos custos.
Varella aponta que, apesar das dificuldades e do subfinanciamento – o famoso “cobertor curto” –, o Brasil possui um sistema de acesso universal que é referência global.
O Brasil possui um sistema de acesso à saúde para a população em geral que não existe em países de primeiro mundo, onde o custo da assistência é muito elevado.”
Ele reforça que a estrutura, dividida em atenção primária (portas de entrada como UBS e UPAs), secundária (especializada) e terciária (alta complexidade), foi pensada para dirigir políticas públicas aos problemas mais graves e incidentes da população, atestadas pela nossa Constituição.
Para Drauzio, valorizar o SUS é reconhecer uma organização que, se bem gerida, resolve a imensa maioria dos caminhos de cuidado do cidadão. Essa realidade atual contrasta drasticamente com o cenário de quase 60 anos atrás, quando Drauzio se formou.
“Naquela época, o ensino médico era extremamente restrito: existiam apenas quatro faculdades de medicina em todo o estado de São Paulo (USP, Escola Paulista, Ribeirão Preto e PUC Sorocaba). O estado inteiro formava apenas cerca de 460 médicos por ano, um número ínfimo perto das 89 faculdades que operam hoje em território paulista”, observa.
Medicina em equipe é a saída
Para Drauzio Varella, a solução para os desafios modernos da saúde brasileira reside obrigatoriamente no fortalecimento das equipes multidisciplinares, pondo fim à figura do médico isolado em seu consultório.
Ele defende que a medicina deve ser feita por grupos onde o agente comunitário, a enfermeira, o farmacêutico e o médico possuam a mesma importância no processo de cuidado.
“Eu sugiro há muito tempo que o farmacêutico tenha um papel crucial no controle de doenças crônicas, pois é quem mantém contato frequente com o paciente na ponta, podendo monitorar a pressão e o diabetes via aplicativos e alertar o médico sobre a necessidade de ajustes no tratamento”, relata.
O fortalecimento dessas equipes também passa pela valorização ética: ele critica o fato de enfermeiras com mestrado serem tratadas como “empregadas” por médicos, reiterando que o futuro exige uma colaboração técnica e humana onde cada profissional aplica sua competência específica para que o paciente encontre o melhor caminho de cura.
Crédito da foto: Emanuele Almeida/VIVA
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Entre a Clínica, a Gestão e a Tecnologia: O Futuro do Médico Generalista
“A Medicina Preventiva é fundamental para evitar que as doenças avancem.” Foi com essa afirmação que o Dr. José Mauro Secco, um dos coordenadores do painel ao lado do Dr. Jayme Malek Junior, iniciou a discussão sobre Medicina Preventiva e Social no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB.
Na primeira apresentação, o Dr. Junji Miller abordou o tema “A inteligência artificial apoiando o médico generalista”. Segundo ele, a IA aplicada à gestão se divide em duas dimensões: o conhecimento médico e o trabalho médico, conceitos distintos. “A IA não alucina com dados. Ela alucina com palavras, mas com dados raramente”, afirmou. Ele também destacou a existência de padrões visíveis e padrões ocultos, estes últimos ainda fora da plena compreensão humana.
Conforme explicou, quando um modelo de inteligência artificial gera uma informação aparentemente correta, convincente e bem estruturada, mas que é falsa ou imprecisa, ocorre o fenômeno das chamadas “alucinações”. Isso acontece porque as LLMs não armazenam fatos, mas padrões estatísticos de linguagem. Para reduzir esse problema, a qualidade do prompt é fundamental. “O óbvio para nós não é óbvio para a IA. Quanto mais a gente escreve com clareza, menos a IA vai alucinar”, disse. “O futuro não será IA versus médico, mas IA com o médico”, finalizou.
O debate seguiu com a apresentação “Médico sanitarista: entre a clínica, a gestão e a academia, as múltiplas possibilidades desta carreira”, conduzida pelo Dr. Adalto Pontes. Ele iniciou explicando que o médico sanitarista tem como foco central a coletividade, e não apenas o indivíduo. “Somos o estranho no ninho, a ovelha negra, mas com o tempo explicamos a nossa atuação”, afirmou.
Para contextualizar a importância da especialidade, citou nomes como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Emílio Ribas, Vital Brazil, Nise da Silveira e Zilda Arns, destacando que muitos desses profissionais foram fundamentais para a construção da saúde pública no Brasil. “Muita gente não sabe o que os sanitaristas fazem, mas eles não são apenas conhecidos, são reconhecidos pelos seus feitos”, disse. Segundo ele, a atuação do médico sanitarista envolve atenção primária à saúde, medicina clínica preventiva, ensino e pesquisa.
“Hoje somos 1.637 médicos sanitaristas no Brasil, representando cerca de 0,3% dos especialistas. No entanto, estimativas apontam a necessidade de cerca de 50 mil profissionais, podendo chegar a 75 mil em um cenário ideal”, destacou. “Uma especialidade com sólidas bases históricas e um futuro desafiador e encorajador”, concluiu.
Em seguida, o Dr. Sérgio Antônio da Silveira Júnior apresentou a palestra “Decidir bem também é auditar: o novo papel do médico generalista na era da complexidade”. Ele destacou que o médico generalista enfrenta hoje uma sobrecarga de informações e uma intensa pressão por resultados nem sempre facilmente alcançáveis. “Fica a questão: quem é o auditor do sistema de saúde?”, provocou.
Segundo ele, nesse novo cenário, o próprio médico assume esse papel de auditor ao tomar decisões clínicas sob diferentes pressões. Entre elas, citou a pressão do paciente, muitas vezes já influenciado pela automedicação; a pressão da tecnologia, especialmente na indicação de exames; o fascínio do excesso, com solicitações de investigações desnecessárias; e a fragmentação do cuidado, quando o paciente circula entre múltiplos especialistas.
“Enfim, o primeiro auditor do sistema de saúde está sentado diante do paciente e toma decisões todos os dias”, concluiu.
O 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB reforçou o papel central do médico generalista como eixo estruturante do sistema de saúde, evidenciando sua atuação na prevenção, na coordenação do cuidado e na tomada de decisão clínica em cenários cada vez mais complexos. Nesse contexto, o médico generalista surge como protagonista na integração do cuidado.
Telemedicina deve ser usada para organizar jornadas e ampliar acesso, defendem especialistas

