O Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift), desenvolvido pelo Banco Central e pela Fenasbac, resultou em 17 novos projetos para inovação no Sistema Financeiro Nacional (SFN). A edição de 2019 selecionou 20 propostas e 17 concluíram o ciclo de desenvolvimento de protótipos. Os projetos resultantes incluem tecnologias de blockchain, inteligência artificial, modelos de pagamento e novos modelos de aplicação para tecnologias já consagradas no mercado.
Quando a chamada 2019 do Lift foi aberta, em abril deste ano, o BC recebeu 30 propostas válidas, sendo 20 delas selecionadas para desenvolvimento. De acordo com André Siqueira, chefe de divisão no Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco Central (foto à direita), foram escolhidos projetos convergentes com a agenda do Banco, que trazem inovação para o SFN, com potencial de produção de MVP (Minimun Value Product) em três meses e que despertassem interesse dos provedores de tecnologia e dos grupos de acompanhamento de projetos.
Em três meses de interação entre o BC, a Fenasbac, os provedores de tecnologia e as equipes dos projetos, compostas por representantes da academia e do mercado, as ideias foram aprimoradas e ganharam mais foco na aplicação de inovação para resolução de problemas ou para criar oportunidades no SFN. “Os proponentes receberam direcionamento quanto às melhores práticas de implementação e quanto aos problemas centrais a resolver”, explica Siqueira.
Agora, as equipes estão revisando seus relatórios técnicos finais sobre os projetos e preparando os artigos para a Revista LIFT (Edição 2019), que será lançada em março de 2020 durante o LIFTDay – evento realizado pelo BC para apresentar as versões finais dos projetos e para lançar a nova próxima do edição do LIFT.
Experiência também para o BC
O BC pôde acompanhar o impacto de suas ações regulatórias sobre as iniciativas de inovação, entender as dificuldades de aplicação de tecnologias dentro dos limites regulatórios e vislumbrar as oportunidades de melhoria e os potenciais de contribuição de algumas tecnologias para o SFN. Destas observações, surgem novas iniciativas para o ecossistema de inovação como o LIFT Learning - programa lançado em 28 de novembro para formação de estudantes e aproximação da academia com o mercado financeiro e um novo modelo para SandBox Regulatório - projeto em andamento no âmbito do BC.
LIFT e LIFT Learning
Lançado em novembro, o LIFT Learning é um programa de incentivo à aproximação entre a academia e a indústria financeira. O objetivo é dar a estudantes de graduação e pós-graduação oportunidades de resolver problemas de ciência e tecnologia que afetem a indústria financeira.
“É possível que alguns desses projetos ganhem maturidade para entrar no LIFT, mas isso não é mandatório. Como parte de um ecossistema de incentivo à inovação, tanto o LIFT quanto o LIFT Learning são projetos com públicos e interesses diferentes”, afirma André Siqueira. “O LIFT pretende trazer soluções da sociedade para problemas no SFN. O Learning pretende envolver a academia em desafios trazidos pelo SFN”, conclui.
O programa contou com o envolvimento de mais de 100 pessoas, entre proponentes, servidores do Banco Central, da Fenasbac e equipes das empresas apoiadoras - Microsoft, IBM, AWS, R3, Multiledgers, Cielo e Oracle. Todas as atividades foram desenvolvidas por meios digitais.
Iniciativas que chegaram à fase final do LIFT
ANTECIPA FÁCIL - uma plataforma digital criada com o propósito de promover o acesso ao capital de giro para pequenas e médias empresas, sobretudo aquelas desassistidas ou sub atendidas pelo mercado bancário.
ANTECIPAÇÃO COM TRANSPARÊNCIA - um projeto que propõe um modelo para garantir a redução na taxa de deságio para empresas de pequeno e médio porte.
BLUPAY - O Switch de Pagamentos Instantâneos BluPay integrará as principais oportunidades geradas pelas mudanças previstas pelo Banco Central do Brasil no ecossistema financeiro com os comunicados sobre Pagamentos Instantâneos.
