
Johnson & Johnson MedTech Brasil compartilha seu case de sucesso com a implementação do uso da inteligência artificial na digitalização de linhas de cuidado cirúrgicos, beneficiando pacientes e médicos
A digitalização tem sido um divisor de águas para fabricantes de dispositivos médicos. Com o avanço das tecnologias digitais, a integração de software e dispositivos eletrônicos está transformando a forma como os equipamentos são desenvolvidos e utilizados, trazendo várias oportunidades associando inteligência artificial (IA), machine learning e a conectividade de dispositivos (IoT).
De acordo com Angela Freitas, CIO da Johnson & Johnson MedTech Brasil, a inteligência artificial na saúde pode trazer inúmeros benefícios aos pacientes e aos profissionais do setor. Segundo o relatório 2024 Global Health Care Sector Outlook, só no mercado norte-americano, o uso de IA pode evitar potenciais perdas de US$ 360 milhões nos próximos cinco anos. “Na prática, o uso de recursos de IA integrados a procedimentos e dispositivos médicos já permite ampliar o diagnóstico de algumas doenças, por exemplo”, explica a CIO. “Por meio de sistemas de mapeamento e algoritmos programados para atuar no diagnóstico de determinadas patologias, a IA permite às equipes médicas maior previsibilidade de cada caso clínico, possibilitando tratamentos precoces e evitando maiores complicações. Além disso, seu uso na jornada de tratamento e na comunicação com pacientes melhora a navegação digital do paciente pelo sistema de cuidados com a saúde, permitindo tratamentos mais integrados”, diz. Em resumo, o diagnóstico precoce, a redução de complicações e o atendimento assistido de cada paciente acabam proporcionando melhores desfechos clínicos e, consequentemente, um menor custo para o sistema de saúde.
As oportunidades na implementação da digitalização no processo produtivo são visíveis no aumento da capacidade analítica das equipes médicas, no avanço dos diagnósticos precoces, na maior assertividade na escolha dos tratamentos e, sobretudo, na entrega de tratamentos e cuidados mais precisos e eficazes aos pacientes. Por outro lado, o treinamento dos profissionais de saúde é um dos principais desafios da digitalização no processo produtivo. “É preciso sempre estruturar e planejar a capacitação desses profissionais para que eles possam usufruir e utilizar esse processo digitalizado da melhor forma possível, e é por isso que reforço a importância da educação médica continuada como ferramenta para o progresso do conhecimento”, explica Angela.
A J&J MedTech Brasil tem implementado o uso da inteligência artificial na digitalização de linhas de cuidado cirúrgicos. As linhas de cuidado são uma das possibilidades de uso da IA a partir de uma abordagem coordenada e integrada à saúde, que coloca o paciente no centro. Elas garantem que cada paciente receba o cuidado certo, na hora certa e no lugar certo. Um exemplo dessa aplicação é o projeto “Jornada Digital do Paciente”, que foi desenvolvido e cocriado pela J&J MedTech Brasil em parceria com o Hospital A.C.Camargo e a startup brasileira Kidopi, com o objetivo de aumentar a adesão ao tratamento do paciente com câncer colorretal ao longo de sua jornada de cuidados.
Por meio de uma abordagem de ponta a ponta – pré, intra e pós-cirúrgica –, a IA integra dados e realiza um mapeamento de toda a jornada do paciente, ajudando-o a seguir as diretrizes propostas em busca de melhores resultados clínicos. Os insights obtidos são utilizados para analisar e corrigir rotas de tratamento e melhorar a tomada de decisões clínicas. “Com essa jornada digital no tratamento do paciente com câncer colorretal, foi possível obter uma redução de 67% de complicações no momento pós-cirúrgico e uma diminuição em 100% no número de reinternações. Os pacientes participantes tiveram 100% de engajamento à plataforma, e registraram um índice de satisfação de NPS de 83”, finaliza a CIO da J&J.
Oportunidades e desafios da verticalização e novas fusões no setor de dispositivos médicos

Fabricantes seguem a crescente tendência para manter sua competitividade, podendo reduzir custos, melhorar a qualidade do produto e otimizar processos, além de ser uma estratégia de valor para o setor
A crescente tendência de verticalização e a onda de fusões e aquisições, em que muitas empresas estão integrando suas operações com provedores de serviços de saúde, laboratórios e hospitais, tem exigido dos fabricantes de dispositivos médicos adaptações rápidas a fim de manterem a competitividade.
Afinal, tais mudanças afetam diretamente as relações de negócios entre fabricantes e distribuidores. As margens de lucro e os modelos de parcerias com instituições de saúde podem mudar nessa nova dinâmica de operações.
