Visita institucional à Fenin em Madrid reforça agenda comum para o setor de tecnologia em saúde

O diretor executivo da ABRAIDI, Davi Uemoto, realizou em 14 de maio uma visita institucional à sede da Federação Espanhola de Empresas de Tecnologia Sanitária (Fenin), em Madri, Espanha, entidade que representa a indústria de tecnologia em saúde no país. Ele conheceu a estrutura da Fenin, que se destaca pela organização institucional e governança robusta, contando com cerca de 30 colaboradores dedicados às atividades de representação do setor.
A agenda na Federação incluiu uma reunião com lideranças da entidade e representantes de diferentes nações ibero-americanas, na qual foram compartilhados os principais desafios enfrentados pelos mercados de tecnologia em saúde. “Entre os temas debatidos, ganhou destaque a convergência entre os países na necessidade de avançar em uma agenda de compras baseadas em valor, indo além da lógica centrada exclusivamente em preço, de forma a reconhecer e valorizar a importância da tecnologia médica de alta complexidade nos sistemas de saúde”, contextualizou Davi Uemoto.
O diretor executivo contou que foram discutidos pontos considerados estratégicos para o setor, como o fortalecimento da agenda de integridade, a ampliação das iniciativas de saúde digital, incluindo proteção de dados pessoais, inteligência artificial e interoperabilidade de sistemas, além da importância de iniciativas de comunicação voltadas à sociedade, reforçando o impacto da tecnologia médica na assistência e na vida dos pacientes. “Exemplifique com a campanha que fizemos no Brasil: ‘Produtos para a Saúde, Cuidando de Você’, que buscou ampliar a conscientização sobre o papel dos dispositivos médicos”, lembrou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de ampliar o intercâmbio de informações entre os países, especialmente no que se refere às oportunidades de importação e exportação de produtos, facilitando o relacionamento entre distribuidores interessados em importar tecnologias da Espanha e fabricantes com interesse em acessar novos mercados. A visita reforçou o alinhamento entre as entidades e o compromisso conjunto de fortalecer a cooperação internacional no setor de tecnologia em saúde.
Davi Uemoto viajou à Espanha a convite da própria Fenin e também participou da CITECSA 2026 (I Cumbre Iberoamericana de la Industria de Tecnología Sanitaria), realizada nos dias 13 e 14 de maio, em Madri. O evento reuniu lideranças e representantes da indústria de tecnologia em saúde de diversos países ibero-americanos para discutir os desafios e o futuro do setor.
Fortalecer a Conitec é fortalecer a sustentabilidade do SUS

Por José Márcio Cerqueira Gomes, presidente executivo da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS)
Garantir acesso a inovações em saúde no Brasil passa, necessariamente, por decisões técnicas sólidas. Dito isso, mais do que propor novos modelos, é fundamental reconhecer e fortalecer os instrumentos que já estruturam essas decisões no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre eles, destaco a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), responsável por assessorar o Ministério da Saúde nos processos de incorporação, exclusão ou alteração de recursos terapêuticos e diagnósticos. Trata-se de um dos principais mecanismos de apoio à tomada de decisão, estruturado com base em critérios técnicos e alinhado às demandas de um modelo universal. Sua atuação envolve desafios complexos, especialmente diante da dimensão do SUS e das limitações orçamentárias.
Ao longo de mais de uma década, a Conitec consolidou um modelo de avaliação abrangente, que inclui medicamentos, dispositivos médicos (como próteses, implantes, equipamentos e testes diagnósticos), além de procedimentos e diretrizes clínicas. Suas análises consideram evidências científicas, custo-efetividade e impacto orçamentário, elementos fundamentais para equilibrar o acesso à inovação com a sustentabilidade do sistema.
Esse modelo tem gerado resultados consistentes. Nos últimos anos, houve ampliação na incorporação de novas soluções com base em critérios técnicos rigorosos, contribuindo para decisões mais equilibradas entre acesso e responsabilidade fiscal. As recomendações da Comissão também têm servido de referência para políticas públicas e decisões judiciais, aumentando a previsibilidade e a coerência no sistema de saúde.
Mais recentemente, o processo passou por avanços relevantes. A ampliação da participação social, com maior envolvimento de pacientes, e o fortalecimento da transparência reforçaram a legitimidade das decisões. Esses aprimoramentos consolidam a Conitec como um espaço técnico, plural e orientado pelo interesse público.
A experiência acumulada demonstra que a avaliação de novos produtos exige mecanismos especializados, capazes de lidar com diferentes tipos de evidência e com os desafios próprios de um sistema público de grande escala. Por isso, propostas que buscam substituir ou redesenhar esse modelo não se mostram o caminho mais adequado.
O Brasil já dispõe de uma estrutura que pode, e deve, ser continuamente aprimorada. Isso passa por ampliar a capacidade técnica, garantir maior previsibilidade nos processos e fortalecer a participação social. Aperfeiçoar, no entanto, não significa alterar a essência de um modelo que vem funcionando.
A Conitec é parte central dessa construção e o país precisa fortalecê-la. Isso implica investir em aprimoramento contínuo, ampliar sua capacidade técnica, assegurar previsibilidade regulatória e consolidar a participação social. Fragilizar ou substituir esse modelo por uma alternativa ainda incerta pode produzir efeitos contrários aos desejados.
Fonte: Abraidi, em 15.05.2026.