Se o ano de 2016 tinha sido muito bom para a performance dos planos de benefícios administrados pelas entidades fechadas, em 2017, o desempenho foi melhor ainda. Apesar de não contar com dados consolidados da Previc do encerramento do ano passado, algumas consultorias já mostram que a rentabilidade da grande maioria dos planos superou com folga as metas do período.
No caso da consultoria Aditus, que acompanha 230 planos, que totalizam recursos da ordem de R$ 200 bilhões, 94% deles superaram suas metas em 2017. Segundo o Sócio-Diretor da Consultoria, Guilherme Benites, duas forças contribuíram para o excelente resultado do ano: o retorno claramente positivo das principais classes de ativos e a queda dos indicadores de inflação. O IPCA fechou 2017 em 2,95%, enquanto o INPC, em 2,07%.
“A renda variável foi muito bem em 2017, acumulando dois anos de forte alta. E também a renda fixa e o mercado imobiliário tiveram desempenho muito bom. Difícil encontrar alguma classe de ativo que não foi bem no ano passado”, diz Benites. Mas o principal diferencial de 2017, em comparação com ano anteriores, foi mesmo a desaceleração do ritmo inflacionário. “A redução da inflação impactou na diminuição das metas atuariais, por isso, a grande maioria dos planos ficou acima das metas”, explica o Sócio-Diretor da Aditus.
Isso ocorre porque a meta é uma composição do índice de inflação mais uma taxa atuarial que costuma variar entre 5% e 6%. No caso dos planos que utilizam o INPC, a meta atuarial ficou abaixo de 8% no ano passado. Considerando apenas o CDI, que ficou em 9,93%, já seria possível bater as metas da maioria dos planos.
Altos retornos - No caso da Mercer, o desempenho dos planos acompanhados pela área de investimentos da consultoria também superou com ampla margem as metas. A mediana das aplicações em renda fixa dos planos ficou em 11,26%. “O fechamento das curvas de juros promoveram um forte retorno para os fundos IMA-B 5 e IMA-B 5+”, explica Raphael Santoro, Consultor de Investimentos da Mercer.
A renda variável teve desempenho ainda melhor. A mediana de todas as carteiras acompanhadas pela Mercer alcançou 26,57% de retorno de Bolsa. A alocação média dos planos no final do ano passado era de 90% de renda fixa, 8% de renda variável e 2% de outras classes (estruturados, imóveis, empréstimos).
A mediana do retorno de todas as carteiras da Mercer, que acompanha 50 planos, foi de 12,5%. Apesar de ficar abaixo do retorno médio de 2016, que foi de 16,14%, o desempenho foi bastante positivo, justamente por causa da queda na inflação. O IPCA de 2016 tinha sido de 6,29%, bem acima do índice registrado em 2017.
Fonte: Acontece Abrapp, em 22.01.2018.