A Fundação Cesp (Funcesp), que possui mais de R$ 26 bilhões em patrimônio, receberá em seu caixa cerca de R$ 2,3 bilhões em recursos provenientes de investimentos em títulos públicos e de crédito privado com vencimento em 2017 e da venda conjunta de participação na CPFL Energia, concluída no ano passado. De acordo com o diretor de investimentos da fundação, Jorge Simino, o desafio da entidade para este e o próximo ano será reinvestir esse montante diante de um cenário de queda de taxa de juros. “Nosso desafio será localizar ativos adequados para realocar esse dinheiro que entrará em nosso caixa ao longo do ano”, explica. A fundação deverá receber cerca de R$ 1,2 bilhão com o vencimento da NTN-C em julho deste ano, R$ 700 milhões provenientes de emissores de crédito privado e R$ 450 milhões resultantes da venda da CPFL Energia para a chinesa State Grid.
Simino destaca que desde que o cenário de queda da taxa de juros fez com que a fundação voltasse a tomar risco no final do ano passado, aplicando mais em multimercados, ações em mercado e NTN-Bs e reduzindo os investimentos em títulos públicos. “Até então, deixar o dinheiro rendendo em títulos públicos garantia o alcance da meta. Mas com a perspectiva de taxas a 8,5% no final do ano, tivemos que movimentar os recursos”, salienta Simino.
No primeiro trimestre de 2017, a Funcesp obteve 5,97% de rentabilidade, ficando bem acima da meta atuarial de 2,84%, e o principal direcionador desses resultados foi a valorização do mercado de ações, de acordo com Simino. Já o mês de abril foi mais complicado, segundo o diretor, por conta de estresse em relação ao cenário político, principalmente em meio às discussões sobre a reforma da previdência. “A bolsa caiu e o preço dos títulos públicos também”, explica. “Ainda assim, nosso acumulado do ano é positivo”, complementa.
Fonte: Investidor Institucional, em 03.05.2017.