Levantamento mostra crescimento de 11,4% no setor de seguros de automóveis e revela como a popularização das duas rodas e a consolidação dos veículos limpos estão redesenhando o perfil de risco no país
O mercado brasileiro de seguros de automóveis iniciou o ano de 2026 em forte aceleração, impulsionado por transformações profundas no perfil dos veículos que circulam pelo país. De acordo com o relatório elaborado pela unidade de seguros da Dimensa, referência em tecnologia para operações financeiras, gestão de riscos e seguros, o setor registrou 8,8 milhões de negócios de seguro auto entre janeiro e junho de 2026, consolidando um crescimento de 11,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse avanço revela que a busca por proteção veicular está sendo redesenhada por novas tendências de mobilidade urbana e sustentabilidade.
O grande destaque desse movimento veio sobre duas rodas. As cotações de seguros para motos dispararam no primeiro semestre, saltando de 456 mil para 722 mil negócios, o que representa uma alta expressiva de 58%. Com esse avanço, a participação das motocicletas no volume total de cotações da plataforma subiu de 5,8% para 8,2%. Paralelamente, o mercado de veículos eletrificados deixou de ser apenas uma tendência de nicho para se consolidar como uma realidade nas mesas dos corretores. As cotações de modelos totalmente elétricos praticamente dobraram, saltando de 48 mil para 87 mil negócios, um crescimento de 81%, enquanto os veículos híbridos-elétricos avançaram 53%, passando de 106 mil para 162 mil cotações no período.
Novo cenário já é realidade
Para Fernando Rodrigues, diretor de seguros da Dimensa, esses números refletem uma mudança estrutural na forma como o brasileiro se locomove e protege seus bens. "O crescimento das motos e dos carros eletrificados mostra que o mercado de seguros precisa se adaptar rapidamente a uma nova realidade das ruas, onde a busca pela economia de combustível, a agilidade no trânsito e a eletrificação já ditam as regras de consumo", avalia o executivo.
Rodrigues complementa que o perfil do segurado também passa por uma renovação. "Estamos diante de um cenário de transição energética e de mobilidade urbana muito claro, o que exige das seguradoras uma flexibilidade inédita para desenhar produtos específicos e precificar riscos de tecnologias e categorias que, até pouco tempo atrás, eram consideradas secundárias no portfólio tradicional".
O avanço dos eletrificados também se reflete no ranking das fabricantes. A chinesa BYD, por exemplo, mais do que dobrou sua presença na plataforma da Dimensa, saltando de 59 mil para 122 mil negócios e ultrapassando marcas tradicionais do mercado nacional. Diante desse ecossistema em rápida mutação, que inclui ainda o envelhecimento da frota tradicional e o aumento do uso profissional por aplicativos, o relatório da Dimensa projeta um segundo semestre desafiador e dinâmico, onde a tecnologia e a capacidade de adaptação rápida das corretoras serão fundamentais para absorver essa nova e diversa demanda represada.
Fonte: Dimensa/Agência Máquina, em 12.08.2026.