
Produzido pela consultoria Dot Group, o Intelligent Report sobre o setor da saúde, divulgado recentemente, revelou dados importantes para a tomada de decisão, os agentes que participam deste mercado e quais as melhores estratégias de para o uso da tecnologia na educação, no setor da saúde.
A consultoria compilou dados expressivos sobre o segmento: existem 301.647 mil serviços de saúde no País (cadastrados no Ministério da Saúde); estamos entre os 10 maiores mercados de plano de saúde do mundo; somos o 6º maior mercado farmacêutico do planeta; representamos o 7º maior mercado de produtos para a saúde e, considerando produtos médicos, odontológicos, hospitalares e laboratórios, a indústria de saúde no Brasil exporta para mais de 180 países, além de gerar 2,9 milhões de empregos.
O relatório destaca que, atualmente, é possível ter um conhecimento muito maior sobre tratamentos, medicamentos e diagnósticos disponíveis, além de prevenção. As expectativas estão cada vez maiores em relação à qualidade de produtos, serviços e atendimentos.
Ainda de acordo com o estudo, para as instituições de saúde e os profissionais, esse novo comportamento dos consumidores não surge como uma barreira, mas como um desafio. “Para acompanhar esse mercado exigente, qualificado e em constante transformação, é fundamental que a atualização de práticas, conhecimentos e competências seja contínua. Dessa forma, a educação ganha papel de destaque. Para conduzir essa evolução técnica, científica e econômica, é imprescindível o incremento e a utilização generalizada de novas tecnologias”, salienta o Intelligent Report.
O relatório apresenta a ferramenta EdTech (educação + tecnologia) para empresas e instituições que buscam modelos de educação e capacitação mais eficazes. A análise destaca ainda que saber identificar a tecnologia mais adequada para cada tipo de negócio, no apoio e modernização de processos, redução de custos e benefício do consumidor, é fundamental na tomada de decisão.
Outra constatação dos especialistas é que o consumidor que investe em cuidados com a saúde está mais informado e exigente. “Esse comportamento é decorrente do avanço da tecnologia, que permite mais acesso à informação e, consequentemente, mais conhecimento sobre tratamentos, medicamentos e diagnósticos”, explica a análise.
Em um cenário de sobrecarga de trabalho, ao qual os profissionais da saúde estão expostos, as iniciativas em educação devem contemplar soluções que sejam flexíveis e personalizadas, para que estes possam se atualizar. Segundo o estudo, este quadro se configura como uma excelente oportunidade para os empreendedores do setor de saúde, especialmente aqueles que oferecem métodos que consigam atender os diferentes perfis, necessidades e desafios do ecossistema.
ANS é pioneira entre as agências do Brasil ao lançar sua Política Integrada de ESG

Em uma iniciativa pioneira entre as agências reguladoras do Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou em março sua Política Integrada de Governança e Responsabilidade Socioambiental, por meio da Resolução Administrativa nº 82/2023. A Resolução traz dispositivos normativos e a inclusão de fatores ambientais, sociais e de governança nos programas, projetos, processos, atividades e tarefas da ANS, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS / ONU).
Com a nova política, a ANS agrega valores sociais, ambientais e de governança à sua missão institucional, contribuindo com um ambiente socialmente justo e adotando ações mais inclusivas em diversos segmentos. Entre os princípios da Política Integrada de ESG, a ANS elenca vários aspectos como a ética e a responsabilidade socioambiental; eficiência, eficácia e efetividade; equidade, diversidade e inclusão; integridade; transparência; prestação de contas; gestão de competências e melhoria regulatória.
Em suas diretrizes, a Resolução define quais ODS são aplicáveis à Agência e, portanto, estarão no radar de sua atuação: estabelecimento de mecanismos de liderança, estratégia e controle orientados para o fortalecimento da governança organizacional e sustentabilidade; promoção da cultura, conscientização e institucionalização interna do ESG; gestão de riscos organizacionais e de sustentabilidade; papel ativo na aplicação de práticas de contratações sustentáveis; estímulo da inclusão social junto ao combate a qualquer tipo de preconceito; e o uso consciente de água, esgoto, energia e resíduos, assim como sua correta disposição.
A Política Integrada de ESG da Agência está alinhada ao seu planejamento estratégico e à Agenda Regulatória 2023-2025.
A revolucionária Inteligência Artificial Generativa

