O Presidente Donald Trump pode estar enfrentando muitas críticas, dentro e fora dos Estados Unidos, mas com certeza os fundos de pensão holandeses nem cogitam de queixar-se dele e de suas políticas. Empurrados para baixo pela queda dos preços das ações e dos juros, eles caminhavam para ter de adotar medidas restritivas previstas pela legislação no caso de cobertura insuficiente, abaixo de determinado piso, para o passivo de seus planos. Mas com Trump escaparam “milagrosamente” disso, registra a Investment & Pension Europe - IPE.
Os fundos de pensão holandeses encontravam-se perto do final do ano passado em um nível de financiamento de suas obrigações de 96%. Bastou o resultado da eleição americana, no entanto, com o advento das promessas do eleito de que iria reduzir impostos sobre as empresas (em especial sobre os seus lucros) e concentrar investimentos na infraestrutura, para que os ventos mudassem de direção. A expectativa de que a partir daí os investidores ganhem com as ações e os juros ajudou a reverter o quadro.
A reação positiva dos mercados se estendeu ao mês de janeiro, mas já no fechamento de 2016 os fundos holandeses já registravam a elevação do nível de financiamento do passivo para 102%. A taxa de swap de 30 anos - principal critério utilizado pelos holandeses para o desconto - saltou de 0,72%, em agosto, para 1,23% no final do ano.
Os fundos foram assim dispensados de adotar agora medidas mais fortes, mas a verdade é que foi por enquanto apenas um adiamento, um prazo a mais que ganharam para ter de cortar em algum lugar. Se conseguirem subir o nível de financiamento para o piso mínimo de 105%, aí sim estarão livres por 5 anos.
O maior dos fundos holandeses, o ABP, por exemplo, comemora porque o nível de cobertura ficou "bem acima do ponto crítico de 90%."
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 02.02.2017.