Na manhã do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, o painel “Telemedicina e telessaúde: como avaliar efetividade?” discutiu os avanços e limites da assistência remota na atenção primária, nas especialidades médicas e no ambiente hospitalar. A atividade foi coordenada pela Dra. Ana Claudia Pinto, mestre e doutora, fundadora da startup Find AI.
Ao abrir a mesa, Ana Claudia apresentou os convidados: Dr. Carlos Pedrotti, presidente do Conselho de Administração da Saúde Digital Brasil; do Dr. André Cassias, gerente médico de Cuidados Integrados da Saúde Digital Grupo Fleury; e do Dr. Rogério Carvalho, gerente médico e de desenvolvimento institucional do Hospital Infantil Sabará.


Durante a discussão, os especialistas defenderam que a telemedicina não deve ser tratada como uma solução isolada, mas como parte de uma jornada assistencial bem estruturada. O modelo, segundo eles, pode ampliar o acesso, fortalecer a atenção primária como porta de entrada, apoiar a atuação de especialistas em regiões com menor oferta médica e reduzir deslocamentos desnecessários, especialmente em pacientes com maior complexidade.
Para André Cassias, a ferramenta ajuda a resgatar o vínculo entre médico, equipe de saúde e paciente. “Com essa ferramenta superpotente que é a telemedicina, a gente consegue acompanhar o nosso paciente à distância, aquele paciente que a gente quer ter um vínculo, uma proximidade, e consegue fazer uma porta de entrada em qualquer situação que ele tenha”, afirmou.
Já Carlos Pedrotti reforçou que a efetividade depende da clareza sobre o problema que se pretende resolver. “Telemedicina é uma solução logística. Toda vez que você pensar em telemedicina como uma solução, você tem que pensar o que ela está resolvendo. É um problema logístico ou não? Se não for, não vai funcionar”, disse.
Os debatedores também alertaram para riscos do uso inadequado da assistência remota, como acesso direto ao especialista sem triagem, baixa resolutividade, excesso de exames e falta de integração com a jornada do paciente. Como alternativa, destacaram modelos como a teleinterconsulta, em que o médico da atenção primária participa da discussão com o especialista e mantém a coordenação do cuidado.
No ambiente hospitalar, Rogério Carvalho destacou o uso da telessaúde no acompanhamento de crianças com condições crônicas complexas, desde a triagem até o monitoramento. “Presencial quando necessário e por telessaúde sempre que possível”, afirmou. Para ele, o foco não deve estar apenas na consulta remota, mas na solução assistencial oferecida ao paciente.
Ao final, os participantes reforçaram que a efetividade da telemedicina depende de fluxos definidos, segurança, documentação adequada, integração entre equipes e indicação clínica bem estabelecida. Encerrando o painel, Ana Claudia Pinto sintetizou a discussão: “Isso é uma forma da gente viabilizar o melhor cuidado para o nosso paciente, na conveniência dele, mas protegendo o paciente de eventuais riscos de um uso indevido dessas tecnologias”.
Protocolos e integração de equipes fortalecem atendimento às emergências cirúrgicas

