“Conectando Tecnologias, Pessoas e Saúde” foi tema marcante do Encontro, que apresentou as perspectivas do biênio 2022/2023 aos associados
Durante o Encontro Anual do Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (ABIMED), realizado em 10 de dezembro com exibição pela internet, o clima foi de otimismo com os rumos para o futuro do setor. Apesar da instabilidade provocada, em grande parte, pela pandemia de Covid-19, a Associação realizou muitas conquistas que devem ser celebradas. A apresentação do Encontro semipresencial foi de Fernando Silveira Filho, presidente executivo, e de Antonio Nasser, presidente do Conselho de Administração.
Fernando Silveira Filho deu início ao encontro dando boas-vindas a todos que acompanharam a transmissão via internet e mencionando a proposta do evento. “Temos como objetivo não só mostrar às nossas associadas a forma como se desenvolveu o trabalho ao longo do biênio 2020/2021, mas também trazer uma perspectiva de futuro. É um exercício bastante complexo, mas vamos apresentar o que entendemos, neste momento, do que pode vir a ocorrer”, disse Fernando. “Foi um desafio muito grande pensar sobre 2022 e 2023 em temas macroeconômicos e em termos políticos, porque é um período bastante dinâmico, ressaltou.
Antonio Nasser pontuou a importância em entender o que os associados e o mercado pensam, para que a ABIMED tome as decisões de modo a atender aos objetivos estratégicos. “Tivemos um biênio bastante produtivo e vamos continuar construindo, cada vez mais, uma Associação com força, para que entregue valor para todos os associados”, destacou o presidente do Conselho de Administração.
Durante o encontro foram exibidos depoimentos e palestras gravados previamente que procuraram traçar as percepções e as expectativas para o futuro. Um dos depoimentos foi do jornalista econômico Carlos Alberto Sardenberg, que comentou sobre a retomada da Economia tanto no cenário interno quanto no cenário global. Para ele, as previsões traçadas pelo mercado para a economia no Brasil não são muito animadoras para 2022. Será um ano de busca pela estabilização da inflação e da taxa Selic para que então, em 2023, seja retomado um crescimento mais consistente. Para Sardenberg, o crescimento da oferta de empregos em 2022 ainda será muito limitado pela baixa atividade econômica. Quanto à economia mundial, o ambiente é de uma volta à atividade econômica de maneira muito irregular, com uma recuperação moderada. “Será importante para o País manter os mercados de exportação, como de commodities e de alimentos, o que deve permitir algum crescimento da economia no ano que vem", ressaltou o jornalista. Segundo ele, as reformas – tributária e administrativa – essenciais para um real impulso na economia, não deverão ser realizadas em 2022.
O encontro destacou também alguns aspectos regulatórios do setor, a partir do depoimento de Cristiane Rose Jourdan Gomes, diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária-Anvisa, que abordou algumas mudanças esperadas a partir de evoluções tecnológicas, como os softwares de dispositivos médicos destinados a diagnósticos ou terapias em saúde. A inovação nesse campo é acelerada. Cristiane reafirmou o compromisso da atuação da Anvisa. “A atuação regulatória da Anvisa precisa ser eficiente, equilibrada e proporcional, assegurando o cumprimento de seu propósito sanitário, mas também permitindo a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico e social do País”, disse. Segundo ela, haverá avanços na regulamentação sobre importação, comercialização e doação de produtos para saúde usados e recondicionados, para evitar o descarte e desativação de equipamentos médicos que se encontram em boas condições em uso e manutenção em dia. Essas são algumas mudanças que trarão benefícios para as empresas do segmento, que poderão oferecer melhores produtos e serviços com racionalização de custos.
