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Antonio Penteado Mendonça |
Os navegantes portugueses chamaram o lado esquerdo das embarcações de bombordo porque era o lado que sempre se avistava terra, na circum-navegação da África, ao longo do século 15, na busca do caminho das Índias. Entre Portugal e o outro lado do mundo havia um mundo a ser descoberto, um mundo desconhecido que os portugueses, navegando em suas pequenas caravelas, foram abrindo para a Europa embasbacada com cada nova descoberta.
Guardadas as proporções, o momento que o Brasil atravessa se assemelha bastante com a realidade dos navegadores lusitanos, cada vez que deviam seguir um ponto à frente do último ponto tocado pela expedição anterior.
Estamos diante do desconhecido. Ninguém em sã consciência pode garantir o que nos reserva o futuro. Não há bola de cristal, jogo de carta ou magia negra capaz, de neste momento, levantar o pano do futuro e prever com certeza o que teremos pela frente.
Agora, diante dos fatos já conhecidos e dos desconhecidos que devem surgir ao longo das investigações que abrem para os brasileiros uma realidade inimaginável poucos anos atrás, a única certeza é que estamos melhores do que nos tempos de D. Dilma Rousseff, ou seja, é necessário impedir sua volta, custe o que custar. Da mesma forma que é fundamental dar apoio ao novo governo, que nomeou uma competentíssima equipe econômica, mas que tem que se submeter ao jogo político, transigindo e aceitando composições delicadas, mas indispensáveis para a governabilidade do país.
A SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) não escapou às trocas que vão acontecendo no comando dos mais variados órgãos direta ou indiretamente vinculados à administração pública federal. Está de superintendente novo. Um líder sindical, com larga experiência na corretagem de seguros e presidente do sindicato dos corretores de seguros de Goiás. Ou seja, uma pessoa com trânsito e apoio nas altas esferas da república e que conhece, grosso modo, as particularidades do setor.
Como a Susep tem um corpo profissional competente, é de se esperar que a autarquia continue atuando de forma eficiente e – por que não? – mais proativa do que vinha ocorrendo.
Com um corretor que conhece os pontos sensíveis do mercado no leme, não há razão para que a SUSEP não se sensibilize com demandas importantes para as quais ainda não havia dedicado o tempo e a atenção necessários.
Mas antes do setor falar em final de crise e se lançar ao ambicioso projeto de crescimento que tem à sua frente, seguradores, corretores e prestadores de serviços devem se empenhar para que o país saia o mais rapidamente da crise sem precedentes que abala suas estruturas éticas, sociais e econômicas.
Ao que tudo indica, estamos começando a entrar no rumo certo, mas entre isso e o resultado final, há um oceano a ser percorrido, com possibilidades concretas de tempestades violentas ainda se abaterem sobre nós, antes de chegarmos ao porto seguro da retomada consistente do crescimento nacional.
De qualquer maneira, um semestre a mais, um semestre a menos, em 2018 o quadro brasileiro deve ser bem mais otimista do que o atual. Quando isso acontecer, o setor de seguros estará numa posição altamente vantajosa, se comparado à maioria dos demais setores econômicos.
O que hoje pode parecer uma notícia ruim, no momento da retomada do crescimento será o principal diferencial que permite, hoje, se afirmar que o setor terá um desenvolvimento rápido e consistente. Atualmente, a penetração do seguro na sociedade é baixo. Isso significa que mais de 70% da frota de veículos não é segurada; milhões de imóveis não têm nenhuma proteção contra riscos; milhares de empresas nunca fizeram seguros; o agronegócio exige a criação de um seguro rural moderno, que atenda as necessidades dos produtores; milhões de brasileiros nunca ouviram falar em seguros de vida; apenas ¼ da população tem plano de saúde privado; a reforma da previdência social é o mais forte incentivo para a previdência complementar; a melhora das condições de vida da população significa mais consciência sobre poupança e proteção; as exigências comerciais demandarão mais seguros de transporte, garantias e crédito, etc.
Como se vê, o potencial de crescimento é tremendo. E será alcançado, mais cedo ou mais tarde. Assim, agora, não é hora de esconder a cabeça feito avestruz. Ao contrário, é o tempo certo para começar o planejamento do que deve ser feito quando a crise passar. Antes de mais nada, é necessário navegar com cautela para impedir que escolhos e recifes naufraguem a embarcação. Mas isso não quer dizer que não se deva analisar as oportunidades futuras e se aparelhar para atingi-las. O bom comandante é o que lê nas condições do presente as alternativas mais viáveis para o futuro e se prepara para elas.