A adoção de protocolos baseados em evidências e a atuação integrada das equipes de saúde foram os principais pontos abordados durante o painel sobre Emergências Cirúrgicas, realizado no segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral, pela Associação Médica Brasileira (AMB). A atividade foi coordenada pelo Dr. Flávio Daniel Saavedra Tomasich, presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e titular da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), e pelo Dr. Luiz Carlos Von Bahten, diretor de Comunicação da Associação Médica Brasileira (AMB) e diretor de Capacitação e Desenvolvimento do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).
Em sua apresentação sobre atendimento ao politraumatizado, Von Bahten destacou que o controle precoce das hemorragias continua sendo uma das medidas mais importantes para reduzir mortes evitáveis em pacientes vítimas de trauma. O especialista defendeu a aplicação protocolo ABCDE, que orienta a avaliação rápida e sistematizada das vias aéreas, ventilação, circulação, estado neurológico e identificação de lesões.
O cirurgião ressaltou ainda a importância da cirurgia de controle de danos em pacientes graves e da integração entre emergência, cirurgia, anestesia, ortopedia, radiologia e terapia intensiva.
O manejo do abdômen agudo cirúrgico não traumático foi abordado pelo Dr. Paulo Roberto Corsi, vice-presidente do CBC e governador do Capítulo Brasil do Colégio Americano de Cirurgiões, que comentou sobre a importância da avaliação clínica criteriosa e da tomografia computadorizada como ferramenta essencial para o diagnóstico e definição da conduta terapêutica.
Já o Dr. Edivaldo Massazo Utiyama, membro do CBC e diretor técnico de Saúde II da Divisão de Clínica Cirúrgica III do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, alertou para o risco das lesões ocultas em pacientes aparentemente estáveis. O especialista chamou atenção para sinais de alerta relacionados ao mecanismo do trauma e reforçou que a tomografia com contraste permanece como exame de referência nos pacientes estáveis.
A reposição volêmica em cirurgia foi tema abordado pelo Dr. Pedro Eder Portari Filho, ex-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e professor adjunto de Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). O especialista ressaltou que a fluidoterapia deve ser individualizada, considerando as condições clínicas do paciente, o porte cirúrgico e o tipo de solução utilizada.
Ele observou que tanto a hidratação insuficiente quanto o excesso de fluidos podem gerar complicações no período perioperatório. A utilização de protocolos assistenciais, associada ao manejo adequado do estado nutricional e da permeabilidade vascular, foi apontada como estratégia para melhores resultados clínicos.
O debate de encerramento contou com a participação do Dr. Luiz Gustavo de Oliveira e Silva, secretário-geral do CBC. Os especialistas defenderam que a padronização dos atendimentos fortalece a segurança do paciente, reduz variações de conduta e contribui para decisões mais rápidas e eficientes em situações críticas.