FINID: GESTÃO DE IDENTIDADES FINANCEIRAS DESCENTRALIZADAS - Este projeto visa criar uma identidade única, portável e segura para as instituições financeiras, com o cliente no controle dos seus próprios dados pessoais e viabilizando o acesso facilitado de contratação de serviços financeiros.
FINWEB – EMPREENDEDORISMO COLABORATIVO - cria um mecanismo que facilita a formação de parcerias colaborativas e o compartilhamento de receitas, por meio do pagamento simultâneo multipartes.
GAVEA MARKETPLACE - é um Marketplace de Commodities Físicas, uma plataforma digital de negociação que automatiza o processo de originação, cortando intermediários, sem burocracias, digitalizando contratos e reduzindo custos operacionais e transacionais, em um ambiente seguro e completo, onde tudo que acontece é imutável e rastreável.
MIDAS - Possibilitar o acesso a aplicações financeiras, antes restritas a possíveis investidores, àqueles que não possuem a quantidade de recurso mínimo para acessá-las e detêm pouco ou nenhum conhecimento sobre o mercado financeiro. Alcança ainda aquelas pessoas cujo retorno sobre seus investimentos são irrisórios ou inexistentes, educando-as na prática de forma interativa.
SPIN PAY - um produto que viabiliza a captura, autenticação e liquidação de uma transação de pagamento em compras online. O produto possibilita que um consumidor possa utilizar o saldo de sua conta para compras em plataformas online, direto do aplicativo da instituição financeira ou de pagamento de sua escolha.
P2P Lending com Blockchain - promover o uso da tecnologia de blockchain aplicada ao ambiente de uma Fintech de empréstimos P2P, com uma parceria com uma Instituição Financeira para a realização de Cash-in e Cash-out da plataforma de P2P, bem como o uso de um parceiro de histórico financeiro para determinar o risco do empréstimo ao investidor da plataforma de empréstimos P2P.
PROVI - Plataforma para elaboração de contratos de Income Share Agreement (ISA) onde estudantes possam realizar um curso sem desembolso de recursos à vista e comecem a pagar apenas depois de conseguirem uma renda mínima.
QUADRA URBANA - uma plataforma de gestão e rentabilização do ativo imobiliário, destinada a proprietários de imóveis e locatários que propiciará a estruturação de dados do mercado imobiliário (ex.: preço de venda, valor de locação, velocidade vendas) e viabilizará a antecipação de recebíveis de aluguéis para proprietários de imóveis por meio de um experiência 100% digital.
SAQUE SUPER FÁCIL - propor um modelo inovador para o processo de saque de dinheiro, melhorando a experiência dos clientes por meio da implantação da função saque nas máquinas de cartão instaladas nas empresas.
SAXPERTO - permitir que clientes de bancos digitais ou carteiras digitais façam micro saques a partir de seu saldo disponível, através de uma rede de varejistas credenciados a um custo bastante reduzido.
SAZ - é uma plataforma de Serviços para integrar serviços de várias instituições financeiras em um único aplicativo desenvolvido no modelo de Banking as a Service (BaaS).
TRANSFERHUB - é uma plataforma digital de tecnologia financeira voltada para o mercado de câmbio, que realiza o “casamento” das operações de compra e venda de moeda estrangeira para transferências internacionais.
VENCEHOJE - uma solução para busca automática de boletos e faturas gerados para um determinado CPF ou CNPJ, reunindo e organizando as obrigações em um único lugar de maneira segura e rápida.
WIP - é uma projeto de pesquisa aplicada um modelo de estimativa da probabilidade de demissão do colaborador de uma empresa privada. O modelo serve como insumo para a análise de crédito na modalidade consignado privado e outras modalidades, reduzindo o risco de default e, consequentemente, a taxa de juros ofertada.
Fonte: Banco Central, em 03.01.2020