Na entrevista do mês de junho, Luis Augusto Rohde avalia o cenário da saúde mental e aponta as tendências e possibilidades de evolução nos próximos anos
A saúde mental dos brasileiros piorou ao longo da pandemia. Ainda não é possível mensurar exatamente o impacto a longo prazo que o período de isolamento teve nos transtornos mentais da população, seja na piora ou no surgimento deles, mas é fato que condições como ansiedade, depressão, TDAH e burnout têm sido cada vez mais abordadas em rodas de conversa entre amigos e até dentro das empresas. Embora ainda carregado de estigma, o tema tem avançado em vários aspectos, da conscientização aos novos tratamentos, do uso da tecnologia à prevenção. “Estamos em um começo de jornada. Não diria que existe algo consolidado, mas há um interesse, uma percepção muito maior da importância da saúde mental como parte da saúde”, resume Luis Augusto Rohde, referência internacional no campo da psiquiatria e saúde mental.
Ele é o entrevistado do mês de junho em Futuro da Saúde. Com um vasto currículo, o Professor Titular de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – dentre diversas outras atuações na área – também abordou ao longo da conversa a redução do estigma, a falta de acesso, o impacto da pandemia, o uso de novas tecnologias, as pesquisas – e falta de evidências – sobre o uso de tratamentos alternativos e revelou uma expectativa positiva para os próximos anos.
Rohde também afirma que a tecnologia terá papel importante para entender o comportamento digital das pessoas e evitar possíveis crises: “Vamos caminhar para uma questão de fenotipagem digital, que pode ser ativa ou passiva. Ativa é quando você solicita ao paciente que dê informações. Passiva é quando vai coletando, com permissão do paciente, diversos dados. Essas informações chegam ao profissional de saúde, que poderá antecipar uma possível crise. Isso está em pesquisa e é o futuro”. Veja a seguir os principais trechos da conversa:
Fonte: Futuro da Saúde, em 29.06.2022