Outro depoimento foi de Paulo Rebello Filho, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde-ANS, destacou a necessidade de se conviver com demandas de saúde reprimidas, em razão da pandemia, com as novas demandas advindas da Covid-19. Para ele, a saúde suplementar possui desafios que envolvem altos custos de natureza hospitalar, além do envelhecimento da população, a alta sinistralidade ocasionada pelo impacto de doenças crônicas e o desconhecimento do perfil da população em virtude da falta de gestão de dados epidemiológicos. “Há pouco investimento em prevenção, o que causa uma assistência com foco na doença, não na saúde”, alertou. “A ANS tem buscado estimular as operadoras de planos privados de assistência à saúde a repensarem a organização do sistema de modo que seja possível sair do modelo centrado em uma doença para o modelo de atenção integral à saúde baseada em valor, com incorporação de ações de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças”, completou, pontuando ainda a necessidade de um uso mais racional das tecnologias em saúde.
Na área de tecnologia e inovação, Lucas Camara apresentou, em seu depoimento, as perspectivas do Centro Afiliado para a Quarta Revolução Industrial no Brasil (C4IR) – uma parceria público-privada entre o World Economic Forum (WEF), Governo Federal do Brasil, Governo do Estado de São Paulo e iniciativa privada. “Vemos hoje uma mudança muito forte em como as empresas estão conduzindo as novas tecnologias. E os executivos têm essa preocupação de quão rápido a tecnologia vai impactar em seus setores”, apontou. A Covid-19 acelerou esse processo em todos os setores e também no setor de Saúde. Ele mencionou alguns projetos em parceria com o setor público de Saúde que vão implementar uma jornada da transformação digital do setor público. “É um desafio, tanto do lado das empresas quando do lado do setor público, mas estamos confiantes nesse processo”, disse. Ele mencionou ainda o impacto do 5G e das soluções de inteligência artificial tanto na saúde pública como privada.
Na parte final do Encontro Anual, Fernando Silveira Filho fez uma avaliação geral do Biênio 2020/2021, destacando as principais conquistas da Associação em aspectos como inteligência regulatória, relações institucionais e governamentais, assuntos legais e & compliance, serviços às empresas associadas, comunicação e imprensa. Um dos muitos destaques mencionados por Fernando foi o lançamento da frente parlamentar para dispositivos e equipamentos médicos e tecnologia na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em que a ABIMED teve a oportunidade de apresentar os aspectos relativos ao setor. Fernando mencionou também os temas de governança que estiveram mais em evidência em relação aos aspectos contábil e financeiro, tecnologia de informação e controles internos de governança. Fernando mencionou ainda o Conselho de Administração que agora assume o biênio 2022/2023.
Em seguida, Antonio Nasser apresentou as perspectivas do Biênio 2022/2023, baseados nos Eixos Estratégicos (Sustentabilidade do Setor; Tecnologia & Inovação; Eixo Legal & Compliance; ESG-Governança/Meio Ambiente/Social; Educação). “No próximo biênio continuaremos construindo sobre nossos pilares já bastante fortes para entregar ainda mais, com iniciativas e investimentos bastante atados aos nossos objetivos estratégicos. A razão da ABIMED existir é servir e servir bem os nossos associados”, concluiu.
A apresentação detalhada do Encontro Anual ABIMED, com todos os depoimentos e informações, pode ser visto neste link: https://makeitnuvem.com.br/sgiabimed/Portal.aspx.
Frente Parlamentar de Dispositivos Médicos e Tecnologia para a Saúde é lançada com o apoio da ABIMED
Na quinta, 02 de dezembro, aconteceu na ALESP o lançamento oficial da Frente Parlamentar de Dispositivos Médicos e Tecnologia para a Saúde. Coordenada pelo Deputado Frederico d’ Avila e reunindo cerca de 20 parlamentares, a Frente foi constituída em março de 2021 para fortalecer e representar um dos mais importantes setores no Estado. A Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (ABIMED) é uma das apoiadoras do surgimento da Frente e estará representada no lançamento pelo seu presidente executivo, Fernando Silveira Filho.
Reunindo fabricantes, importadores e distribuidoras de produtos para a saúde em todo o país, o setor de dispositivos e equipamentos médicos é responsável direto pelo emprego de mais de 140 mil trabalhadores diretos e qualificados e possui mais de 60.000 (sessenta mil) itens registrados na ANVISA, segundo dados da própria agência. Porém, em razão da falta de conhecimento de todas as especificidades do setor, há o errado entendimento de que dispositivos e equipamentos médicos também fazem parte do setor de medicamentos, causando grandes prejuízos ao segmento principalmente ao tratar-se de políticas públicas.
