Uso de dados, biobancos e inteligência artificial foram outros temas debatidos no primeiro dia da reunião da WMA em São Paulo
As atividades desta quinta-feira (5) da 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas da World Medical Association (WMA) sobre a revisão da Declaração de Taipei reuniram especialistas nacionais e internacionais para discutir desafios éticos no uso de dados e materiais biológicos em saúde. O encontro, realizado em São Paulo, segue até esta sexta-feira (6).

Entre os destaques do dia esteve a palestra de Carlos Sacomani, do Conselho de Ética e Conduta da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), que abordou o tema “Uso das Amostras Clínicas Remanescentes: o que é eticamente aceitável?”. A apresentação discutiu questões como o uso de amostras remanescentes de procedimentos clínicos, situações de dispensa de consentimento e o princípio da proporcionalidade na utilização desses materiais para fins científicos.
Também participou do evento Priscila Cruzatti, especialista da indústria de healthcare da Google Cloud Brasil, com a palestra “Vinculando dados em saúde de maneira correta”, na qual destacou boas práticas para integração e governança de dados em ambientes digitais cada vez mais complexos.
Outro tema debatido foi “Dados em Saúde e IA Comercial: Responsabilidades e Linhas Vermelhas”, apresentado por representantes da Clalit Health Services, de Israel. A discussão concentrou-se nos limites éticos do uso de dados para treinamento de modelos de inteligência artificial, no acesso por fornecedores de tecnologia, na explicabilidade dos algoritmos e na responsabilização institucional.
A atuação dos comitês de ética também esteve em pauta na apresentação “O que realmente fazem os comitês de ética?”, conduzida pela Roseli Nomura, coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e coordenadora adjunta da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). Em sua exposição, destacou a necessidade de qualificação dos membros desses comitês para avaliar estudos que envolvem tecnologias avançadas, além da importância de análises técnicas prévias à avaliação ética.
O debate sobre os limites entre direito, tecnologia e dados foi aprofundado na palestra “Dilema Ético: Direito e Dados”, apresentada por Aviv Gaon, professor associado da Reichman University, em Israel. A mesa teve moderação de Luiz Vicente Rizzo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Hospital Israelita Albert Einstein.
A programação também incluiu uma sessão especial sobre perspectivas internacionais no uso de dados e biospecímenes, encerrando o dia com a palestra “Perspectivas internacionais sobre o uso de dados e biospecímenes na era da saúde digital e da inteligência artificial”, apresentada por Elodie Caboux, da International Agency for Research on Cancer (IARC), agência vinculada à Organização Mundial da Saúde.
O encontro reúne especialistas de diversos países para discutir atualizações e aprimoramentos na Declaração de Taipei, documento internacional que estabelece princípios éticos para o uso de bases de dados em saúde e biobancos, tema cada vez mais relevante diante do avanço da inteligência artificial e da medicina baseada em dados.

Urban Wiesing debate aspectos éticos da transformação de dados clínicos em dados de pesquisa em reunião da WMA

O médico e bioeticista Urban Wiesing, diretor do Instituto de Ética e História da Medicina da Universidade de Tübingen e conselheiro de ética da World Medical Association (WMA), foi um dos palestrantes da 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas da entidade, realizada nesta quinta-feira (5) e com término nesta sexta-feira (6), em São Paulo, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM).
Durante o encontro, que integra o processo internacional de revisão da Declaração de Taipei, Wiesing apresentou a palestra “Quando dados clínicos se tornam dados de pesquisa – aspectos éticos”, na qual discutiu os desafios éticos relacionados à utilização de informações coletadas no cuidado médico para fins científicos.
O especialista destacou que, com o crescimento das bases de dados em saúde e dos biobancos, torna-se cada vez mais frequente o uso secundário de dados clínicos, ou seja, informações originalmente obtidas no atendimento ao paciente sendo posteriormente utilizadas em estudos e pesquisas. Segundo ele, essa prática pode trazer benefícios importantes para o avanço do conhecimento médico, mas exige salvaguardas éticas claras.
Entre os pontos centrais da discussão, Wiesing abordou o princípio da limitação de finalidade, que estabelece que os dados coletados para determinado propósito devem ter regras claras sobre como poderão ser utilizados posteriormente. Nesse contexto, reforçou também a importância do dever de cuidado por parte de médicos, pesquisadores e instituições responsáveis pelo armazenamento e análise dessas informações.
Para o bioeticista, o desafio atual está em equilibrar o potencial científico e social do uso de grandes bases de dados com a proteção dos direitos, da privacidade e da confiança dos pacientes.
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Especialistas debatem consentimento, governança e transparência no uso de dados e biobancos em reunião da WMA

