A evolução do mercado de seguros passa, cada vez mais, pela economia de dados, pela integração entre serviços financeiros e pela transformação do corretor em um agente digital de confiança. Esse foi o centro do debate da live “O futuro do seguro: como Open Insurance e proteção de dados se conectam”, realizada no dia 22 de janeiro, pelo canal Profissional de Seguros Oficial, no YouTube.
Durante o programa, o 1º vice-presidente da Fenacor, coordenador do Comitê de Inovação em Seguros da camara-e.net e idealizador do GuiaOpen, Manuel Matos analisou como a implementação do Open Insurance no Brasil está mudando a lógica do setor, exigindo novos modelos de atuação, maior domínio tecnológico e atenção redobrada à proteção de dados. A entrevista foi conduzida pelos apresentadores Fabio Sorolla e Marcello Brancacci.
Segundo Matos, o Open Insurance não deve ser visto apenas como uma exigência regulatória, mas como um caminho natural da corretagem rumo ao ambiente digital. Nesse cenário, o profissional deixa de ser apenas um intermediário comercial e passa a atuar como intérprete técnico das informações e custodiante da confiança do cliente, especialmente no que diz respeito ao uso e ao compartilhamento de dados.
Com carreira iniciada em 1976, Matos acumula experiência na interseção entre seguros e tecnologia, tendo participado de iniciativas como o desenvolvimento de softwares nos anos 1980, a informatização da Susep e projetos ligados à infraestrutura de chaves públicas. Essa trajetória, segundo ele, foi decisiva para compreender a importância da segurança da informação e da identidade digital no atual modelo de negócios.
Um dos pontos centrais abordados foi o papel da Sociedade Processadora de Ordem do Cliente (SPOC), estrutura necessária para que corretoras atuem plenamente no ecossistema do Open Insurance. Matos define a SPOC como uma verdadeira habilitação para a economia digital.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também foi destacada como pilar dessa transformação. De acordo com Matos, a legislação consolida o entendimento de que a informação pertence ao cidadão, e não às instituições financeiras. “O dado não pertence a quem é o custodiante, o dado não pertence ao banco, o dado não pertence à seguradora, o dado não pertence ao corretor; o dado pertence ao titular e ele mediante consentimento pode dispor sobre o que é feito com o seu dado”, afirmou.
O especialista também esclareceu diferenças entre modelos frequentemente confundidos, como bancassurance, retail insurance e embedded insurance, destacando que essas modalidades tendem a convergir. Nesse novo contexto, o controle do dado pelo cliente abre espaço para uma atuação mais estratégica do corretor, desde que ele disponha de ferramentas capazes de gerir o consentimento de forma segura e juridicamente válida.
O debate avançou ainda para o Open Finance, cuja consolidação é prevista para os próximos anos, integrando Open Banking, Open Insurance e Open Investment. Para Matos, esse movimento permitirá que corretores ofereçam soluções completas de crédito, proteção e investimento, competindo em condições mais equilibradas com grandes grupos financeiros. Ele comparou o processo à adoção do Pix, que enfrentou resistência inicial, mas rapidamente se tornou parte do cotidiano dos brasileiros.
Mesmo com o avanço da inteligência artificial, Matos reforçou que o diferencial do corretor continuará sendo o relacionamento humano e a gestão da confiança. Para ele, a proteção da identidade digital do cliente é uma das estratégias mais eficazes de proximidade, já que envolve profundo conhecimento do consumidor, alinhado ao conceito de KYC (Know Your Client).
Ao final da entrevista, o especialista deixou uma reflexão sobre o futuro da profissão. “O desafio do corretor de seguros é permanecer relevante na vida dos seus clientes e não ser um profissional descartável”.
O Programa Profissional de Seguros vai ao ar todas as quintas-feiras, ao vivo, às 18h, pela Rádio Exclusiva FM-SP, trazendo debates sobre inovação, mercado e os rumos do setor de seguros no Brasil.
Fonte: GuiaOpen, em 26.01.2026