A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) é referência de boa assistência aos cidadãos e orgulho de todos os médicos do país. Congrega especialistas dedicados, sempre a postos a atender, com competência, efetividade, qualidade e integralidade, os pacientes e às comunidades em postos e outros serviços de Atenção Primária em Saúde, incluindo os do Programa de Saúde da Família (PSF).
A Associação Médica Brasileira destaca, com orgulho, a SBMFC por seus 40 anos, completados em 5 de dezembro, assim como parabeniza a presidente Zeliete Zambon, pelo trabalho íntegro e respeitoso de sua gestão iniciada em 2020, e em particular os colegas especialistas de todo o país.
2ª fase do Revalida 2021 vem aí, médicos temem flexibilização do exame
A segunda fase da edição 2021 do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) será aplicada em 18 e 19 de dezembro, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Além dos aprovados na primeira etapa desta edição, a novidade é que aqueles que reprovaram nesta mesma fase em 2020 estão aptos a participar da segunda fase atual, conforme mudança na legislação do Revalida ocorrida em 2019. A atualização definiu que os candidatos podem pular a primeira fase por até duas edições consecutivas.
Em 2021, foram 11.846 inscritos no Revalida e 6.026 aprovados na primeira fase. Ou seja, 50,9% dos participantes tiveram êxito, um índice muito maior do que os 17,2% de 2020. Entre 2011 e 2017, esse número da etapa inicial flutuou entre 9% e 42%, com exceção de 2015, quando também ficou na casa dos 50%.
Desta maneira, são esperados mais de 7.300 candidatos para a segunda etapa do Revalida 2021, um crescimento exponencial, já que historicamente este número nunca foi maior do que 2.400 pessoas. Gerson Alves Pereira Júnior, membro da Câmara Temática de Educação Médica da Associação Médica Brasileira (AMB), classifica essa quantidade de candidatos como “muito alta, resultando em um problema logístico enorme, ainda mais a uma semana do Natal”.
O especialista também observa que, quando há um aumento de candidatos aprovados nesta fase, é possível inferir que a avaliação foi mais fácil. “O rigor da prova depende de um bom processo de elaboração e revisão das questões teóricas e das estações práticas e clínicas. Isso fica a cargo do Inep e dos membros selecionados para a Comissão Assessora de Formação Médica, que monta a prova. Se há tempo hábil, a prova é boa, sem dúvidas. Se o processo é atropelado, aí a prova não é bem calibrada”, explica Pereira.
Segundo o especialista, a última gestão do Inep, em 2020, ressuscitou o Revalida, que não ocorreu entre 2018 e 2019, seguindo todos os processos de elaboração no último ano. “Essa equipe foi dissolvida e houve troca entre os gestores.” Como efeito de comparação, o Revalida 2020 teve a sua primeira fase em dezembro de 2020 e a segunda em julho de 2021; enquanto o Revalida 2021 teve a sua primeira fase em setembro último e a segunda ocorrerá já neste mês de dezembro.
O Revalida
O exame começou a ser aplicado em 2011, o que ocorreu ininterruptamente até 2017. Neste período, foram 22.447 inscrições, com apenas 4.461 médicos aprovados, uma taxa média histórica de 18,4%. Em 2017, a taxa foi ainda menor, somente de 5%. Voltando a ocorrer após três anos, a edição de 2020 recebeu 15.498 inscrições – sendo que apenas 2.402 foram aprovados na primeira etapa e 1.085 na segunda.
O Revalida é feito em duas etapas. A primeira é composta de uma prova com 100 itens objetivos e 5 questões discursivas a serem resolvidas, nos campos da Clínica Médica, Cirurgia, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Medicina de Família e Comunidade e Saúde Pública. Na segunda etapa, os candidatos fazem uma prova prática, composta de 10 anamneses em uma estação clínica, com simulação de atores.
Revalida “light”
Ao longo dos últimos dois anos, sobretudo com a pandemia de Covid-19, diversas autoridades e parlamentares aventaram a possibilidade de flexibilizar o Revalida, autorizando médicos estrangeiros e/ou brasileiros graduados em faculdades estrangeiras a aturem em território brasileiro sem aprovação no exame.
