Por Adriana Barreto (*)
Sabemos que a adoção da governança corporativa é extremamente importante para as empresas, independentemente de seu porte, setor de atuação ou natureza do capital.
Contudo, infelizmente, muitos empreendedores e executivos ainda enxergam o investimento necessário como custo. Em geral, eles até conhecem os passos que devem dar em direção às melhores práticas, mas caminham devagar (ou quase parando) para não incorrer em despesas que, ao seu ver, são evitáveis naquele momento.
Esse pensamento, talvez, remeta ainda à chegada do conceito de governança no Brasil, em meados dos anos 90. Naquela época, a governança corporativa, um conjunto de práticas transparentes, responsáveis e equânimes, mostrou-se um “plus” para as empresas que a adotaram. E, por muitos anos, continuou assim. O investidor, inclusive, estava disposto a pagar um “prêmio”, ou seja, um valor adicional por essas empresas
Nesse contexto, algumas grandes empresas tiveram mais condição e estrutura para dar atenção ao tema e despontaram como modelos em governança. As PMEs, com outros desafios e obstáculos para enfrentar, acabaram ficando para trás.
Hoje, porém, temos um cenário distinto e a tal governança ganhou uma importância irrevogável. Ela não é mais um diferencial, tornou-se condição para competir. Se antes o investidor comprava o ativo olhando para sua estrutura de governança para diferenciá-lo, hoje ele faz o mesmo movimento, porém aplica um desconto àquelas empresas que não fizeram sua lição de casa nesse aspecto. O investidor evoluiu e se tornou mais exigente, mas será que os empresários acompanharam essa evolução?
A resposta é não. Embora muitas empresas estejam trilhando a jornada de adoção das melhores práticas recomendadas pelo IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – a maioria ainda não se movimentou. E pior, acredita que esteja num jogo de soma zero. Ou seja, não tem governança e assume apenas que não é elegível ao bônus que ela traz e ao prêmio pago por ela. Mal sabem essas empresas que não só estão deixando de ganhar, mas também que já estão perdendo.
Imagino que muitos, especialmente aqueles mais pragmáticos, se questionem: Afinal, como a falta de governança corporativa pode impactar no crescimento e na operação do meu negócio?
- Custo de capital: se a sua empresa não adota boas práticas de governança corporativa, o dinheiro custará mais caro para ela. Há uma relação expressa entre o aprimoramento da governança e a redução do custo de capitação com terceiros.
- Sustentabilidade: a governança corporativa é instrumento indispensável para a sustentabilidade de um negócio. Seu planejamento estratégico, gestão e sucessão, sem mencionar outros pontos, passam por instâncias e processos de governança.
- Valor de mercado: Quanto vale a sua empresa? O valuation, além de refletir cálculos matemáticos objetivos, considera também o futuro daquele negócio e percepções de mercado. Será que o mercado se sente confortável com um ativo que não consegue apresentar informações claras e precisas e cujo futuro é questionável?
- Concorrência: ter uma estrutura robusta de governança, certamente, reflete em processos mais ágeis e eficientes. A operação da empresa difere de seus competidores que não estão estruturados. A falta de governança pode impactar no seu market share? Sim, uma hora a conta vai chegar.
- Conflitos e divergências de interesse: não há como evitar que eles ocorram. A governança, nesse caso, é a ferramenta que irá gerenciá-los. Infelizmente, nem sempre os negócios crescem na mesma proporção que os desentendimentos entre sócios, sejam eles de uma mesma família ou não. Além disso, os interesses de cada um podem ser colocados acima do bem da empresa.
Se você está convencido de que o investimento em governança não só agrega valor, mas também previne sua destruição, acesse o nosso Diagnóstico e descubra o quão preparada a sua empresa está, em termos de governança corporativa, para crescer de forma sustentável e competitiva.
(*) Adriana Barreto integra a Superintendência de Prospecção de Empresas da BM&FBOVESPA desde Jan/13. Nessa função, é responsável pelo relacionamento com as empresas que ainda não estão listadas em bolsa de valores, desenvolvendo atividades voltadas à capacitação empresarial e à preparação para abertura de capital. Gerencia ainda o canal de comunicação virtual da BM&FBOVESPA com esse público, o Vem pra Bolsa. Atuou também nas áreas de Desenvolvimento de Negócios da EY e do Banco Santander. Possui 8 anos de experiência na área de novos negócios, 6 deles dedicados ao relacionamento com pequenas e médias empresas. Com MBA em Economia Empresarial (USP) e pós graduação em Negócios Internacionais (Mackenzie), é graduada em Relações Internacionais (UNESP) e tem cursos de especialização em Vendas & Marketing (ESPM) e Administração (FGV).
Este artigo reflete as opiniões do autor e não deve ser interpretado como opinião da BM&FBOVESPA ou como recomendação de investimento. A BM&FBOVESPA não se responsabiliza nem pode ser responsabilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência de seu uso para qualquer finalidade.
Fonte: BM&FBOVESPA, em 15.09.2016.