A cada dia, um novo uso da Inteligência Artificial surpreende-nos e causa polêmica, como foi o comercial da Volkswagen, que “colocou” lado a lado a cantora Elis Regina e sua filha, Maria Rita, para anunciar que “o novo vem de novo”. Mas os saltos que estamos testemunhando hoje devem-se à Inteligência Artificial Generativa, uma categoria de modelos e ferramentas de IA projetadas para criar novos conteúdos. Diferente da IA discriminativa – que se concentra em classificar ou prever informações com base nos dados de entrada, a generativa foi projetada para criar e gerar novos conteúdos ou informações.
Para isso, usa vários processos – incluindo redes neurais e algoritmos de aprendizado profundo (Deep Learning), que identifica padrões e gera novos resultados. Pode se dizer que a IA generativa é uma derivação da IA discriminativa, capaz de criar o novo, aprendendo com os dados fornecidos, mas gerando resultados inéditos. Sua construção permite ir além do aprendizado convencional, o que possibilita uma evolução constante, por conta própria, sem necessidade de programação humana. Um exemplo deste modelo está alcançando muitos usuários rapidamente: o GPT-4 da OpenAI (utilizado no ChatGPT).
A IA generativa está revolucionando a criação de conteúdos, como textos, imagens, vídeos, músicas e códigos. Na área da saúde, já são vários benefícios da utilização da ferramenta. Na indústria farmacêutica, vem impulsionando avanços significativos na descoberta e no desenvolvimento de medicamentos. Também na precisão dos diagnósticos e na elaboração de terapias personalizadas ao paciente, a IA generativa mostra-se como uma interessante aliada. Nos hospitais, ela possibilita a otimização de recursos, aumentando o nível de eficiência das farmácias das instituições na prescrição médica, evitando erros, duplicidade ou alterações das dosagens, aumentando a segurança para os pacientes.
É impossível prever até onde a IA generativa vai chegar, mas com a necessária regulamentação – que já começa a ser discutida – e a observância de padrões éticos, o setor da saúde certamente encontrará novas possibilidades de uso a cada dia, beneficiando pacientes e os vários stakeholders.
Cautela no uso do ChatGPT na saúde

Desde que o ChatGPT foi lançado, em novembro de 2022, os usuários estão descobrindo novas formas de se beneficiar da Inteligência Artificial Generativa. Na saúde, a ferramenta está mostrando seu potencial de simplificar e melhorar os sistemas de saúde de várias maneiras, mas é preciso cautela quando o seu uso se depara com questões éticas.
Ninguém contesta, por exemplo, que o avanço da telemedicina trouxe muitas vantagens aos pacientes. Este foi um legado da pandemia que deve se perpetuar, ainda mais com a regulamentação da prática no País. O ChatGPT pode facilitar esse gerenciamento remoto da saúde, desenvolvendo assistentes virtuais que podem auxiliar pacientes a agendar consultas e gerenciar suas informações. Mas a tomada de decisão a respeito do melhor tratamento ainda deverá ser feita pelo profissional da saúde, segundo especialistas do setor. A ferramenta pode ajudar, mas não substituir a decisão médica.
O ChatGPT pode representar um ganho também para o trabalho de profissionais de saúde, no manejo de muitas informações relevantes e atualizadas. A capacidade de revisar grandes volumes de dados e gerar sínteses pode ser fundamental para o diagnóstico de uma doença ainda desconhecida ou pouco conhecida. Isso poderia ajudar a identificar mais rapidamente surtos e emergências sanitárias e as possíveis medidas de enfrentamento. Mas os profissionais de saúde é que poderão avaliar se as respostas fornecidas são adequadas. Novamente, voltamos ao ponto de que a tecnologia pode auxiliar na tomada de decisões, mas não substituir a capacidade humana de discernir o melhor caminho.
Escrever e documentar relatórios médicos pode ser outra tarefa que será auxiliada pela IA fornecendo sugestões e correções em tempo real. Mas neste aspecto, o padrão ético também deverá balizar os estudos, afinal, a principal fonte de informação do ChatGPT são conteúdos que circulam gratuitamente pela internet. Boa parte das revistas científicas, que categorizam com mais critério seus textos, não disponibilizam as informações de forma gratuita. Assim, é preciso cautela, pois o que a ferramenta encontra não é, necessariamente, o mais atualizado, mais abrangente ou mais confiável dentro do tema. À medida que o conhecimento acadêmico for disponibilizado de forma mais abrangente, isso poderá contribuir para resultados mais assertivos.
Portanto, quando o assunto é saúde, as informações precisam ser balizadas pelos profissionais que atuam na área e as instituições de referência. A capacidade de fazer uma análise crítica e tomar a melhor decisão pode sim, levar em conta informações obtidas pela IA, mas não se pode delegar à ferramenta o papel de substituir o discernimento humano.
ABIMED parabeniza a Câmara dos Deputados pela aprovação da Reforma Tributária

