O evento de lançamento do guia sobre Investimento Social Privado (ISP), realizado remotamente em 26 de março, em uma parceria inédita entre a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), ANBIMA, B3 e Febraban, marcou um passo decisivo para a profissionalização da filantropia no mercado financeiro brasileiro. O encontro reuniu representantes das instituições para discutir como transformar ações muitas vezes dispersas em estratégias de alto impacto socioambiental.
O Despertar da Estratégia no Social
A abertura, conduzida pelo gerente de Sustentabilidade e Inovação da ANBIMA, Luiz Pires, destacou que o guia nasceu de um "incômodo" positivo: a necessidade de destravar o potencial de capital disponível no mercado para tratar desequilíbrios sociais. "O que a gente quer aqui é mostrar que existe um caminho minimamente percorrível por todo mundo. Se conseguirmos direcionar esse capital para iniciativas transformadoras, conseguiremos amplificar os benefícios", afirmou Pires.
A head da B3 Social, Fabiana Prianti, reforçou que o investimento social deixou de ser periférico para se tornar estratégico. Ela compartilhou a experiência da B3, que investiu mais de R$ 300 milhões em seis anos ao focar exclusivamente em educação pública: "Não tem desenvolvimento econômico sustentável se a gente não atua lá no comecinho do pipeline... se as nossas crianças e jovens não saem com uma aprendizagem adequada".
Riscos Sociais e Resiliência
O gerente de sustentabilidade da CNseg, Pedro Werneck, trouxe uma perspectiva fundamental conectada ao core business do setor de seguros. Para ele, o ISP não é apenas uma questão de reputação, mas de sobrevivência e manutenção dos negócios a longo prazo.
Werneck explicou que as seguradoras possuem competências únicas para gerir riscos, e isso inclui os riscos sociais. "Investir em uma sociedade mais resiliente, com menores níveis de vulnerabilidade social, não é meramente uma questão de responsabilidade corporativa. É um elemento fundamental para a sustentabilidade dos nossos negócios", destacou.
Ele citou exemplos práticos da CNseg, como o programa Atuários do Futuro, que capacita jovens em situação de vulnerabilidade para carreiras técnicas no setor, unindo impacto social à formação de novos talentos. Werneck também enfatizou a importância da governança: "Quando você sabe exatamente qual a transformação quer gerar, as decisões passam a ser mais coerentes e baseadas em evidências".
Colaboração e Impacto Sistêmico
A gerente de Sustentabilidade na Febraban, Cíntia Céspedes, ressaltou o poder do "efeito de rede" do setor bancário, capaz de gerar um impacto sistêmico através da capilaridade e da influência sobre as cadeias de valor. "Quando o setor se movimenta de forma alinhada, o impacto deixa de ser individual e passa a ser sistêmico", pontuou.
A mediação de Paula Fabiani, CEO do IDIS, amarrou os conceitos ao lembrar que a desigualdade é "ruim para os negócios" e que o capital financeiro deve estar a serviço da humanidade. O evento encerrou com um convite à ação: usar o novo guia como um mapa para que cada instituição se torne um agente indutor de mudança ativa na sociedade brasileira.
Confira aqui o evento na íntegra
Fonte: CNseg, em 01.04.2026