Integridade Profissional: O Papel do Julgamento Ético Disciplinar

Durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), o painel “Julgamento Processo Ético-Disciplinar” reuniu especialistas para discutir os limites éticos da prática médica, especialmente diante do avanço das redes sociais e das novas formas de divulgação profissional. Coordenada pelo Dr. Jurandir Marcondes Ribas Filho, a sessão contou com o Dr. Leonardo Emílio da Silva como relator e com a participação dos debatedores Dr. Flávio Daniel Saavedra Tomasich, Dr. Luiz Carlos Von Bahten, Dra. Tereza Cristina de Brito Azevedo e Dr. Paulo Roberto Corsi.
Logo no início do debate, o Dr. Leonardo provocou a plateia ao questionar o conhecimento dos participantes sobre o Código de Ética Médica e o Código de Ética do Estudante de Medicina, destacando a importância desses documentos na prática profissional. Em seguida, apresentou o papel da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (CCODAME) e introduziu um caso fictício para orientar a discussão.
O cenário hipotético envolvia um médico sem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) que utilizava redes sociais para se apresentar como especialista. A partir disso, o debate se concentrou na possibilidade de caracterização de infração ética, uma vez que a ausência do registro levantava dúvidas sobre a possibilidade ou não da divulgação profissional.
O Dr. Jurandir explicou que o sistema de certificação de especialidades no país envolve atualmente 55 sociedades médicas e 64 áreas de atuação reconhecidas para registro de RQE. “As áreas de atuação, associadas aos processos de certificação e concursos, também permitem a obtenção do RQE”, afirmou.
Na sequência, o Dr. Flávio destacou o papel da CODAME não apenas como órgão fiscalizador, mas também orientador. Segundo ele, a Comissão atua na prevenção de irregularidades e na adequação das condutas profissionais. “O termo de ajuste de conduta não é uma penalidade. É um instrumento de correção, no qual o médico se compromete a adequar sua atuação”, explicou.
O relator complementou que, após a assinatura do termo, há um prazo médio de 90 dias para reavaliação do caso. “Se o ajuste não for cumprido, pode ser instaurado um processo ético-profissional”, afirmou o Dr. Leonardo.
Para o Dr. Paulo Roberto Corsi, no entanto, o prazo pode ser insuficiente em determinadas situações. Ele ponderou que ajustes em redes sociais podem ser realizados rapidamente e que a manutenção de irregularidades após notificação agrava a conduta. “Em alguns casos, mesmo após o termo assinado, o profissional continua ampliando sua exposição sem corrigir as falhas apontadas”, observou.
A Dra. Tereza Cristina chamou atenção para os riscos da exposição excessiva na internet e para a necessidade de rigor na forma como o médico se apresenta ao público. Ela relatou situações em que pacientes foram reconhecidos em publicações aparentemente protegidas e alertou para o uso indevido de títulos profissionais. “Já me deparei com casos de clínicos gerais se apresentando como especialistas sem a devida qualificação”, disse.
O Dr. Leonardo reforçou ainda que a responsabilidade sobre o conteúdo divulgado é sempre do médico, independentemente de quem produza o material. “Mesmo quando há apoio de profissionais de comunicação ou marketing, a responsabilidade final é do médico”, afirmou.
Ao retomar o caso apresentado, o relator expôs argumentos utilizados pela defesa do caso, tais como como liberdade de expressão, consentimento de pacientes, concorrência de mercado e estratégias de marketing. O debate avançou para o conceito de sensacionalismo na medicina, com o Dr. Luiz Carlos Von Bahten fazendo uma analogia histórica. “Na Idade Média existia a panaceia, que prometia curar todos os males. Isso também representa uma forma de sensacionalismo, pois oferecia algo que não existia”, afirmou.
Ao fim, foi apresentado que “A publicidade médica existe para informar”, porém, quando passa a seduzir, prometer, vender ilusões ou explorar a vulnerabilidade humana, ela deixa de ser comunicação médica e passa a ser mercantilização da saúde. “É exatamente neste momento que surge a necessidade da atuação dos Conselhos de Medicina”, concluiu Dr. Leonardo.
Mesa aborda diarreia aguda, obesidade infantil e infecção urinária na prática do consultório

Na manhã do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a mesa “Práticas no dia a dia do consultório” reuniu especialistas para discutir condições frequentes na rotina de atendimento pediátrico: diarreia aguda, obesidade e infecção urinária.
A atividade foi coordenada pela Dra. Luciana Rodrigues Silva, 1ª vice-presidente da AMB, que deu as boas-vindas aos participantes. “Sejam todos muito bem-vindos ao segundo dia do congresso. Esperamos que este seja um período enriquecedor, de muito aprendizado, troca de experiências e atualização para a prática médica”, afirmou.
A primeira palestra foi conduzida pela Dra. Ana Cristina Fontenele Soares, médica doutora assistente em Gastroenterologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A especialista abordou a avaliação clínica dos quadros diarreicos, a importância da hidratação e o cuidado na indicação de exames e medicamentos.
Durante a apresentação, a médica reforçou que a condução da diarreia aguda deve começar pela avaliação da gravidade do quadro e pela prevenção da desidratação. Ao abordar o tratamento, Ana Cristina Fontenele Soares destacou que as medidas de suporte seguem como base do cuidado, mas que algumas terapias podem ser consideradas conforme a indicação clínica. “O manejo pode incluir reposição adequada, uso de zinco, antibióticos quando indicados e outras estratégias de suporte, sempre avaliando a gravidade do quadro e o perfil do paciente”, afirmou.
Na sequência, a Dra. Fabíola Isabel Suano de Souza, professora do Departamento de Pediatria da Unifesp/EPM e da Faculdade de Medicina do ABC, chamou atenção para o crescimento da prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes, inclusive em países não desenvolvidos, e reforçou que o tema precisa ser enfrentado sem estigmatização. “Vale lembrar que a obesidade não é uma escolha do indivíduo e não é uma escolha da família. Ela está no contexto”, afirmou.
A médica explicou que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e heterogênea, influenciada por componentes neurobiológicos, ambientais, familiares, sociais e comerciais. Segundo ela, o cuidado não deve se limitar à perda de peso ou à melhora do IMC, mas considerar as diversas camadas que impactam a vida da criança, como família, escola, comunidade, políticas públicas e ambiente alimentar. “Diagnosticar cedo, acolher sem estigma, intervir precocemente e cuidar longitudinalmente é um processo que cabe para todos nós”, reforçou Fabíola Suano.
O terceiro tema foi apresentado pelo Dr. Olberes Vitor Braga de Andrade, professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Na palestra, o especialista discute quando suspeitar do diagnóstico de infecção urinária, como coletar adequadamente os exames e quais critérios devem orientar o início do tratamento antimicrobiano.
Segundo o médico, a infecção urinária é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância e pode ter impacto importante, especialmente quando há recorrência, malformações renais ou risco de cicatriz renal. Por isso, ele defendeu atenção especial aos sinais clínicos, à idade da criança, ao histórico prévio e aos fatores de risco. “O diagnóstico preciso e a coleta adequada da urina é decisivo para evitar falso positivo e uso desnecessário de antibióticos”, afirmou.
A mesa reforçou que quadros comuns no consultório exigem avaliação cuidadosa e condutas individualizadas. No manejo da diarreia aguda, hidratação e identificação de gravidade são centrais. Na obesidade, o cuidado deve ser precoce, longitudinal e livre de estigma. Já na infecção urinária, diagnóstico preciso, coleta adequada e uso racional de antimicrobianos são fundamentais para proteger a criança e evitar complicações.