A compreensão da AMB, de Federadas, Especialidades e demais entidades coirmãs, é a de que quem não se submete a comprovar sua capacitação não pode praticar a Medicina aqui ou em lugar algum do mundo.
“Qualquer médico que quiser trabalhar no Brasil será recebido de braços abertos pela AMB e, tenho certeza, pelos nossos 550 mil médicos. Só um parêntese: desde que ele se submeta às avaliações necessárias para confirmar sua capacitação e qualificação”, ressalta César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira. “Passando por exames de revalidação, se for aprovado, ótimo. Um parêntese: os exames devem ter padrão de qualidade, avaliar de fato os conhecimentos, pois na ponta final do processo estão pessoas aguardando por atendimento. Todos nós, pacientes, temos direito a assistência digna, a melhor. Será um a mais para apoiar a assistência à população. Quem for reprovado na avaliação, não está apto, portanto, não pode ser médico. Trabalhamos com vidas, é sério”.
Não há país no mundo que não exija para a prática médica em seu território a revalidação de diploma, processo que garante a qualificação profissional na área e, assim, a segurança das pessoas atendidas. No Brasil, o exame de revalidação, ainda que aplicado há vários anos, desde 2011, tem mostrado que a grande maioria dos egressos não logra aprovação.
A revalidação de diplomas para profissionais formados no exterior, sejam brasileiros ou estrangeiros, é indispensável, de acordo com as entidades médicas, para a segurança e qualidade da assistência aos pacientes. Outro fator relevante é o de que graduados em faculdades nacionais também passem por exame para comprovar que estão aptos a exercer a profissão no País.
Curitiba homenageia Clóvis Arns da Cunha
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) destacou ontem, 2 de dezembro, as relevantes contribuições do médico infectologista Clóvis Arns da Cunha, concedendo-lhe, em cerimônia solene, o título de Vulto Emérito. A homenagem é conferida às pessoas ilustres nascidas na capital do Paraná.
Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), membro do Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid_AMB, Clóvis Arns da Cunha, é chefe da Divisão de Doenças Infecciosas do Hospital Nossa Senhora das Graças, professor de Doenças Infecciosas e infectologista da Divisão de Transplante de Medula Óssea da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e médico de Doenças Infecciosas no Centro Médico São Francisco, além de ser referência em pesquisa clínica.
“Ele ainda participou como investigador principal em mais de 80 estudos clínicos internacionais em diferentes áreas da Infectologia nos últimos 25 anos, incluindo novas vacinas, novos antirretrovirais, novos antibióticos e novos antifúngicos”, destaca Marcelo Fachinello (PSC), o parlamentar que propôs a homenagem. “Suas principais áreas de atuação na Infectologia são: Antibióticos, Vacinas, HIV-Aids, infecções comunitárias, resistência bacteriana, infecções hospitalares e infecções fúngicas invasivas em pacientes imunodeprimidos. Doutor Clóvis Arns desempenhou um papel muito importante à frente da Sociedade Brasileira de Infectologia durante a pandemia. Sempre pautado na ciência e na ética médica.”
Foto: Dr. Clóvis Arns com a secretária da saúde de Curitiba, Marcia Cecilia Huçulak, após a solenidade
Testemunhos
“Ele é uma referência não só em Curitiba, [mas] no Paraná, no Brasil. Nós sabemos o quanto ele lutou [contra a Covid], quantas vidas salvou”, salienta Mauro Ignácio (DEM).
“Convivi no Hospital Nossa Senhora das Graças, por volta de cinco meses, e pude conhecer a entrega de toda equipe, comandada pelo doutor Clóvis Arns”, completa Alexandre Leprevost (Solidariedade).
A professora Josete (PT) ressalta ser fundamental para a saúde pública reconhecer a contribuição de Clóvis Arns e dos pesquisadores na pandemia, “resgatando o papel fundamental da ciência”; enquanto, Maria Leticia (PV), que também é médica, lembra que o residente da SBI mereceu mote de moção de apoio da Câmara, em março passado, por sua iniciativa, e de toda a classe médica no enfrentamento à Covid-19.
Por fim, Dalton Borba (PDT) elogia o comprometimento do médico com a ética e o bem-estar do cidadão.
Fonte: AMB, em 06.12.2021.