A médica Tatiane Almeida, gerente médica de laboratório clínico, dados globais e tecnologias avançadas do Hospital Israelita Albert Einstein, participou da 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas promovida pela World Medical Association (WMA), realizada em São Paulo, durante debate sobre governança, consentimento e uso de dados em saúde no contexto da revisão da Declaração de Taipei, nesta quinta-feira (5).
Em sua apresentação, Tatiane abordou desafios éticos relacionados ao uso de dados e amostras biológicas em biobancos, destacando os limites do consentimento e os riscos de uso inadequado das informações, mesmo quando dentro das normas legais.
“Mesmo dentro da legislação e do que é considerado correto, ainda existe a possibilidade de uso inadequado desses dados. Precisamos discutir como garantir que essas informações não sejam utilizadas de maneira que possa gerar discriminação ou outros efeitos negativos para os indivíduos”, afirmou.
A especialista ressaltou que o modelo tradicional de consentimento enfrenta dificuldades diante da complexidade da pesquisa contemporânea, especialmente em biobancos, onde amostras e dados podem ser utilizados para investigações científicas que ainda nem foram imaginadas no momento da coleta.
“O biobanco é hoje uma das únicas formas de permitir o uso de amostras para pesquisas futuras que ainda não sabemos exatamente quais serão. Isso é fundamental para o avanço da ciência, mas também exige que repensemos como lidamos com o consentimento e com a governança desses dados”, explicou.
Na sequência, o médico Miguel R Jorge, ex-presidente da WMA, apresentou a palestra “Transparência com participantes: usos, resultados e achados incidentais”, destacando a importância de manter os participantes informados sobre os resultados das pesquisas e eventuais descobertas relevantes para sua saúde.
“A ética em pesquisa existe fundamentalmente para proteger o participante. Por isso, é essencial garantir transparência, especialmente no compartilhamento dos resultados dos estudos e também de achados inesperados que possam surgir durante a pesquisa, pois essas informações podem ser extremamente importantes para a saúde do participante”, afirmou.
As duas sessões foram moderadas pelo diretor científico da Associação Médica Brasileira (AMB), José Eduardo Dolci, e por Leah Wapner, secretária-geral da Israeli Medical Association.
A reunião reúne especialistas internacionais para discutir princípios éticos relacionados ao uso de bases de dados de saúde e biobancos, contribuindo para o processo global de atualização da Declaração de Taipei, referência internacional na governança ética de dados em saúde.
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Dr. Paulo Menezes apresenta experiência da FMUSP sobre reutilização de dados clínicos em reunião da WMA

O professor doutor Paulo Menezes, presidente da Comissão de Pesquisa e Inovação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), participou nesta quinta-feira (5) da 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas promovida pela World Medical Association (WMA), realizada em São Paulo, que discute a revisão da Declaração de Taipei.
Durante o encontro, Menezes apresentou a palestra “Da assistência à pesquisa: como dados clínicos são reutilizados”, abordando temas como consentimento, mecanismos de governança e as expectativas dos pacientes quanto ao uso de informações obtidas no atendimento médico para fins de pesquisa.
Em sua apresentação, o professor destacou a importância de integrar o cuidado clínico à produção de conhecimento científico, sempre respeitando princípios éticos e a proteção dos pacientes.
“O meu objetivo principal nessa reunião foi trazer uma situação concreta que vivemos, algo totalmente inesperado e desconhecido, que teve um impacto social gigantesco. A instituição conseguiu reunir o cuidado aos pacientes com a produção de conhecimento necessária para aquele momento tão complexo, sempre de forma absolutamente ética”, afirmou.
Segundo Menezes, o caso apresentado demonstra como os dados obtidos na prática assistencial podem contribuir para avanços científicos relevantes quando há governança adequada e respeito aos princípios éticos.
“É um exemplo de como é importante a relação entre os dados gerados no cuidado clínico e a geração de conhecimento para a sociedade”, completou.
A reunião da WMA reúne especialistas, pesquisadores e lideranças médicas de diferentes países para discutir os desafios éticos relacionados ao uso de dados em saúde, biobancos e novas tecnologias, em um contexto marcado pelo avanço da inteligência artificial e pelo crescente volume de informações clínicas disponíveis para pesquisa.
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Mesa-redonda debate maneira correta da vinculação de dados e o papel dos comitês de ética no Brasil