Integridade Profissional: O Papel do Julgamento Ético Disciplinar

Durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), o painel “Julgamento Processo Ético-Disciplinar” reuniu especialistas para discutir os limites éticos da prática médica, especialmente diante do avanço das redes sociais e das novas formas de divulgação profissional. Coordenada pelo Dr. Jurandir Marcondes Ribas Filho, a sessão contou com o Dr. Leonardo Emílio da Silva como relator e com a participação dos debatedores Dr. Flávio Daniel Saavedra Tomasich, Dr. Luiz Carlos Von Bahten, Dra. Tereza Cristina de Brito Azevedo e Dr. Paulo Roberto Corsi.
Logo no início do debate, o Dr. Leonardo provocou a plateia ao questionar o conhecimento dos participantes sobre o Código de Ética Médica e o Código de Ética do Estudante de Medicina, destacando a importância desses documentos na prática profissional. Em seguida, apresentou o papel da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (CCODAME) e introduziu um caso fictício para orientar a discussão.
O cenário hipotético envolvia um médico sem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) que utilizava redes sociais para se apresentar como especialista. A partir disso, o debate se concentrou na possibilidade de caracterização de infração ética, uma vez que a ausência do registro levantava dúvidas sobre a possibilidade ou não da divulgação profissional.
O Dr. Jurandir explicou que o sistema de certificação de especialidades no país envolve atualmente 55 sociedades médicas e 64 áreas de atuação reconhecidas para registro de RQE. “As áreas de atuação, associadas aos processos de certificação e concursos, também permitem a obtenção do RQE”, afirmou.
Na sequência, o Dr. Flávio destacou o papel da CODAME não apenas como órgão fiscalizador, mas também orientador. Segundo ele, a Comissão atua na prevenção de irregularidades e na adequação das condutas profissionais. “O termo de ajuste de conduta não é uma penalidade. É um instrumento de correção, no qual o médico se compromete a adequar sua atuação”, explicou.
O relator complementou que, após a assinatura do termo, há um prazo médio de 90 dias para reavaliação do caso. “Se o ajuste não for cumprido, pode ser instaurado um processo ético-profissional”, afirmou o Dr. Leonardo.
Para o Dr. Paulo Roberto Corsi, no entanto, o prazo pode ser insuficiente em determinadas situações. Ele ponderou que ajustes em redes sociais podem ser realizados rapidamente e que a manutenção de irregularidades após notificação agrava a conduta. “Em alguns casos, mesmo após o termo assinado, o profissional continua ampliando sua exposição sem corrigir as falhas apontadas”, observou.
A Dra. Tereza Cristina chamou atenção para os riscos da exposição excessiva na internet e para a necessidade de rigor na forma como o médico se apresenta ao público. Ela relatou situações em que pacientes foram reconhecidos em publicações aparentemente protegidas e alertou para o uso indevido de títulos profissionais. “Já me deparei com casos de clínicos gerais se apresentando como especialistas sem a devida qualificação”, disse.
O Dr. Leonardo reforçou ainda que a responsabilidade sobre o conteúdo divulgado é sempre do médico, independentemente de quem produza o material. “Mesmo quando há apoio de profissionais de comunicação ou marketing, a responsabilidade final é do médico”, afirmou.
Ao retomar o caso apresentado, o relator expôs argumentos utilizados pela defesa do caso, tais como como liberdade de expressão, consentimento de pacientes, concorrência de mercado e estratégias de marketing. O debate avançou para o conceito de sensacionalismo na medicina, com o Dr. Luiz Carlos Von Bahten fazendo uma analogia histórica. “Na Idade Média existia a panaceia, que prometia curar todos os males. Isso também representa uma forma de sensacionalismo, pois oferecia algo que não existia”, afirmou.
Ao fim, foi apresentado que “A publicidade médica existe para informar”, porém, quando passa a seduzir, prometer, vender ilusões ou explorar a vulnerabilidade humana, ela deixa de ser comunicação médica e passa a ser mercantilização da saúde. “É exatamente neste momento que surge a necessidade da atuação dos Conselhos de Medicina”, concluiu Dr. Leonardo.
Tecnologia, IA e Saúde: Benefícios, Riscos e Responsabilidades