A partir dessa realidade, buscou-se um diálogo e uma aproximação com o Poder Legislativo para que o setor tivesse maior protagonismo e representatividade dentre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP. Foi a partir desses diálogos que, conjuntamente com o Deputado Frederico d’ Avila, surgiu a ideia de constituir uma Frente Parlamentar para representar o segmento. Assim, conforme o Ato n° 13 do Presidente da ALESP, Deputado Carlão Pignatari, do dia 18 de março de 2021, foi constituída a Frente Parlamentar de Dispositivos Médicos e Tecnologias para a Saúde.
Seu principal objetivo é alinhar as especificidades e interesses do setor com as propostas e ações legislativas, trazendo e fomentando as discussões no âmbito estadual. Em pouco tempo de existência, já foi possível realizar algumas ações em prol do setor de dispositivos e equipamentos médicos. “A ABIMED e as demais entidades representativas do setor buscarão sempre contribuir, por meio da Frente Parlamentar, com o Poder Legislativo do Estado de São Paulo, na elaboração de uma legislação que permita, cada vez mais, o acesso da população do Estado a todas as tecnologias, dispositivos, equipamentos e serviços de saúde disponíveis, bem como a construção de um cenário favorável para a implantação das melhores políticas públicas de saúde para o cidadão paulista”, destaca Fernando Silveira Filho.
Congresso da Quarta Revolução Industrial
Entre os dias 30 de novembro e 1 de dezembro, aconteceu o Congresso da Quarta Revolução Industrial, evento virtual, que discutiu os avanços e desafios que a América Latina enfrenta em termos de tecnologias emergentes, e que teve o apoio da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (ABIMED), uma das fundadoras do C4IR Brasil e que tem seu presidente-executivo, Fernando Silveira Filho, na vice-presidência do Comitê Executivo do Centro. A realização do evento coube aos C4IR do Brasil e da Colômbia, além do Fórum Econômico Mundial.
Participaram do evento autoridades e ministros do Brasil e da Colômbia, acompanhados por líderes dos dois países e convidados nacionais e internacionais, para discutir os avanços e desafios que a América Latina enfrenta em termos de tecnologias emergentes. O foco foram os quatro eixos em torno da quarta revolução industrial, dialogando e refletindo sobre o impacto, os avanços e os desafios das tecnologias emergentes na América Latina.
O C4IR Brasil é uma iniciativa público-privada que tem como membros fundadores o Governo Federal do Brasil, por meio do Ministério da Economia (SEPEC), Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI); o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), e instituições da iniciativa privada, como a ABIMED, AstraZeneca, Bracell, Eletrobras, Facebook e Qualcomm.
ABIMED destacou a importância da educação continuada em evento da #FISWeek
A ABIMED participou da #FISWeek, uma série de eventos simultâneos digitais dividida em #FIS21, evento de Liderança da Saúde; #SYM21, o primeiro evento ESG (Environmental Social Governance) do setor de Saúde da América Latina, e #ComMeets21, com as empresas que impactam a saúde gerando conteúdo. A entidade ficou responsável por um painel no #ComMeets com articulistas da Nota Técnica “Os Impactos da Transformação Digital na Saúde”.
A ABIMED, que tem em seus eixos estratégicos a Educação e a Tecnologia e Inovação, foi convidada para coordenar um dos painéis da #FISWeek e, como a entidade recentemente lançou a coletânea de artigos “Nota Técnica: Os Impactos da Transformação Digital na Saúde”, selecionou como tema um dos grandes assuntos contidos no material e criou o painel “Transformação Digital na Saúde e o Desenvolvimento Profissional Contínuo”.
Moderado pelo presidente executivo da entidade, Fernando Silveira Filho, o painel contou com as articulistas Elisabete Murata, Líder de Educação para a Johnson & Johnson Medical Devices na América Latina e autora do artigo “Transformação Digital na Educação Médica”, e Andrea Nocelli, Head de Education Services na Siemens Healthineers, que escreveu “Transformação Digital na Educação Continuada de Profissionais da Saúde”.