De acordo com Flávio Eduardo Arakaki, idealizador, fundador e atual CEO da Garza Inteligência Financeira, em um movimento de M&A (M&A é a sigla para Mergers & Acquisitions, que significa “Fusões e Aquisições” (F&A) em português), há muitas variáveis que precisam ser considerada. “Nos últimos cinco anos, tivemos mais de 500 transações de M&A no segmento de saúde, e, em termos de movimentação financeira, quase R$ 100 bilhões, de grandes consolidadores como Rede Dor, Notredame, Happy Vida e outros players que captaram muitos recursos, principalmente na Bolsa de Valores, para financiar o crescimento inorgânico, e saíram comprando diversas empresas”, pontua.
Arakaki explica ainda que o M&A pode ser um instrumento estratégico de geração de valor e que o setor de saúde, hoje, tem muita oportunidade, com muitas soluções de startups para acesso a novas tecnologias médicas e preços mais razoáveis do que há uns cinco anos, por exemplo, quando o mercado estava muito aquecido. “Há muitas oportunidades de fusões entre empresas médias juntarem forças para, quem sabe, criarem um grupo maior, para depois ganhar musculatura e vender bem para um ecossistema maior, de grandes consolidadores, por exemplo”, diz.
O mercado de fusões e aquisições pode ser uma estratégia de valor para as empresas do setor. Há basicamente três tipos de fusões e aquisições: horizontal (atuam no mesmo mercado ou segmento), vertical (combinação de empresas em diferentes níveis, da mesma cadeia de suprimentos), e de conglomerado (de setores totalmente distintos, mas que se fundem procurando algum tipo de sinergia, seja uma busca por maior controle, eficiência ou expansão estratégica.
Ao buscar a verticalização, os fabricantes de dispositivos médicos podem reduzir custos, melhorar a qualidade do produto e garantir uma maior consistência, otimizar processos e conquistar uma melhor eficiência na produção e na logística, resultando em uma cadeia de suprimentos mais ágil e menos vulnerável a interrupções. Além disso, podem ter um melhor controle de qualidade sobre os seus produtos e investir mais em planejamento e desenvolvimento (P&D). Em contrapartida, ela também traz obstáculos, como lidar com uma série de desafios regulatórios e logísticos.
Arakaki lembra, ainda, que a combinação de verticalização e M&A pode criar uma estrutura mais robusta e eficiente para os fabricantes de dispositivos médicos e acelerar a expansão e a inovação, trazendo tanto oportunidades quanto desafios em termos de eficiência, inovação e crescimento.
Termômetro ABIMED traça um panorama das empresas de dispositivos médicos

Levantamento com as empresas associadas sobre o 1º semente de 2024 ajuda a traçar o cenário diante da Reforma Tributária, a busca pela sustentabilidade do setor e mostra uma expectativa de crescimento continuado
A ABIMED – Associação Nacional da Indústria de Tecnologia para Saúde realizou um levantamento com suas empresas associadas com o objetivo de traçar um panorama geral sobre o momento do setor de dispositivos médicos e as perspectivas para o futuro e também identificar como a Reforma Tributária pode afetar os custos de produção e distribuição de equipamentos médicos. O “Termômetro ABIMED” reuniu informações de empresas de diversas origens de capital, tamanho e modelo de negócios, incluindo 29 plantas operativas no Brasil.
Como explicaFernando Silveira Filho, Presidente-Executivo da ABIMED, considerando performance de faturamento, os resultados apontam que para 50% das empresas ouvidas, houve um crescimento entre 5% e 9,9% considerado o 1º semestre de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023. “Temos, ainda, 20% das empresas que registraram um faturamento acima de 10%; outros 10% que ficaram entre 0% e 4,9% de aumento no faturamento e, finalmente, aquelas que registraram queda entre 0,1% e 5%, que totalizam os 20% restantes do gráfico”.
O primeiro semestre de 2024 mostrou uma expectativa de crescimento continuado em relação ao mesmo período do ano passado e, ao último semestre de 2023, porém os custos setoriais apresentaram altas expressivas, com índices superiores a 5%, como aponta o levantamento – com maior ênfase aumentos entre 5 e 15% – em setores como câmbio, custos logísticos, repasses decorrentes de inflação e disponibilidade de produtos. “Se considerarmos que o setor de saúde tem apresentado sérias debilidades em sua sustentabilidade, impactos relevantes de custo em qualquer elo da cadeia não contribuem para a estabilização do quadro geral”, alerta Silveira Filho.
Considerando-se a atual conjuntura de custos, as respostas dos associados ABIMED apontam ainda para um cenário de crescimento, mas já com apontamentos de estagnação ou mesmo queda, quadro esse não verificado em nenhum momento desde 2022 quando ainda os efeitos da pandemia eram sentidos.
Quanto à regulamentação da Reforma Tributária que ainda está em tramitação no Senado Federal, o governo federal e as lideranças do setor empresarial estão engajados em buscar um consenso que favoreça tanto o crescimento econômico quanto a justiça fiscal.