A transformação digital revolucionou a saúde, porém toda inovação traz tanto oportunidades quanto desafios e é justamente essa reflexão que aborda o painel “Quando a Inovação Machuca: os Efeitos Colaterais da Saúde Digital” do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB.
Coordenado pelo Dr. Eduardo Cordioli, que desde 2016 acompanha e debate os avanços da telessaúde e a adoção de novas tecnologias na medicina brasileira, o painel foi aberto com uma provocação: “Hoje estamos aqui para fazer um contraponto, para falar sobre quando a inovação machuca”.
Ao apresentar casos que evidenciam a importância do pensamento crítico diante das ferramentas de inteligência artificial, Cordioli destacou a necessidade de questionar resultados, buscar evidências adicionais e evitar aceitar como definitivas as respostas fornecidas pelos algoritmos. Segundo ele, diferenças metodológicas, especialmente relacionadas ao uso de proxies em estudos e modelos de IA, podem gerar divergências significativas nos resultados e até mesmo erros de interpretação.
A partir dessa reflexão, o coordenador deu início ao debate com os integrantes da mesa, composta pelos médicos Gustavo Meirelles, Antonio Carlos Endrigo e Lara de Sá Paiva, que discutiram os desafios, riscos e responsabilidades associados à incorporação crescente da inteligência artificial e das tecnologias digitais na prática médica.

Segundo Dr. Antonio Carlos Endrigo, quando temos acesso à tecnologia é ótima, mas não se pode deixar o senso crítico de lado. “A Inteligência Artificial é como uma droga que você vai usando e se adaptando à ela, então é preciso fazer treinamentos sem ela para saber como estão seus conhecimentos, assim saberemos o quanto ainda estamos com o raciocínio clínico que adquirimos em nossa formação médica”.
Já Dr. Gustavo Meirelles começou sua abordagem citando exemplos do uso de contatos de telefone gravados e GPS para dirigir, dizendo que hoje é comum não sabermos mais nem caminhos nem números de telefone das pessoas e esses dois exemplos, apesar de serem ótimos assim a mente tem duas preocupações a menos, mostra o quanto a tecnologia pode tomar o lugar de funções que tínhamos antigamente com a nossa memória.
Segundo Dra. Lara de Sá Paiva por mais que tenhamos um modelo de IA, temos o rigor metodológico por trás, pois há necessidade de testar como cada produto vai se comportar. Para tal, precisa ter governança clínica e critério de auditoria humana. “Precisamos de uma governança de IA para todos os indicadores de performance”.
“Um dos grandes problemas da inteligência artificial é o uso inadequado dos dados. Precisamos lembrar que os dados de saúde são protegidos pela LGPD”, alertou o Dr. Gustavo Meirelles.
Na sequência, o Dr. Eduardo Cordioli destacou a importância da originalidade e da transparência no uso da tecnologia. Como exemplo, citou os mecanismos adotados por periódicos científicos para monitorar a utilização de IA na produção de artigos. “Para publicar um artigo na Lancet, por exemplo, existem recursos capazes de identificar o nível de utilização de inteligência artificial. Quando esse percentual é muito elevado, o autor pode receber um alerta. É preciso ter muito cuidado com a questão da originalidade. Quando recebo um texto, geralmente consigo perceber se houve uso de IA ou não”, afirmou.
Cordioli também chamou a atenção para as limitações dos modelos de inteligência artificial quando aplicados a diferentes contextos epidemiológicos e culturais. “Vou citar um exemplo: ao utilizar uma ferramenta desenvolvida na Inglaterra, febre dificilmente será associada à dengue, porque dengue não faz parte da realidade inglesa”, explicou. Segundo ele, esse tipo de viés evidencia a necessidade de adaptação local dos algoritmos e de uma avaliação crítica dos resultados gerados pelas plataformas de IA.
“Precisamos embarcar nessa jornada, mas de forma criteriosa”, disse Dra Lara. “A qualidade dos dados é um dos grandes problemas que vamos enfrentar cada vez mais”, completou Dr. Endrigo.
O debate encerrou a mesma conclusão entre os participantes: a tecnologia não deve substituir o olhar clínico, mas auxiliá-lo. Dentre os destaques dos avanços, os especialistas destacaram a importância da qualidade dos dados, da governança dos sistemas e da capacitação contínua dos profissionais de saúde. Mais do que discutir tecnologia, a mesa trouxe uma reflexão sobre o futuro da medicina, mostrando que o sucesso da transformação digital dependerá da capacidade de equilibrar inovação, segurança, ética e humanização.
4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB é oficialmente aberto em São Paulo e reforça compromisso com a qualificação médica e o fortalecimento da assistência à saúde

