Por Guilherme Hummel
A escassez de oxigênio medicinal pode ser longa
Num ensolarado domingo do final de dezembro de 2020, surgiu um alerta de “desastre interno” em hospitais do sul da Califórnia (EUA). Abarrotados de pacientes com Covid-19, eles passaram a enfrentar um problema comum nos países de baixa e média renda (LMICs): falta de oxigênio medicinal. Pelo menos 5 hospitais no Condado de Los Angeles declararam “emergência máxima” quando a quantidade de O2 passou a ficar aquém da demanda. Segundo a gestão sanitária do Condado, não foi só uma simples falta de oxigênio, mas o ‘desaguar’ de uma série de problemas de alocação de gás, envolvendo desde a falta de recipientes, passando por encanamentos antigos se rompendo pela grande quantidade de gás circulante, até chegar a um transporte criogênico de alto risco (neve, trânsito, contaminação dos motoristas, etc.). Como acontece nos hospitais antigos do Brasil (ou em qualquer parte do mundo), a demanda e o fluxo foram tão excessivos que o sistema alimentador não conseguia manter pressão suficiente nas tubulações. Além disso, o fluxo de O2 foi de tal ordem que este passou a congelar nos dutos. “Obviamente que quando congela, você limita o fluxo necessário do produto”, explicou a Dra. Christina Ghaly, Diretora dos Serviços de Saúde do Condado de Los Angeles. “Alguns hospitais foram forçados a mover pacientes para os andares mais baixos, onde é mais fácil fornecer oxigênio já que é menor a necessidade de pressão do que nos andares mais altos”, completou Ghaly.
Fonte: Saúde Business, em 26.03.2021