Pesquisa apresenta a primeira régua de maturidade em IA entre as instituições financeiras, com nota média de 2,7 em uma escala de 1 a 5.
Nove em cada dez instituições do mercado de capitais brasileiro usam algum tipo de inteligência artificial nos seus processos. É o que mostra a nossa pesquisa inédita Retrato da Inteligência Artificial no Mercado de Capitais, realizada em parceria com o Datafolha e a MatchIT.
Para mapear como as empresas têm incorporado a tecnologia em suas operações, foram entrevistadas 177 instituições entre associadas e aderentes aos nossos códigos de autorregulação. O levantamento identifica que a IA está presente em atividades como análise de dados, automação de processos, produtividade, gestão de riscos e suporte à tomada de decisão.
A partir dos resultados dessa fotografia setorial, apresentamos também o primeiro Índice de Maturidade em IA voltado ao mercado de capitais brasileiro, que posiciona o setor em um estágio intermediário de evolução, com nota média 2,7 em uma escala de 1 a 5, correspondente à fase de estabilização. "O índice mostra um mercado em transição entre a experimentação e a escala. A IA já está presente na rotina das instituições, mas ainda há espaço para evoluir na consolidação de processos, governança e geração de valor de forma estruturada e sustentável", afirma Marcelo Billi, nosso superintendente de Inovação, Sustentabilidade e Educação.
Um mercado em aceleração
Para 59% das empresas, a relevância da IA aumentou significativamente nos últimos 12 meses, e 63% acreditam que sua importância continuará a crescer no próximo ano. Nenhuma das instituições participantes prevê perda de relevância da tecnologia no horizonte avaliado.
Os benefícios já percebidos ajudam a explicar esse movimento. Entre as empresas que utilizam IA, 80% apontam aumento de produtividade, 75% destacam a automação de tarefas e 57% relatam apoio à tomada de decisão e redução de riscos ou erros. As aplicações mais difundidas estão ligadas à ciência de dados (72%) e aos modelos generativos (67%), seguidas por machine learning (48%) e processamento de linguagem natural (36%).
Adoção não é sinônimo de maturidade
A pesquisa mostra que o mercado ainda está construindo as bases para escalar seu uso. Enquanto 48% das empresas afirmam utilizar IA em áreas-chave com ganhos de eficiência, apenas 11% já integram a tecnologia a processos críticos de negócio e somente 3% relatam vantagem competitiva clara decorrente de seu uso. Os dados sugerem que o desafio está em transformá-la em uma competência estratégica integrada ao negócio.
Governança e mensuração aparecem como pontos centrais dessa transição. Menos de um terço das instituições informa possuir estruturas de governança de dados classificadas como estruturadas ou avançadas, enquanto apenas 12% se posicionam em estágios avançados em relação às políticas de uso responsável. Já no acompanhamento de resultados, 43% das empresas usuárias avaliam os impactos da IA apenas de forma subjetiva, sem métricas estruturadas, e somente 3% possuem indicadores corporativos integrados à estratégia da organização.
O que precisa avançar
Os resultados mostram que as perspectivas do mercado são positivas. Entre as empresas participantes, 93% acreditam que a IA aumentará a eficiência dos processos internos, 90% enxergam potencial para geração de diferenciais competitivos e 73% veem oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio.
Para que esse potencial se concretize, no entanto, o setor ainda precisa endereçar desafios importantes. Entre as instituições que utilizam IA, 61% apontam obstáculos para ampliar seu uso de forma segura e estruturada.
A necessidade de novos controles e auditorias aparece como o principal ponto de atenção, seguida pela falta de capacitação e treinamento, custos de implementação, questões relacionadas à segurança e privacidade, escassez de especialistas e ausência de políticas e procedimentos internos estruturados.
A próxima etapa envolve construir as condições necessárias para ampliar seu uso com segurança, governança, mensuração consistente e integração às estratégias das organizações.
Sobre a pesquisa
A pesquisa integra as iniciativas da Rede ANBIMA de Inovação e faz parte do ANBIMA em Ação 2026. O levantamento ouviu 177 instituições do ecossistema da Anbima entre 21 de janeiro e 6 de abril de 2026, com nível de confiança de 95%. Entre os respondentes, sete em cada dez ocupam cargos de liderança, como C-Level, diretorias e superintendências.
O relatório completo pode ser acessado neste link.
Conheça o ANBIMA em Ação 2026
O ANBIMA em Ação 2026 é o conjunto das principais iniciativas estratégicas da associação para este ano. Esse planejamento está ancorado em três frentes principais: desenvolvimento de mercados, institucional e transformação. Confira aqui o plano completo.
Fonte: Anbima, em 11.09.2026.