A reunião da WMA contou com diversas mesas redondas, entre elas a que trouxe como principal ‘Vinculação e Integração de Dados’, moderada pelo representante do Conselho Federal (CFM)– Dr. JeanCarlo Cavalcante e pelo secretário-geral da WMA, Otmar Kloiber.
Em sua apresentação sobre o tema ‘Vinculando Dados em Saúde da Maneira Correta’, Dra. Priscila Cruzatti, especialista da Indústria de HealthCare para Google Cloud – Brasil, destacou pontos como a discussão que tem sido realizada entre pesquisadores sobre o uso do algoritmo para estudo clínico e a utilização de ferramentas privadas para o não comprometimento das pesquisas e segurança de quem participa como objeto de estudo. “O pesquisador não tem acesso aos dados individuais dos pacientes. Isso garante segurança à pesquisa e a quem faz parte do estudo.”
A coordenadora do CEP da Escola Paulista de Medicina – Unifesp – Dra. Roseli Nomura falou sobre o tema ‘O Que Realmente Fazem os Comitês de Ética’. A especialista destacou que o Brasil apresenta mais de 900 comitês de pesquisas, e nos últimos 30 anos, esses comitês possuem toda uma construção ética para análise de bancos de dados. Ela também pontuou em sua apresentação a Plataforma Brasil, que é submetida aos protocolos de ética revisados pelo CEP e possui 101 biobancos aprovados.
Dra. Roseli ainda falou sobre a importância de pesquisadores brasileiros estarem inteirados sobre o artigo 18 da Lei 14.874 – que dispõe sobre pesquisas com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Segundo a gestora, nem sempre os termos ficam claros para o participante da pesquisa.
“Não basta um consentimento qualquer ou um consentimento para tratamento clínico. O consentimento que a gente assina quando entra numa unidade de saúde para receber um tratamento de saúde, ele não é o consentimento para pesquisa. Isso está em linha com o que a LGPD e a Agência Nacional de Proteção de Dados reafirmam em seus documentos, com a importância da finalidade do consentimento. E é claro, todos nós temos que estar bem alinhados com todas as condutas, os protocolos e os preceitos éticos que norteiam a pesquisa que nós seguimos”, concluiu Namura.
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Diretor Científico da AMB, José Eduardo Dolci, destaca importância da reunião da WMA para revisão da Declaração de Taipei
A participação da Associação Médica Brasileira (AMB) na 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas promovida pela World Medical Association (WMA), realizada em São Paulo, foi destacada pelo diretor científico da entidade, Dr. José Eduardo Dolci. O encontro reúne especialistas de diferentes países para discutir aspectos éticos relacionados ao uso de dados de saúde e biobancos no contexto da revisão da Declaração de Taipei.
Segundo Dolci, a realização do encontro no Brasil reforça o protagonismo da Medicina brasileira nas discussões internacionais sobre ética e governança de dados em saúde.
“Esse evento da WMA, com a participação ativa da AMB, tem uma importância muito grande para nós, enquanto entidade e enquanto brasileiros. Aqui estão sendo discutidas atualizações em declarações importantes, como a de Taipei e a de Helsinque. Mesmo que algumas mudanças sejam pontuais, elas são relevantes e ficarão registradas como parte de um processo construído também no Brasil, em São Paulo, com a participação da AMB. Para nós, é um divisor de águas e um marco muito importante”, afirmou.
A reunião integra o processo global conduzido pela WMA para revisar e atualizar princípios éticos relacionados ao uso de bases de dados de saúde e biobancos, considerando os avanços tecnológicos recentes, como o uso crescente de inteligência artificial, análise de grandes volumes de dados e novas formas de compartilhamento de informações médicas.
Dolci também atuará às 14 horas, como moderador da Mesa 3, dedicada ao tema: Consentimento, transparência e responsabilização no uso de dados em saúde, ao lado da Dra. Leah Wapner, secretária-geral da Israeli Medical Association.
O encontro reúne médicos, pesquisadores, especialistas em ética, representantes de instituições acadêmicas e organizações internacionais, com o objetivo de ampliar o debate e coletar contribuições que poderão orientar futuras atualizações da Declaração de Taipei, considerada uma das principais referências globais sobre ética no uso de dados de saúde.

