Por Vitor Ferreira
O avanço da saúde digital expõe um paradoxo: hospitais mais tecnológicos nem sempre se tornam mais eficientes para profissionais e pacientes.
Há uma frase que deveria incomodar qualquer liderança hospitalar: nem toda tecnologia melhora a operação; algumas apenas digitalizam o sofrimento.
Vejo hospitais investindo milhões em sistemas, plataformas, dashboards, robôs, aplicativos e camadas sofisticadas de integração. No PowerPoint, tudo parece moderno. Na reunião do board, tudo parece estratégico. No discurso institucional, tudo soa como inovação.
Mas, na prática, o paciente continua esperando. E, pior: muitas vezes, espera mais.Não por falta de tecnologia. Mas por excesso de tecnologia mal desenhada.
O hospital instala soluções “de ponta”, mas a enfermagem precisa clicar mais. O médico precisa registrar a mesma informação em campos diferentes. A recepção alterna entre sistemas que não conversam. O gestor olha dashboards bonitos, mas incapazes de revelar onde o cuidado realmente trava.
Fonte: Saúde Business, em 28.05.2026