Vice-presidente da Fides fala sobre os principais desafios dos países da região.
O executivo Recaredo Arias Jimenez, vice-presidente da Fides, participou na semana passada do 3º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. No intervalo do encontro, ele falou com exclusividade ao portal da CNseg, identificando os principais desafios dos países da América Latina e os efeitos de algumas variáveis, como inflação, violência e regulação, para o mercado segurador regional. Veja a breve entrevista concedida Recaredo Jimenez, que também é diretor geral da Associação Mexicana de Instituições de Seguros (Amis).
O que há de comum entre os mercados de seguros da América Latina e quais são seus principais desafios?
Esta é uma pergunta muito boa. Temos muitos problemas em comum, como os riscos provocados pela natureza a e baixa penetração do seguro em nossos países. Este último problema tem a ver com o poder de compra da população e com a falta de conhecimento dos benefícios do seguro. De certo modo, a oferta de microsseguro, cada vez mais comum entre os países da região, busca reduzir este gap, ao alcançar a base da pirâmide social, buscando não só colocá-la sob a proteção de seguros, mas também ampliando gradualmente seu entendimento das coberturas disponíveis.
O mercado regional é uniforme?
Apesar de algumas semelhanças, não podemos incorrer no erro de achar que todos os países são iguais. Eles têm hábitos e costumes diferentes. E, nós, seguradores, temos de levar isso em conta e adaptar nossos produtos, assim como os canais de distribuição, para cultura e realidade de cada país. E vale lembrar que, no caso do seguro, não podemos considerar apenas o porte do país, tendo em vista que há nações menores com respostas muito positivas em termos de resultados, incluindo em termos de regulação.
Mas há pelo menos três fatores recorrentes na América Latina: violência, inflação alta e alguma intervenção governamental...
Estes três fatores são muito importantes para o mercado segurador. A violência afeta toda a sociedade e, em particular, o mercado segurador, porque torna seus produtos mais caros, como seguro de vida, de automóvel, de roubo e furto, de transporte, e de valores. Já a inflação é o maior inimigo do mercado de seguros. Isso porque o seguro se desenvolve melhor quando há estabilidade de preços e desenvolvimento econômico. Um bom exemplo disso, aliás, é o Brasil. Desde que sua economia se estabilizou, o país saiu de uma participação de 31% para 50% da América Latina, alcançando a liderança regional. Por fim, a regulação é outro componente importante e, quando é adequada e pertinente, pode contribuir para um crescimento mais portentoso do mercado, sem desproteger o consumidor.
Fonte: CNseg, em 16.04.2014