(da esq.p/dir.) Andrew Spiegel, Paulo Menezes, Rami Parsa Parsi, Carlos Serrano, José Eduardo Dolci e Urban Wiesing, durante a 2ª reunião regional aberta da WMA.
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Ex-presidente da WMA, José Luiz Gomes do Amaral modera debate sobre governança de dados em saúde

O médico Dr. José Luiz Gomes do Amaral participou da 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas promovida pela World Medical Association (WMA), realizada nesta quinta-feira (5) em São Paulo, como moderador da mesa-redonda que discutiu a Distinção entre dados de assistência clínica e dados específicos de pesquisa, além das transições éticas entre essas finalidades.
Atual secretário executivo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Amaral tem trajetória destacada na liderança médica internacional, tendo sido presidente da WMA, da Associação Médica Brasileira (AMB) e atualmente é 2º vice-presidente da Associação Paulista de Medicina (APM).
A mesa contou também com a participação da médica Ramin Parsa-Parsi, da German Medical Association, especialista em ética médica e políticas de saúde. A Dra. Parsa-Parsi tem atuação destacada em temas relacionados à governança de dados em saúde e à ética em pesquisas médicas, contribuindo para discussões internacionais sobre o uso responsável de informações clínicas e científicas.
Conferência magna de Andrew Spiegel destaca papel dos pacientes na governança de dados da Declaração de Taipei

A revisão da Declaração de Taipei foi tema central da 2ª Reunião Aberta de Especialistas promovida pela World Medical Association (WMA), realizada nesta quinta-feira (5), em São Paulo. O encontro reúne lideranças médicas e especialistas internacionais para discutir os desafios éticos relacionados ao uso de dados em saúde e biobancos em um cenário marcado pela rápida transformação digital.
Um dos destaques da programação foi a conferência magna de Andrew Spiegel, presidente do conselho da World Patients Alliance, que apresentou a perspectiva dos pacientes sobre a necessidade de fortalecer a declaração diante das novas realidades tecnológicas.
Segundo Spiegel, o ecossistema de dados em saúde mudou profundamente nos últimos anos, o que exige atualização das normas éticas internacionais. “Hoje, cada vez mais dados de saúde são gerados fora dos hospitais, por meio de aplicativos, dispositivos vestíveis e serviços digitais”, afirmou.
Ele ressaltou que o compartilhamento de informações ocorre de forma muito mais ampla e globalizada, ampliando tanto as oportunidades de pesquisa quanto as preocupações com privacidade e governança. “Os dados estão sendo compartilhados de maneira mais ampla e atravessando fronteiras. Ao mesmo tempo, sistemas de inteligência artificial conseguem utilizar esses dados em larga escala”, destacou.
Para o representante dos pacientes, esse novo contexto exige regras mais robustas e transparentes. “Os dados também podem ser conectados a outros conjuntos de dados com muito mais facilidade. Por isso, precisamos fortalecer agora os princípios que garantem proteção, confiança e uso ético dessas informações”, disse.
Spiegel enfatizou ainda que a participação dos pacientes nas discussões sobre governança de dados é fundamental para garantir legitimidade e confiança no sistema de saúde. “Quando falamos de dados de saúde, estamos falando de pessoas. A confiança dos pacientes precisa estar no centro de qualquer sistema que utilize essas informações”, afirmou.
A Declaração de Taipei, adotada originalmente pela WMA, estabelece princípios éticos para a coleta, armazenamento e uso de dados de saúde e material biológico. A atualização do documento busca responder aos desafios trazidos por novas tecnologias, como inteligência artificial, plataformas digitais de saúde e o crescente volume de dados gerados fora do ambiente clínico tradicional.
O encontro em São Paulo reúne representantes de entidades médicas, especialistas em ética, pesquisadores e lideranças internacionais para contribuir com a revisão do documento, considerado uma das principais referências globais na área de ética em dados de saúde.
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World Medical Association reúne especialistas no Brasil para discutir futuro ético dos dados em saúde

