Davi Uemoto assume presidência da ABIIS com foco em fortalecer atuação técnica, representatividade e diálogo institucional
Novo presidente reforça compromisso com a defesa de políticas públicas baseadas em evidências e a ampliação da interlocução nacional e internacional do setor de dispositivos médicos

A Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS) inicia uma nova gestão com a posse de Davi Uemoto na presidência do Conselho de Administração, no dia 30 de julho. Ele, que também é diretor da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI), sucede Bruno Boldrin Bezerra e assume o cargo com o compromisso de intensificar o trabalho que vem consolidando a ABIIS como uma das principais referências técnicas e institucionais do setor de dispositivos médicos e de diagnóstico brasileiro (indústria nacional e internacional, importação e distribuição).
A proposta é fortalecer ainda mais o papel da entidade como articuladora de pautas estratégicas para a saúde, promovendo o diálogo entre o setor produtivo, os poderes públicos e a sociedade, sempre com base em dados, evidências e conhecimento técnico. “A ABIIS ocupa hoje um papel de think tank do setor, por meio da geração de conteúdo, da estruturação de dados e da construção de posicionamentos técnicos”, afirma Davi Uemoto.
Segundo ele, esse papel técnico é um dos principais diferenciais da entidade. “As publicações da ABIIS, em diversos temas, demonstram esse compromisso com o rigor técnico e com um advocacy qualificado. A Aliança, além de produzir conhecimento, também atua nos temas governamentais, promovendo uma atuação institucional baseada em dados, evidências e análises técnicas.”
Entre as prioridades da nova gestão está o fortalecimento da legitimidade institucional da ABIIS, característica que, segundo o novo presidente, decorre diretamente de sua composição. A entidade reúne associações representativas dos diferentes segmentos que compõem o setor de dispositivos médicos – entre eles diagnóstico in vitro, equipamentos médicos, dispositivos implantáveis, softwares, saúde digital e outras tecnologias inovadoras.
Para Davi Uemoto, essa diversidade é um dos maiores ativos da Aliança. “A legitimidade da ABIIS está justamente no fato de ser uma aliança formada por associações setoriais. Nosso objetivo não é substituir a atuação dessas entidades, mas atuar como um multiplicador de suas vozes, fortalecendo pautas consensuais e transversais e somando esforços para ampliar o impacto institucional do setor.”
Outro eixo prioritário será ampliar o diálogo institucional com os diferentes atores envolvidos na formulação, regulação, financiamento e utilização de tecnologias em saúde. “A ABIIS já faz isso muito bem. Nosso objetivo é promover o contato entre o setor produtivo e os poderes públicos, especialmente o Poder Legislativo e o Poder Executivo, seja como demandante de tecnologia médica, comprador, regulador ou formulador de políticas públicas. Também é fundamental ampliar o diálogo com a sociedade para que o setor de dispositivos médicos seja reconhecido como estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.”
Aumentar a interlocução internacional também fará parte da agenda. “A proposta é ampliar esse diálogo com a América Latina, com entidades da região e com associações de outras partes do mundo. Queremos traduzir os desafios que enfrentamos no Brasil para o cenário internacional e, ao mesmo tempo, trazer experiências e boas práticas que possam enriquecer o debate nacional.”
Segundo o novo presidente, acompanhar tendências globais, modelos regulatórios e experiências internacionais contribuirá para fortalecer o ambiente de inovação em saúde e qualificar ainda mais as discussões sobre o futuro do setor no país.
Diretor: André Gaban (ADVAMED)
A saúde suplementar precisa de menos confronto e mais diálogo
Por Ronaldo Sampaio, presidente Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI)

The concept of mediation, helping to resolve disputes, conflicts.
Toda cadeia produtiva saudável depende de confiança. Quando essa confiança se rompe, surgem custos invisíveis, insegurança jurídica, perda de eficiência e desperdício de recursos. Na saúde suplementar brasileira, infelizmente, convivemos há anos com um cenário em que relações comerciais muitas vezes são substituídas por relações de conflito.
Retenções de faturamento, glosas sem justificativa técnica consistente, atrasos recorrentes nos pagamentos e crescente inadimplência deixaram de ser episódios isolados para se transformar em parte da rotina das empresas que fornecem produtos para saúde. O problema deixou de ser operacional. Tornou-se estrutural.
