Por Gloria Faria (*)
Não causa mais surpresa encontrarmos mulheres em profissões, anteriormente ditas, masculinas. A grande batalha pela igualdade ainda se encontra no número de profissionais mulheres em postos da alta hierarquia, atualmente, em proporção ínfima a dos homens e, na (falta de) paridade da remuneração.
É notório que as profissões da área econômica ainda têm uma representação feminina muito baixa nos cargos mais altos tanto no Brasil como em todo o mundo. Entretanto, isso não impediu que entre os três ganhadores do prêmio Nobel de Economia deste ano de 2019, esteja ESTHER DUFLO, segunda e mais jovem mulher a receber aos 46 anos o Nobel nessa categoria.
Doutorada pelo Massachusetts Institute of Technology - MIT, seus trabalhos se concentram na área de redução da pobreza. O prêmio, inclusive, é decorrente de estudos que relacionam a importância de aulas de reforço nas escolas para a melhoria de condições das classes mais pobres, não só dos países menos desenvolvidos como, também, naqueles de alta renda. Um novo modelo de tutoria nas escolas, em parceria com organizações não governamentais, com aulas de reforço para alunos mais fracos e subsídios para cuidados preventivos de saúde, dentre outras ações de atenção para a idade escolar, se provou plenamente eficaz tendo reformulado, nos últimos 20 anos, a pesquisa na economia do desenvolvimento.
Laureados por sua “abordagem experimental para aliviar a pobreza mundial”, ESTHER DUFLO e o marido ABHIJIT BANERJEE [1] , trabalharam na ampliação do trabalho de MICHAEL KREMER, professor de Sociedades em Desenvolvimento em Harvard, e pioneiro de experimentos em campo, com quem compartilham o prêmio.
ESTHER DUFLO, uma das mais brilhantes economistas de sua geração, obteve seu Ph.D. aos 26 anos no Massachusetts Institute of Technology – MIT - onde, presentemente, leciona. Veterana em premiações, recebeu a medalha John Bates Clark em 2010 que recompensa os trabalhos de economistas com menos de 40 anos, nos EUA.
O trio de cientistas é uma boa amostra de diversidade, já que se compõe de uma franco-americana, um indiano de Mumbai naturalizado americano e um norte americano “de raiz” provando que origens e experiências culturais diversas são enriquecedoras.
Nas entrevistas concedidas após o anúncio de seu nome a economista tem declarado: “Espero inspirar outras mulheres a continuarem seu trabalho, e os homens a dar-lhes o respeito que elas merecem”.
Esperemos todas que para além da redução da pobreza venha um maior acesso para aos níveis mais altos da vida laboral.
[1] DUFLO, Esther, e BANERJEE, Abhijit, autores de “Repenser la Pauvreté” 2012
(*) Gloria Faria é advogada, sócia do escritório MOTTA, SOITO & SOUSA Advocacia Empresarial, Organizadora da Revista Jurídica de Seguros da CNseg.
16.10.2019