Coluna Mulheres em Foco | Andrea Nocelli
Confira entrevista com Andrea Nocelli, Head de Education Services na Siemens Healthineers, que foi uma das articulistas da Nota Técnica ABIMED de Transformação Digital na Saúde sobre educação continuada e participou recentemente de um painel sobre o mesmo tema.
1. Conte um pouco sobre sua trajetória profissional (mini-bio)
Sempre gostei muito de estudar e tive o apoio dos meus pais, que não tiveram as mesmas oportunidades. Aos 21 anos me formei em Biomedicina, curso pelo qual me encantei enquanto pesquisava a grade curricular de diversas faculdades da área de biológicas, área essa com a qual sempre me identifiquei. A Biomedicina me permitiria atuar em um campo de interface entre biologia e saúde humana.
Na especialização em Biologia Molecular, meu projeto era focado na replicação, transcrição, tradução e biossíntese do HIV-1 e genética da resistência humana à AIDS. Parte dos meus estudos me permitiram uma proximidade com pacientes soropositivos para HIV e pacientes com diagnóstico clínico de AIDS. Isso despertou em mim o desejo, não só de atuar na área da saúde, mas também de atuar com pessoas.
Ao longo de minha jornada profissional trabalhei com análises clínicas, banco de sangue, em hospitais, laboratórios, até considerar que a experiência adquirida deveria ser compartilhada, chegando assim, à assessoria científica, cujo principal objetivo sempre foi garantir a confiança dos profissionais na liberação dos resultados dos exames dos pacientes. Nessa área fui trilhando minha trajetória profissional, sempre estudando, percorrendo os caminhos que estavam alinhados ao meu propósito de vida.
Só que a assessoria científica já não era mais suficiente, era preciso ir além, as demandas foram aumentando e se tornando mais específicas, era necessário mais que um suporte científico, era necessário viabilizar o aprendizado, proporcionar a aquisição de conhecimentos e promover as habilidades na área da saúde. E assim estou hoje, liderando um time voltado para educação na área da saúde, com, aproximadamente, 80 pessoas, gerenciando as atividades desse time, sendo responsável pelo desenvolvimento da estratégia de negócio da área e pela garantia da excelência em todos os serviços de educação, que está além de suporte e treinamento, para os clientes.
2. Quais foram os maiores desafios que enfrentou em sua trajetória profissional?
Ao longo de minha trajetória foram muitos desafios, como lidar com as prioridades, aprender com alguns erros, adquirir novas habilidades, desenvolver novas competências, mas eles fazem parte do progresso e nos trazem maturidade para que os transformemos em oportunidades. Lidar com pessoas, por exemplo, é sempre um grande desafio, mas um dos que mais me motivam. E quando o assunto é educação na área da saúde, que envolve diversas perspectivas, posso dizer que o maior desafio é transformar a cultura das pessoas e fazer com que enxerguem valor e acreditem que as mudanças dos processos e o consequente investimento em transformação digital são necessários.
3. Teve maiores dificuldades para ser aceita profissionalmente por ser mulher?
Antes não olhava e não pensava nessa questão como um dificultador, talvez, por isso, não tenha sentido maiores dificuldades. Meu foco sempre foi fazer acontecer, independente dos obstáculos. Além disso, em minha área sempre houve muitas mulheres. Entretanto, quando assumi posições de liderança foi que me dei conta que meus pares e as posições executivas, eram, em sua maioria, ocupadas por homens. Ou seja, ainda temos um caminho a ser percorrido, campanhas que valorizam e endereçam a importância de mulheres ocuparem cargos de liderança nas empresas ainda são necessárias.
