Por Fernanda Moura
O CREMESP declarou antiéticas vídeo-chamadas com pacientes internados. Em vez de orientar, reforça nos médicos da linha de frente o constante temor de um processo ético
Dentre suas consequências nefastas, a pandemia castigou a sociedade com a impossibilidade de se despedir adequadamente de familiares hospitalizados com covid-19.
Quando as mensagens detalhadas, mesmo com linguagem acessível, revelaram-se insuficientes para estabelecer uma conexão entre equipe médica, paciente e família, profissionais da saúde, tentando aliviar a angústia pela falta de notícias e humanizar o trato do paciente, encontraram nas chamadas de vídeo uma alternativa de acolhimento e de abrandar o sofrimento não só de quem estava dentro do hospital como também fora dele.
A aliança de novas tecnologias à promoção de cuidados de saúde é tendência em todo o mundo e a prática logo se consolidou nos principais hospitais de referência em tratamentos centrados no paciente.
Enquanto isso, no Brasil, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) - conselho de maior expressividade por conta da quantidade de profissionais registrados - publicou o Parecer 131.045/211 e o teor causou consternação por, além de ir na contramão do mundo, saltar aos olhos um quê de crueldade.
Fonte: Migalhas, em 30.04.2021