Por Bruna Chieco

O Movimento 360, realizado pela Abrapp nos dias 1 e 2 de setembro, em Brasília (DF), foi encerrado com um painel especial sobre o futuro da previdência complementar. O encontro contou com a participação de Monyke Castilho, Coordenadora de Comunicação da Previc, e Narlon Gutierre Nogueira, Diretor do Departamento do Regime de Previdência Complementar do do Ministério da Previdência Social (MPS).
Realizado no formato AbraCast, o painel promoveu um bate-papo ao vivo, conduzido pela apresentadora Cibele Deis, sobre os próximos movimentos do setor, abordando temas como comunicação, educação previdenciária, inovação, avanços regulatórios e tecnologia.
Narlon Gutierre destacou a importância de fazer com que o valor da previdência complementar seja cada vez mais percebido pela sociedade. Segundo ele, o desafio é promover um crescimento contínuo e sustentável para o segmento, baseado na confiança transmitida aos participantes e à população.
“Temos uma relação que vai se estender por muitos anos. Não adianta apenas fazer: as pessoas também precisam perceber o que está sendo feito e reconhecer o seu valor. E há muita coisa boa sendo realizada”, afirmou.
Para Monyke Castilho, um dos principais desafios não está na gestão dos patrimônios, mas na capacidade de se conectar com as pessoas. Segundo ela, é necessário fazer com que a previdência complementar esteja presente na vida dos trabalhadores como uma parceira de longo prazo, e não apenas como um desconto no contracheque.
“Trata-se de nos conectarmos às pessoas, para que o trabalhador entenda o verdadeiro valor do nosso setor. Ainda há muito a fazer, mas estamos vivendo uma fase de transformação. E a transformação só ganha valor quando o discurso se concretiza e chega, de fato, à prática”, destacou.
Avanços regulatórios – Durante o painel, Gutierre também mencionou avanços recentes nas políticas voltadas à previdência complementar. Entre eles, destacou a inscrição automática, uma demanda antiga do setor, além das mudanças relacionadas à proteção dos participantes nos processos de retirada de patrocínio, especialmente em planos mais antigos.
Ele citou ainda os avanços relacionados à possibilidade de escolha do regime de tributação, o reconhecimento das entidades fechadas de previdência complementar como não sujeitas ao ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e as discussões em torno do novo processo sancionador.
“Temos a expectativa de que a proposta do novo processo sancionador possa ser aprovada em breve. Outro ponto importante que está em andamento é o Selo Patrocinadores do Futuro, uma iniciativa desenvolvida pelo MPS. O prazo terminava em 31 de agosto, mas foi prorrogado até 18 de setembro”, lembrou.
Linguagem simples e educação – Na avaliação de Castilho, para que a previdência complementar seja mais bem compreendida pela sociedade, o setor precisa aprimorar a forma como se comunica. Segundo ela, é necessário traduzir conceitos técnicos e falar em uma linguagem mais próxima dos públicos. Como exemplo, destacou a necessidade de adaptar os canais e as estratégias de comunicação às características de cada geração.
“Um jovem pode preferir receber informações pelas mídias digitais, como Instagram ou TikTok, com conteúdos curtos e em uma linguagem que ele compreenda. Por outro lado, para uma pessoa mais velha, o atendimento presencial e a conversa direta podem ser mais eficazes. A comunicação precisa existir em diferentes formatos”, explicou.
Gutierre também reforçou a importância de aproximar a previdência complementar das novas gerações. Segundo ele, o MPS tem trabalhado para levar o conhecimento sobre previdência às escolas, alcançando crianças e adolescentes. O dirigente destacou, nesse contexto, o projeto Poupadores do Futuro, desenvolvido em parceria com a Abrapp e a UniAbrapp.
“O projeto nos motiva muito. No ano passado, tivemos a participação de 12 entidades. Neste ano, foram mais de 60 entidades engajadas e conseguimos alcançar quase 200 escolas em todo o país”, afirmou.
Tecnologia como aliada – Outro tema abordado no painel foi o uso da tecnologia e da inteligência artificial no setor. De acordo com Gutierre, essas ferramentas já vêm sendo utilizadas pelas entidades, especialmente em processos mais massificados e de menor complexidade.
Segundo ele, a tecnologia pode trazer mais agilidade às operações e permitir que os profissionais dediquem mais tempo a atividades que exigem análise, interpretação e tomada de decisão humana.
Castilho, por sua vez, ressaltou que a tecnologia deve ser utilizada como aliada, mas com atenção aos riscos e à necessidade de controles.
“A tecnologia existe como aliada, mas nada substitui o olhar humano. Precisamos ter ferramentas de auditoria dessas tecnologias, inclusive para evitar possíveis manipulações. Outro ponto muito importante são os dados sensíveis da nossa população. Precisamos utilizar a tecnologia preservando e protegendo os dados dos nossos participantes e assistidos”, destacou.
O Movimento 360 conta com patrocínio ouro do Grupo Azevedo Ramirez (GAR); prata da IAP – Itajubá Administração Previdenciária; Bronze da PFM – Consultoria de Sistemas; e apoio da Apoena Seguros e Mirador.
Fonte: Abrapp em Foco, em 03.09.2026