4. Como você avalia a participação feminina em sua área e no setor de saúde de forma geral?
No Brasil, as mulheres são a principal força de trabalho da saúde, representando 65% dos 6 milhões de profissionais do setor, conforme o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Isso em áreas como fonoaudiologia, nutrição, serviço social, enfermagem, psicologia. Áreas, em geral, que cuidam da saúde das pessoas, habilidade que as mulheres desenvolveram ao longo da humanidade por desempenharem papeis sociais voltados para a família desde os primórdios. Mais da metade da população brasileira é formada por mulheres, porém, apenas 31% dos cargos de gerência e 13% dos cargos do quadro executivo das 500 maiores empresas de diferentes áreas do Brasil são ocupados por mulheres, segundo dados reunidos pelo guia O que o Investimento Social Privado pode fazer por Direito das Mulheres, lançado pelo GIFE em 2020. Ou seja, força feminina e direção masculina. Já evoluímos muito, mas ainda não chegamos lá, ainda há muito a ser feito.
5. Você tem algum conselho para outras mulheres que pretendem ingressar no mundo da saúde?
Primeiramente que nunca desistam de seus sonhos. Que se dediquem muito aos estudos, pois é a principal base para alcançar seus objetivos. Que aprendam com os erros, que transformem os desafios em oportunidades. Importante trabalhar no desenvolvimento do pensamento crítico e criatividade. Busquem estímulos, incentivo, informação, trabalhem com paixão, com aquilo que gostam de fazer. E trabalhem no desenvolvimento da inteligência emocional. Não se sintam inferiores em relação aos homens, somos capazes!
6. Como você avalia a educação continuada na saúde com a transformação digital no setor?
A transformação digital implica em maior produtividade, agilidade no atendimento aos clientes e, consequentemente, aos pacientes, redução de custos, maior qualidade de vida, integração de dados, investimento em novas tecnologias, ou seja, inúmeros são os benefícios que a transformação digital proporciona, inclusive, na constante qualificação do profissional da área da saúde, que busca, assim como as instituições em que atuam, atualizar e melhorar a capacidade e o desempenho frente às evoluções técnico-científica.
7. Qual sua opinião sobre a Nota Técnica elaborada pela ABIMED e de que forma ela pode contribuir para a propagação da transformação digital de forma geral?
Trata-se de um tema extremamente importante e relevante que deve ser abordado de uma forma ampla, completa, assim como foi na Nota Técnica elaborada pela ABIMED. A transformação digital é uma mudança de mentalidade, é a transformação do ser humano, é uma mudança cultural pela qual as empresas devem passar para se tornarem mais modernas e acompanharem os avanços tecnológicos que surgem dia após dia. Iniciativas como essa são fundamentais para alcançar essa transformação.
Coluna Mulheres em Foco | Elisabete Murata
Confira entrevista com Elisabete Murata, Diretora de Soluções Educativas para a América Latina na Johnson & Johnson Medical Devices, que foi uma das articulistas da Nota Técnica ABIMED de Transformação Digital na Saúde sobre educação continuada e participou recentemente de um painel sobre o mesmo tema.
1. Conte um pouco sobre sua trajetória profissional
A minha primeira entrevista de estágio foi para uma vaga de robótica de uma grande empresa internacional na área de automação industrial. Algo que fazia sentido já que estava cursando os últimos anos de engenharia elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Mal poderia imaginar que, mais de 25 anos depois, meu sonho de trabalhar com robótica se tornaria realidade na posição de líder de Educação Médica da Johnson & Johnson na América Latina.
Gosto de pensar na minha carreira em três grandes blocos até o momento: um terço em tecnologia e gerenciamento de projetos na Motorola, e depois na Johnson: um terço em vendas e marketing, e um terço em educação. Apesar de indústrias completamente diferentes, o fator mais importante na escolha dos caminhos que segui foi definitivamente o propósito de tornar a vida das pessoas melhor.
Na Motorola, com a implementação dos primeiros sistemas celulares no Brasil, estava melhorando a infraestrutura de comunicação em lugares às vezes tão remotos que não havia nem telefonia convencional. Na Johnson, me encantei pelo mercado de saúde, e por trabalhar em uma empresa que investe em tecnologia para melhorar o tratamento de milhões de pacientes. E depois, ainda na Johnson, me apaixonei por educação. Como disse Nelson Mandela: “Educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”.