Com grande satisfação celebramos a votação exitosa da PEC 45/2019 no plenário da Câmara dos Deputados, e que deve seguir o mesmo caminho no Senado Federal. A ABIMED, em conjunto com diversas outras entidades associativas do setor de Saúde, contribuiu com os legisladores no sentido de que a Reforma Tributária reconhecesse a essencialidade do setor de saúde, em toda sua cadeia produtiva, por meio de alíquotas diferenciadas, de forma a dar à população maior acesso ao atendimento e cuidado com a saúde.
Avanços à parte, a ABIMED, entretanto, continuará a acompanhar e apoiar a manutenção da obrigatoriedade de redução das alíquotas incidentes em todo setor de saúde, via Lei Complementar, posicionando o Brasil de forma equilibrada e competitiva com outros países, a exemplo daqueles que fazem parte da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, trazendo a perspectiva de redução de custos e melhoria da segurança jurídica para as empresas, reconhecendo a Saúde como essencial, para a população e como um importante vetor de crescimento para o país.
ABIMED divulga estudo sobre boas práticas de ATS para procedimentos e dispositivos médicos

As submissões, avaliações e decisões sobre a incorporação de tecnologias ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao rol da Agência Nacional de Saúde (ANS) podem ser elaboradas com maior rigor técnico-científico, de forma mais célere, transparente e com ampla participação social. Esta foi a conclusão do estudo inédito sobre “Boas práticas de ATS (Avaliação de Tecnologias em Saúde) para procedimentos e dispositivos médicos”, realizado pela consultoria AxiaBio e encomendado e patrocinado pela ABIMED. O levantamento foi exposto durante a Hospitalar 2023, que aconteceu no final de maio, em São Paulo (SP).
Felipe Carvalho, diretor-regional da ABIMED em Brasília, explicou a motivação da primeira iniciativa do setor visando a proposição de uma metodologia para ATS: “havia uma dor do setor de dispositivos médicos em relação à avaliação do rol da ANS, por exemplo, sobre requisitos que não eram possíveis de atender, barreiras éticas, entre outros. A partir desse desconforto, conversamos com diversos atores para produzir um estudo que fosse uma contribuição da indústria para essa discussão”.
Uma das conclusões é que a indústria de dispositivos médicos deve trocar seu papel de submissão para o de construção de propostas. Outra constatação é de que a população será beneficiada com novas medidas nessa área, pois, com a aceleração da incorporação de tecnologias ao SUS, deve melhorar o acesso dos brasileiros aos recursos mais avançados, diminuindo um atraso tecnológico de oito anos do Brasil em relação a outros países. Vale lembrar que os dispositivos médicos estão presentes desde a prevenção de doenças até as fases de tratamento e recuperação da saúde das pessoas.
A pesquisa também aprofunda dados secundários do mundo inteiro para entender a dimensão de ATS para dispositivos médicos e está sintetizada em três pontos: quem deve ser o grupo para avaliar os dispositivos médicos, quais são os critérios de avaliação e como deve ocorrer o processo.
Diversos atores foram ouvidos durante a pesquisa, para enriquecer a análise. Para Gabriela Tannus Branco de Araújo, sênior partner do Axia Bio Group, o primeiro a se beneficiar com a pesquisa será o paciente, “pois a proposta não é tornar o processo mais fácil, mas mais organizado e calibrado com um bom nível técnico”, declarou a executiva.
“A indústria precisa sair da submissão e entrar no papel de construção”, referendou Fernanda Oliveira, gerente sênior de acesso da J&J Medtech. Já a pesquisadora científica Fotini Toscas destacou outros aspectos da pesquisa, como maneiras de minimizar as incertezas na área de dispositivos médicos, incluindo identificar o momento ideal das decisões que envolvem o ciclo de vida da tecnologia. Ela ressaltou a relevância da análise já que formar e capacitar profissionais em ATS se tornou um aspecto essencial. “A Organização Mundial da Saúde reconhece que os dispositivos médicos estão se tornando cada vez mais indispensáveis na prestação de cuidados de saúde. Entre os principais responsáveis pelo seu projeto, desenvolvimento, regulamentação, avaliação e treinamento, estão os engenheiros biomédicos e clínicos, trabalhando em conjunto com outros profissionais da saúde.”
O estudo “Boas Práticas de ATS para procedimentos e dispositivos médicos” é, portanto, um caminho de diálogo que a ABIMED espera que seja acolhido pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no SUS, órgão que assessora o Ministério da Saúde.
Fonte: Abimed, em 13.07.2023.