É justamente por isso que considero tão importante a criação de espaços de diálogo entre operadoras, hospitais, fornecedores, indústria, entidades representativas e órgãos reguladores. Nenhum segmento conseguirá, sozinho, resolver um problema que afeta toda a cadeia assistencial.
A ABRAIDI acompanha essa realidade há quase uma década. Desde 2017 realizamos um levantamento anual que mede as principais distorções existentes nas relações comerciais do setor. Os números mais recentes mostram que o problema atingiu um patamar sem precedentes. A pesquisa identificou R$ 5,787 bilhões em pagamentos pendentes ou não realizados. É o maior valor da série histórica. Desse total, R$ 2,077 bilhões correspondem à retenção de faturamento, situação em que uma cirurgia previamente autorizada é realizada, o produto é entregue, mas o fornecedor sequer recebe autorização para emitir a nota fiscal e iniciar o processo de cobrança. Em média, as empresas aguardam 170 dias apenas para poder faturar. Há ainda R$ 167,17 milhões em glosas consideradas injustificadas, nas quais pagamentos são contestados mesmo após autorizações previamente concedidas, além de R$ 3,543 bilhões em inadimplência.
Esses números não representam apenas dificuldades financeiras para empresas. Eles revelam um modelo de relacionamento que perdeu equilíbrio. Quando fornecedores deixam de receber pelo que efetivamente entregaram, precisam buscar crédito para manter suas operações. Hoje, 64% das empresas associadas recorreram a empréstimos bancários para cumprir suas obrigações financeiras, enquanto cerca de 36% do faturamento encontra-se comprometido pelas distorções existentes. São recursos que deixam de ser investidos em inovação, treinamento, qualificação profissional, ampliação de estoques e incorporação de novas tecnologias que poderiam beneficiar diretamente pacientes e profissionais de saúde.
Ao mesmo tempo, o mercado passou por uma transformação significativa. A concentração de compradores aumentou seu poder de negociação, enquanto fornecedores convivem com margens cada vez menores, prazos mais extensos e crescente transferência de responsabilidades financeiras, tributárias e assistenciais.
Nenhum ambiente econômico consegue prosperar indefinidamente sob condições tão assimétricas.
A saúde suplementar enfrenta desafios complexos. Operadoras lidam com inflação médica crescente, envelhecimento populacional e aumento da demanda por procedimentos. Hospitais também enfrentam pressões financeiras importantes. Fabricantes convivem com oscilações cambiais e custos globais. Distribuidores precisam garantir disponibilidade permanente de produtos essenciais. Justamente por isso, a saída não está no agravamento dos conflitos, mas na construção de mecanismos permanentes de diálogo.
É nesse contexto que iniciativas como o Instituto Consenso ganham importância. Seu maior mérito talvez não seja produzir respostas imediatas, mas criar um ambiente onde diferentes perspectivas possam ser ouvidas, compreendidas e transformadas em soluções compartilhadas. A ABRAIDI acredita profundamente nesse caminho. Nosso papel não é apenas representar empresas associadas, mas produzir informações confiáveis, levar dados concretos aos órgãos reguladores, incentivar boas práticas, estimular maior previsibilidade nas relações comerciais e contribuir para que o setor evolua de forma sustentável. Uma cadeia de suprimentos sólida interessa a todos: hospitais, operadoras, profissionais de saúde, fabricantes, distribuidores e gestores públicos.
Frequentemente discutimos quem compra, quem vende, quem paga e quem recebe. No entanto, existe uma verdade simples que precisa permanecer no centro de qualquer debate: a verdadeira fonte pagadora da saúde suplementar brasileira é o paciente. É o cidadão que paga mensalmente seu plano de saúde. É a empresa que oferece esse benefício aos seus colaboradores. É a família que destina parte significativa de sua renda para ter acesso à assistência privada. É esse consumidor quem financia toda a cadeia. Fortalecer o diálogo, construir consensos e promover relações mais transparentes não é apenas uma agenda empresarial. É um compromisso com a sustentabilidade da saúde suplementar e, principalmente, com as milhões de pessoas que tornam esse sistema possível todos os dias.
Fonte: Abraidi, em 30.07.2026.