Encontro conduzido pelo diretor da ANTT, Felipe Queiroz, na B3, em São Paulo, reuniu especialistas, governo e mercado no dia do leilão da Rota das Gerais e colocou o usuário no centro das decisões sobre infraestrutura

Fotos: Alberto Ruy / Comunicação ANTT
Na manhã desta terça-feira (31/3), enquanto o país volta os olhos para mais um leilão de rodovias federais, um movimento igualmente estratégico acontece nos bastidores da infraestrutura brasileira. O Infra Talks – Conversas que pavimentam o futuro abriu sua primeira edição de 2026 reunindo, na sede da B3, em São Paulo, algumas das principais lideranças públicas e privadas do setor para discutir um tema que impacta diretamente a vida de quem está na estrada: o seguro-garantia nos contratos de concessão.
Mais do que um evento técnico, o encontro funciona como um espaço de escuta, articulação e construção conjunta. É onde decisões ganham contexto, desafios são enfrentados de forma transparente e soluções começam a ser desenhadas com foco em quem realmente importa: o cidadão. O encontro foi conduzido pelo diretor da ANTT, Felipe Queiroz, que participou da mesa de abertura ao lado do diretor-presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, do diretor-presidente da Infra S.A, Jorge Bastos, e do diretor-executivo da FenSeg, Danilo Silveira.
Realizado em parceria com o Ministério dos Transportes e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Infra Talks aconteceu das 8h30 às 12h, com transmissão ao vivo pelos canais da ANTT e da B3 no YouTube, além de participação presencial gratuita, mediante inscrição.
Um debate que sai do papel e chega à vida real
O tema desta edição, “Seguro-garantia em contratos de concessão de rodovias: desafios e oportunidades”, pode parecer distante à primeira vista, mas tem efeito direto na qualidade das rodovias, na continuidade das obras e na segurança dos usuários.
Na prática, o seguro-garantia é um dos principais instrumentos que asseguram que contratos sejam cumpridos. Quando bem estruturado, ele protege o interesse público, garante que investimentos aconteçam e evita que problemas contratuais se transformem em obras paradas ou serviços precários.
Ao longo da manhã, os especialistas discutiram desde os entraves na contratação e acionamento desses seguros até possíveis melhorias regulatórias e o impacto da qualificação das seguradoras no desempenho das concessões.
Conectar para avançar
A escolha de realizar o evento no mesmo dia de leilão não é coincidência, é estratégia. O Infra Talks nasce justamente dessa integração entre teoria e prática, entre decisão e execução.
Na abertura institucional, o diretor da ANTT, Felipe Queiroz, destacou o papel do encontro como ponto de convergência do setor. “Estamos na casa da infraestrutura, mais uma vez, no dia de um leilão que já é bem-sucedido pela quantidade de propostas e novos proponentes. Mantemos a cadência de um programa de concessões rodoviárias que tem sido bastante exitoso. A ideia é reunir os principais players, aproveitar toda a dinâmica em torno da B3 e tratar de temas relevantes, com participação qualificada do mercado. Foi um insight que se mostrou bem-sucedido", disse.
Reforçando o momento estratégico do setor, o diretor destacou a dimensão do ciclo atual de concessões no país. “Hoje tivemos mais uma edição de grande sucesso do Infra Talks, desta vez dedicada a um tema central para o futuro das concessões rodoviárias no Brasil: o seguro-garantia. O país vive o maior ciclo de concessões da sua história, com 17 leilões federais realizados em 2024 e 2025, somando R$ 230 bilhões em investimentos projetados ao longo de 30 anos, além de uma nova carteira que pode alcançar R$ 343 bilhões e 8,4 mil quilômetros de rodovias”, afirmou.
Segundo ele, esse novo cenário reposiciona o papel do seguro-garantia dentro dos contratos. “Nesse contexto, o seguro-garantia deixa de ser um instrumento acessório e passa a ocupar um papel central na arquitetura de risco das concessões”, explicou.
Felipe Queiroz também ressaltou a importância do alinhamento entre os agentes do setor. “Na abertura do evento, destacamos a necessidade de aproximar reguladores, seguradoras e concessionárias para aprimorar a avaliação de riscos, qualificar a seleção de players e permitir uma precificação mais assertiva, evitando distorções que onerem os projetos tanto na fase de licitação quanto ao longo de contratos que podem durar até 30 anos”, pontuou.
Para o diretor, o instrumento é determinante para garantir resultados concretos à sociedade. “O seguro-garantia é peça-chave para proteger o interesse público, assegurar a execução das obras e garantir a entrega de infraestrutura de qualidade. No cenário atual, ele deixa de ser apenas um mecanismo de mitigação de riscos e passa a atuar como indutor de desenvolvimento e sustentabilidade da infraestrutura no país”, completou.
Infraestrutura que se traduz em cuidado
Com três painéis temáticos, o encontro reuniu representantes da ANTT, seguradoras, concessionárias, órgãos reguladores e especialistas do mercado financeiro para discutir, de forma direta, o que funciona, o que precisa melhorar e quais caminhos podem tornar os contratos mais robustos e confiáveis.
Mas, no fim das contas, o impacto vai muito além dos contratos.
Cada avanço regulatório, cada melhoria na modelagem e cada decisão técnica tomada em ambientes como o Infra Talks se refletem em rodovias mais seguras, serviços mais eficientes e viagens mais tranquilas para milhões de brasileiros.
É essa conexão, entre o debate técnico e a vida real, que transforma o evento em algo maior.
Mais que um evento, um posicionamento
Com a promoção do Infra Talks, que chega à sua sétima edição em um momento-chave do calendário de concessões, a ANTT reforça seu papel como articuladora de soluções, promotora de diálogo e guardiã do interesse público.
Em um setor onde cada decisão impacta diretamente vidas, o compromisso é claro: construir uma infraestrutura mais moderna, resiliente e, sobretudo, mais humana.
Porque, no fim da rodovia, não estamos falando apenas de contratos ou investimentos. Estamos falando de pessoas.
Assista, na íntegra, à transmissão do InfraTalks
Fonte: ANTT, em 31.03.2026