Sabemos que as grandes inovações disruptivas acontecem na intersecção de várias disciplinas. Tecnologia, Saúde, Educação. Aí está: minha tríade para um período promissor para continuar crescendo profissionalmente, e promovendo um impacto positivo pro mundo.
2. Quais foram os maiores desafios que enfrentou em sua trajetória profissional?
Aprendi de uma cirurgiã negra sobre o teste do pescoço. O teste consiste em olhar a sua volta, e perceber a presença de pessoas parecidas com você. Seja dentro da engenharia como mulher, dentro de posições comerciais e de liderança como descendente de asiáticos, ou tudo junto, o teste do pescoço me trouxe uma perspectiva importante de que precisamos intencionalmente buscar mais diversidade para os negócios.
Além dos desafios naturais de encontrar espaço em um mercado competitivo, hoje tenho mais consciência dos vieses enfrentados pelas mulheres dentro do ambiente corporativo. No mercado de saúde, e particularmente, no mercado cirúrgico, estes vieses são ainda mais marcantes e ter iniciativas e políticas para aumentar a diversidade é fundamental.
3. Teve maiores dificuldades para ser aceita profissionalmente por ser mulher?
No meu primeiro estágio em uma grande empresa de engenharia, o meu chefe me chamou no primeiro dia de trabalho e me perguntou: Sabe por que te contratei? Antes de eu começar a responder, ele me falou: “É porque você tirou 10 de matemática na Fuvest”. Naquele ano, tinham mais 8 outros estagiários homens. Fiquei me perguntando se todos os outros 8 rapazes também tinham tirado 10 em matemática...
Esta só uma situação vivida que comprova que, infelizmente, para uma mulher se destacar, o nível de exigência, cobrança e de resultados deve ser muito superior ao do homem. E em função disso, acredito que muitas mulheres competentes acabam deixando passar oportunidades de crescimento ou demoram mais para assumir desafios quando não se sentem completamente preparadas.
4. Como você avalia a participação feminina em sua área e no setor de saúde de forma geral?
Felizmente, na Johnson & Johnson, temos uma presença importante das mulheres em posições gerenciais e de liderança. Mas não chegamos a estes resultados sem trabalhar intencionalmente. Há mais de 25 anos, o grupo de afinidade Women´s Leadership & Inclusion trabalha para remover barreiras para as mulheres atingirem seu potencial máximo na J&J.
A Johnson & Johnson também está empenhada em construir uma comunidade STEM2D (Education in Science, Technology, Engineering, Math, Manufacturing and Design) diversificada como parte de um esforço mais amplo para acelerar o desenvolvimento de líderes femininas e mulheres vencedoras em todas as fases de suas vidas, e assim, contribuir na construção de um ambiente mais equitativo no setor de saúde.
Existem avanços importantes, mas ainda muito a fazer no setor como um todo, principalmente em áreas de liderança, sejam clínicas ou administrativas.
5. Você tem algum conselho para outras mulheres que pretendem ingressar no mundo da saúde?
A transformação digital do mundo da saúde exige novas habilidades importantes provenientes de perfis mais diversos e, consequentemente, gera novas oportunidades para mulheres. O desafio é enorme, onde não existe receita e onde o que se conhece, deve ser desconstruído e reformulado para encontrar um novo caminho de integração e comunicação.
Ouso dizer que estamos em um dos momentos mais excitantes do mercado e que exige um nível de colaboração diferenciado. Um momento, onde mais diversidade de lideranças femininas pode, sem dúvida, contribuir para a construção de um ecossistema mais sustentável da saúde.
Meu conselho? Protagonismo e acreditar em si mesmas.
6. Como você avalia a educação continuada na saúde com a transformação digital no setor?
A educação continuada também requer transformação, oferecendo uma abordagem mais personalizada, de acordo com a necessidade de cada um e no tempo apropriado. Para isso, dados objetivos de desempenho, aliados às novas ferramentas digitais, são fundamentais para promover essa transformação.
Na Johnson & Johnson, já estamos integrando ferramentas como Realidade Virtual e Telementoria aos programas de educação continuada, o que nos permitirá utilizar informação mais específica para focar as necessidades educacionais dos profissionais.