A Associação Médica Brasileira (AMB) realizou nesta quinta-feira (11), no Distrito Anhembi, em São Paulo, a cerimônia oficial de abertura do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG 2026), um dos principais encontros nacionais voltados à atualização científica, educação médica continuada e discussão dos desafios contemporâneos da assistência à saúde no Brasil.
“Ao chegarmos à quarta edição do Congresso Brasileiro de Medicina Geral, podemos afirmar que esta iniciativa já se consolidou como um dos mais importantes encontros científicos da Medicina brasileira”, afirmou o presidente da AMB e do CBMG 2026, Dr. César Eduardo Fernandes.
O evento reúne médicos, especialistas, gestores de saúde, pesquisadores, professores e estudantes em uma programação abrangente dedicada ao aprimoramento profissional e à troca de experiências entre diferentes áreas da medicina.
A solenidade contou com a presença de autoridades da saúde pública, representantes de entidades médicas e dirigentes da AMB. Compuseram a mesa de honra o presidente da Associação Médica Brasileira e presidente do congresso, Dr. César Eduardo Fernandes; o secretário municipal da Casa Civil de São Paulo, Dr. Paulo Frange, representando o prefeito Ricardo Nunes; o coordenador da Atenção Hospitalar da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, Dr. Marcelo Antônio Negrão Gusmão, representando o secretário municipal da Saúde, Dr. Luiz Carlos Zamarco; o diretor-presidente da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), Dr. André Longo; o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. José Hiran da Silva Gallo; o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Dr. Antônio José Gonçalves; a primeira vice-presidente da AMB, Dra. Luciana Rodrigues Silva; o secretário-geral da AMB, Dr. Florisval Meinão; o diretor científico da entidade e coordenador científico do congresso, Dr. José Eduardo Lutaif Dolci e Dr. Arthur Belarmino de Amorim, 2º Vice Presidente Regional da Região Nordeste do Conselho Nacional da Secretaria Municipal da Saúde, CONASEMS, representando o Presidente do CONASEMS, Dr. Hishem Mohamed Hamides.
Durante a abertura, foi exibido o vídeo institucional em celebração aos 75 anos da Associação Médica Brasileira, destacando a trajetória da entidade na defesa da medicina, da ética profissional e da qualidade da assistência à população brasileira.
Em seu pronunciamento, o coordenador científico do congresso, Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, destacou a importância da programação científica construída para promover um evento aos profissionais que estão na linha de frente e lidam com as mais variadas adversidades. “Mesmo assim, a medicina brasileira continua forte e a AMB segue com a missão de defender os médicos e colocar em prática os valores da profissão médica. Produzimos conhecimentos baseados em evidências”, disse. “Defender a qualificação médica é, principalmente, defender vidas”, acrescentou. “Precisamos visualizar o futuro que queremos construir porque é para lá que devemos seguir”, finalizou.
Já o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. José Hiran da Silva Gallo, ressaltou a relevância histórica da Associação Médica Brasileira e o papel conjunto das entidades médicas na valorização da profissão e na qualificação da assistência. Em sua fala, destacou os 75 anos de atuação da AMB e reforçou a importância do congresso como espaço de fortalecimento da medicina brasileira.
“Eu participo dessa Associação Médica Brasileira como presidente do Conselho Federal de Medicina. A entidade tem 75 anos de serviços prestados ao nosso país”, afirmou. O presidente do CFM também desejou que o encontro contribua para o avanço da profissão. “Que seja um marco para o fortalecimento da nossa profissão e para a qualificação da assistência médica brasileira”, completou.
Encerrando a solenidade, o presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, enfatizou o papel estratégico da educação médica continuada diante das rápidas transformações da ciência e da prática clínica. Também destacou a importância do Congresso Brasileiro de Medicina Geral como espaço de encontro, reflexão e construção coletiva em prol da medicina brasileira e da qualidade do atendimento à população.
Ao final da cerimônia, a AMB agradeceu o apoio institucional de parceiros estratégicos, entre eles a AgSUS, o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e a Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi).
A entidade também reconheceu a contribuição dos patrocinadores, expositores e empresas parceiras que viabilizam a realização do congresso, tais como o Grupo Pleno e a TES Cenografia, na categoria Diamante; a BYD, na categoria Platinum; e, na categoria Gold, o Instituto de Educação Médica (IDOMED), os Laboratórios Lilly, Pfizer, Roche e Sanofi, o Medgrupo e a Unicred. Há, ainda, os patrocinadores das categorias Silver, Bronze e Cota Apoio, bem como aos expositores e empresas parceiras que colaboraram para o sucesso deste evento. O reconhecimento se estende à diretoria da AMB, aos presidentes das federadas, aos presidentes e representantes das sociedades de especialidade, aos professores palestrantes e, de forma muito especial, a todos os congressistas que acreditaram e abrilhantaram esta edição do CBMG 2026.
Ao declarar oficialmente aberto o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes reforçou a expectativa de que o encontro contribua para preparar os médicos para os desafios da profissão. “Que saiamos daqui ainda mais preparados para enfrentar os desafios do presente e construir o futuro que a Medicina brasileira merece e desejamos a todos um excelente congresso e uma experiência enriquecedora de aprendizado, integração e compartilhamento de conhecimento”, finaliza Dr. Cesar.

