![]() Antonio Penteado Mendonça |
Os kamikazes tomaram o nome do vento sagrado que destruiu a frota de invasão chinesa pouco antes de chegar na costa do Japão. Eram pilotos recrutados para missões só de ida, ou seja, o piloto deveria atirar seu avião em cima de um dos navios da frota norte-americana, se aproximando cada vez mais do Japão. Ao contrário do que muita gente pensa, não eram apenas pilotos idealistas, dispostos a morrerem pelo imperador. Ao contrário, a maioria era colocada nos aviões a força e o argumento era simples: se não voassem suas famílias pagariam o preço da deserção. Não havia alternativa, o piloto kamikaze sabia que morreria no final de sua missão. Pilotos mal treinados, com poucas horas de voo, suficiente para decolarem, voarem e atirarem suas aeronaves de encontro aos navios, eles sabiam de seu destino e mais de um tentou desertar para fugir dele. Mas ao final da guerra os kamikazes não cumpriram sua missão, não destruíram a frota americana e, enorme ironia, a paz foi assinada no tombadilho do encouraçado Missouri, atracado na baia de Toquio. A diferença entre os kamikazes japoneses e parte dos motoqueiros e ciclistas que trafegam por São Paulo é enorme. Se bem que, na essência, possa parecer, ou melhor, se mostre, menor do que de verdade é. Os nossos pilotos de veículos de duas rodas são comparáveis aos pilotos suicidas japoneses no que diz respeito ao absoluto desprezo a vida, depois de embarcados. A diferença que faz toda a diferença é que os pilotos japoneses não tinham escolha, seus aviões não tinham sequer combustível para o voo de volta, decolavam, voavam, se atiravam sobre os navios e morriam, querendo ou não. Os motoqueiros e ciclistas que imitam os kamikazes, ao contrário deles, têm outras opções, além do acidente, que pode ou não ser fatal. Não há razão para conduzirem seus veículos da forma como o fazem. Não há razão para pedalar uma bicicleta na contramão, ou na pista central de uma grande avenida. Não há por que dirigir a moto feito um maluco, cortando o tráfego pela direita e na próxima esquina cruzar a frente dos motoristas e entrar a esquerda. Cada dia mais aumenta o número de mortos em acidentes de trânsito, Brasil a fora. Diz o governo, o que pode ser lido como diz a lenda, que alguns anos atrás esse número tinha caído para menos de 37 mil por ano. Mas, se isso foi verdade, já deixou de ser. Voltamos a nos aproximar dos 40 mil mortos e grande parte é de motociclistas, com o número de ciclistas em constante ascensão. Como a fiscalização de trânsito é deficiente, a preparação dos motoqueiros e ciclistas para as ruas das grandes cidades ineficiente e o aumento rápido e consistente do seu número só aumenta os riscos, não é de se esperar qualquer mudança no curto prazo, o que é uma péssima notícia para todos, incluídas as seguradoras, mas, principalmente, as famílias dos que por absoluta imprudência, para não falar em alguma alteração mental, acabam mortos nas ruas brasileiras. |
Fonte: SindSeg SP, em 17.07.2026.