Mas o setor ainda requer uma aceleração importante do acesso ao ensino de novas tecnologias e tratamentos. Os profissionais de saúde também necessitarão ser educados na utilização das novas soluções digitais que impactam nas decisões clínicas para os pacientes.
Conclusão, manter-se atualizado nunca foi tão desafiador, e o papel da educação continuada é fundamental para catalisar essa transformação.
7. Qual sua opinião sobre a Nota Técnica elaborada pela ABIMED e de que forma ela pode contribuir para a propagação da transformação digital de forma geral?
Considero a Nota Técnica um trabalho pioneiro e de extrema relevância para fomentar as discussões e as ações da transformação digital da saúde. O desafio do setor é imenso, e somente com o trabalho em conjunto das instituições de saúde, governo, órgãos reguladores, profissionais da saúde, associações, provedores, instituições de ensino, empresas de tecnologia e indústria, será possível criar um ecossistema integrado para a transformação efetiva do setor.
A ABIMED tem um papel importante nesta articulação. A Nota Técnica é um passo relevante para o entendimento das necessidades e perspectivas dos diversos agentes do ecossistema com um objetivo final comum: o paciente.
Crescer no pós-pandemia
Não é surpresa para ninguém que a pandemia do Covid-19 afetou todos os segmentos no país. Inclusive as empresas do setor de dispositivos e equipamentos médicos, que além de procurarem atender a grande demanda no pico da crise sanitária, ainda tiveram de lidar com aumento no valor de insumos e redução da isenção do ICMS nos produtos para saúde. Apesar de tudo, o cenário pós-pandemia apresenta uma tendência a crescimento. Esse otimismo ficou claro no recente levantamento feito pela ABIMED junto às associadas. Segundo os dados obtidos, 66% das empresas devem fechar 2021 em crescimento. Isso mesmo com 42% das empresas registrando queda na receita e 30% deixando de investir.
Segundo a mesma pesquisa, em setembro, 57,6% registraram aumento no valor de aquisição de insumos. Em paralelo, a decisão do governo estadual em reduzir a isenção do ICMS nos produtos de saúde também impactou. Apesar da difícil equação, as associadas começam a ver perspectivas mais positivas, como o aumento de cirurgias eletivas em curto (18%) e médio prazo (57,6%). Dados de uma pesquisa do Conselho Federal de Medicina indicam que a pandemia de Covid-19 provocou, em 2020, a queda de 27 milhões de procedimentos que não são emergência, como exames e consultas.
Ao serem perguntadas sobre o impacto sobre as estruturas organizacionais, 52% das associadas que participaram da pesquisa indicam a manutenção de seus quadros de colaboradores, enquanto 30% apontam contratação de pessoal, seja por substituição ou por expansão. Em relação à gestão de pessoal, a aplicação da segunda dose da vacina contra Covid-19 já indica a retomada do trabalho presencial: 33% estão neste modo todos os dias da semana enquanto 24% ainda seguem modelo híbrido, com 2 dias presenciais. Por outro lado, 21% ainda mantêm os colaboradores em home office.
A partir de 2022, considerando as Reformas Administrativa e Tributária, as associadas ABIMED pretendem demandar esforços e manter os investimentos atuais (48%). Outra parcela, 45%, tem planos de aumentar os investimentos. Somente 6% analisas reduzir investimentos.
Para o presidente-executivo da ABIMED, Fernando Silveira Filho, em relação ao longo prazo, as reformas estruturantes do país são vistas como fator determinante em relação a eventuais investimentos no setor, seja em termos de manutenção ou em termos de potenciais aumentos, porém com uma ressalva relevante que é nenhuma perspectiva de desinvestimento, caso essas reformas venham efetivamente a ocorrer, principalmente a tributária, a qual espera-se que não traga aumento de carga para o setor.
Para este segundo levantamento, feito em setembro de 2021 e que compara com os dados da primeira sondagem realizada em abril deste ano, a ABIMED contou com a participação de 27% da base de associadas.
Fonte: Abimed, em 15.12.2021.