O 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral prossegue até os próximos dias com uma ampla programação científica, reunindo especialistas de referência nacional para debater temas fundamentais da prática médica contemporânea, inovação, gestão em saúde, educação médica e os desafios futuros da profissão.
Drauzio Varella pede aos médicos engajamento na luta contra o sedentarismo

O combate ao sedentarismo é um desafio para a saúde e qualidade de vida nos dias atuais. Nesta quinta-feira (11), na palestra que finalizou os trabalhos do primeiro dia do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Anhembi, em São Paulo, o médico Drauzio Varella defendeu maior compromisso dos médicos com a promoção do exercício físico perante seus pacientes.
“Não dá para passar o dia sentado, comendo tudo que oferecem. Vivemos uma epidemia de obesidade. No século 21, o sedentarismo vai matar 800 milhões de pessoas no mundo, como o tabagismo. Mas nós temos de nos movimentar, como era a vida antigamente”, disse Varella para um auditório lotado.
“Corpo humano é movimento, mas a gente passa a vida sentado. E não podemos levar a vida desse jeito. A pessoa fala que não tem tempo para a atividade física, faz um rosário de lamentações. Mas se você não consegue 30 minutos por dia para fazer exercício, você está vivendo de maneira errada. Sem o corpo com saúde, você não tem nada, e fica dando trabalho para os outros que terão de cuidar. Nós somos responsáveis pelo nosso corpo”, disse de modo enfático.
Para Varella, saúde é a coisa mais importante que existe. Cabe ao médico educar no sentido da atividade física e dieta saudável. “Tem que explicar que não se deve comer alimentos ultraprocessados, que a vitamina não serve para nada. Se a pessoa tem diabetes ou glicemia alta não pode comer doces. É preciso ter essa clareza, não se pode dizer que se pode comer doces com moderação. O doce é compulsivo e o médico não pode ser conivente com isso”, destacou.
Na exposição que durou mais de uma hora, o médico também falou sobre a maior presença da mulher entre os profissionais médicos atualmente, o que é um sinal alentador. “O predomínio da mulher é enorme na medicina hoje. Essa prevalência vai melhorar o trabalho da medicina”, defendeu. Varella citou um estudo que mostra que, na área cirúrgica, graças à presença de mulheres nessa especialidade, os dias de internação foram mais baixos, o que impacta também o custo de tratamentos, além da recuperação mais rápida do paciente.
O médico também avaliou que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma revolução no país e um exemplo para o mundo, desde que esse sistema foi criado pela Constituição, em 1988. “O SUS é um caso único. Nenhum país fez isso para uma população de 100 milhões de habitantes, e olha que nós temos mais de 200 milhões no Brasil”, disse. Ele lamentou que os brasileiros não tenham o orgulho que o SUS merece, citando que enquanto isso, na Inglaterra, a população e o governo promovem a imagem de seu sistema de saúde.

Ao lado de Varella, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, frisou que Varella é um exemplo de credibilidade, honestidade e transparência, desde que começou a ter expressão nos meios de comunicação. “Eu tive aula com ele na USP [Universidade de São Paulo] e tenho muito orgulho disso”, afirmou, e agradeceu a motivação e o entusiasmo de Varella, que é um exemplo para a classe médica, do alto de seus 83 anos de vida.

Fonte: AMB, em 12.06.2026.