A World Medical Association (WMA/Associação Médica Mundial) iniciou nesta quinta-feira (5), em São Paulo, a 2ª Reunião Aberta de Especialistas sobre a revisão da Declaração de Taipei, um dos principais marcos éticos da WMA para orientar o uso de bases de dados de saúde e biobancos para além da pesquisa científica. Com organização da Associação Médica Brasileira (AMB), o encontro segue até sexta-feira (6), e está sendo realizado na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), centro da capital paulista.
Adotada originalmente em 2002 e atualizada em 2016, Declaração de Taipei trata de temas como confidencialidade, confiança e proteção de informações sensíveis, reconhecendo que os maiores riscos à integridade dos dados muitas vezes decorrem de usos comerciais, administrativos ou políticos indevidos – e não da ciência em si. Nesse contexto, os médicos são reafirmados como guardiões responsáveis pelas informações em saúde
A abertura da reunião contou com a participação do diretor de Relações Internacionais da AMB, Dr. Carlos Serrano, e do professor de dermatologia da University of California, San Francisco (UCSF), Dr. Jack Resneck – presidente da American Medical Association (AMA) entre 2022 e 2023 e referência internacional em políticas de saúde. E também com os diretores da AMB, Dr. José Eduardo Dolci (cientfífico), Dr. Florisval Meinão (secretário-geral) e Dr. Rômulo Capello Teixeira (Cultural) e Etelvino de Souza Trindade (vice-presidente da região Centro Oeste), Dr. Bento José Bezerra (vice-presidente da região Nordeste), Dr. Paulo Toscano (vice-presidente da região Norte) bem como o presidente da APM, Dr. Antonio José Gonçalves.
Para o Dr. Carlos Serrano, a Declaração de Taipei trata de um tema fundamental para a pesquisa clínica: o uso ético dos dados de saúde e das amostras biológicas armazenadas em biobancos. Ele reforça, que o médico é o guardião dessas informações, mas o proprietário do material é sempre o paciente, o que exige grande responsabilidade na forma de armazenar, proteger e utilizar esses dados e amostras. Com os avanços acelerados da tecnologia, especialmente da inteligência artificial e das novas ferramentas de análise de dados, surgem desafios importantes que precisam ser debatidos.
“A declaração é essencial para orientar como proteger os pacientes, evitar o uso indevido dessas informações e lidar também com possíveis interesses comerciais. A participação da Associação Médica Brasileira nesse processo é muito relevante, pois a entidade reúne diversas sociedades médicas e contribui para levar essas discussões a toda a comunidade científica”, afirmou o diretor de Relações Internacionais.
Segundo o Dr. José Eduardo Dolci, este evento da WMA, realizado com a participação ativa da AMB, tem grande importância para nós e para a Medicina brasileira. “Aqui estão sendo discutidas atualizações em declarações fundamentais, como as de Taipei e Helsinque. Mesmo que algumas mudanças sejam pontuais, elas são extremamente relevantes e ficarão registradas como parte de um processo construído também no Brasil, em São Paulo, com a participação da AMB. Sem dúvida, trata-se de um marco muito importante para a nossa entidade”, afirmou Dr. Dolci.
Declaração de Taipei
O processo de revisão teve início em abril de 2025, com a criação de um grupo de trabalho específico, e busca atualizar o documento diante das profundas transformações tecnológicas em curso.
O avanço da saúde digital, da inteligência artificial, das abordagens multiômicas (que integra diferentes tipos de análises biológicas “ômicas”) e da análise de big data vem alterando significativamente a forma como dados e materiais biológicos são utilizados na assistência, na pesquisa, na saúde pública e também em ambientes comerciais.
Essas mudanças tornam cada vez mais tênues as fronteiras entre cuidado e pesquisa, além de levantarem questões éticas centrais, como consentimento, transparência, privacidade, responsabilização e equidade. A ampliação da capacidade de cruzamento e compartilhamento internacional de dados, somada à crescente comercialização de produtos baseados em informações de saúde, reforça a necessidade de diretrizes claras quanto à governança, ao interesse público e à repartição de benefícios.
Ao promover reuniões regionais de especialistas em diferentes partes do mundo, a WMA pretende ampliar a escuta e qualificar o debate global. Em São Paulo, o encontro reúne representantes da academia, de organizações não governamentais, de autoridades governamentais e demais interessados para discutir a minuta atual da Declaração e propor estratégias que fortaleçam a governança ética de bases de dados de saúde e biobancos na era da saúde digital e da inteligência artificial.
Confira a programação completa da reunião clicando aqui.

Diretores da AMB durante abertura da reunião do WMA
Medicina Baseada em Evidências

Informações do curso:
- Curso de extensão
- 4 encontros ao vivo (Zoom)
- Carga-horária: 12 horas
- Modalidade: 100% online
Datas dos encontros ao vivo: 06/04; 13/04; 20/04; 27/04.
Horário: das 19h30 às 22h.
Fonte: AMB, em 05.03.2026.