A partir dessa avaliação, caso o texto final não atenda às necessidades da área da saúde e do segmento de dispositivos médicos, para 50% dos respondentes da pesquisa, a perspectiva é de provável redução dos investimentos na operação. “O mercado de dispositivos e equipamentos médicos se caracteriza por inovações em curto espaço de tempo, entre 18 e 24 meses, e quaisquer retrações indicam tendência de defasagem tecnológica”, pontua o presidente da ABIMED. “Por isso é tão importante que a Reforma Tributária avance no Senado, em relação a dispositivos e equipamentos médicos, tendo por base as premissas de alíquotas reduzidas previstas na Emenda Constitucional 132/2023, de modo que ocorra não apenas uma evolução de nosso Sistema Tributário, como também um elemento que traga segurança jurídica e, por consequência, possibilite não só a manutenção dos investimentos existentes como também que estimule novos investimentos no setor, o que só beneficiará a saúde da população”, finaliza.
Setembro Vermelho: foco na saúde do coração e o papel determinante dos dispositivos médicos

Novas tecnologias desenvolvidas pelos fabricantes permitem uma abordagem mais eficaz e personalizada para cada paciente, combinando inovação, educação e conscientização para uma vida mais saudável
A campanha “Cores pela Vida”, que no mês de setembro tem como foco a saúde do coração, não só promove a conscientização sobre tratamentos de doenças cardiovasculares, como destaca como a tecnologia está envolvida para a prevenção dos quadros clínicos.
A lei nº 14.747, de 5 de dezembro de 2023, instituiu o mês de setembro como o Mês de Conscientização sobre as doenças cardiovasculares. Essa lei prevê uma campanha de conscientização sobre: cardiopatia isquêmica, cardiopatia congênita, doenças da aorta e doenças das válvulas cardíacas.
Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, as doenças cardiovasculares acometem cerca de 14 milhões de pessoas, e afetam desproporcionalmente o estrato mais vulnerável da população, que tem grande dificuldade no acesso a cuidados de saúde de alta qualidade. Um estudo da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) apontou que 23% dos brasileiros nunca foram ao cardiologista.
Nesse cenário, os fabricantes de dispositivos médicos também têm um papel crucial ao fornecer tecnologias que ajudam no diagnóstico precoce combinando inovação, educação e conscientização para uma vida mais saudável. Novas tecnologias desenvolvidas pelos fabricantes surgem a todo o momento, tais como dispositivos de monitoramento remoto, stents de última geração e tecnologias preditivas que permitem uma abordagem mais eficaz e personalizada para cada paciente.
A Edwards Lifesciences, empresa especializada em inovações médicas para doenças cardíacas estruturais, compartilhou alguns dados sobre uma condição cada vez mais comum, que é a doença valvular cardíaca, uma preocupação crescente na Europa, em que as chances de desenvolvê-la aumentam com a idade. As estimativas sugerem que, aos 75 anos de idade, a prevalência da doença seja superior a 13%, e em 2040, 155 milhões de europeus terão mais de 65 anos, o que significa que a doença está prestes a apresentar um crescimento exponencial: ou seja, 20 milhões de pessoas com mais de 65 anos com doença valvular cardíaca. Vale lembrar que existem várias opções de tratamento para doenças valvares cardíacas. Na maioria das vezes, é necessária uma cirurgia ou um procedimento transcateter para reparar ou substituir a válvula cardíaca danificada.
Outra doença recorrente é a estenose aórtica, cuja prevalência aumenta com a idade, em que uma a cada oito pessoas com mais de 75 anos tem doença valvar moderada ou grave. À medida que a população envelhece, essa condição se torna um importante problema de saúde pública, e a única maneira eficiente de tratar a estenose aórtica grave é substituindo a válvula danificada por uma válvula protética artificial. Isso pode ser feito através da substituição da válvula aórtica cirúrgica (SAVR) ou implante da válvula aórtica transcateter (TAVI). A nova válvula pode ser uma válvula mecânica ou bioprotética, lembrando que no caso da TAVI ela é apenas biológica
Como explica a médica cardiologista intervencionista dos Hospitais Beneficência Portuguesa de São Paulo e Oswaldo Cruz, com especialização em Pesquisa clínica pela Universidade de Harvard, Fernanda Mangione, as doenças cardiovasculares são as que mais matam no Brasil, oito vezes mais que o câncer de mama, sendo o infarto e o AVC as mais frequentes. “Cerca de 80% de todas essas doenças podem ser evitadas com prevenção, com exames de rotina, atenção a fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, tabagismo, estresse, ansiedade, depressão e, sobretudo, com exames de ausculta cardíaca bem feitos, com um bom exame clínico”, orienta.
Fonte: Abimed, em 30.09.2024.