A Operação Pausare, que investiga desvios de recursos do Postalis, o fundo de pensão dos empregados dos Correios, foi mais um sinal de que o Ministério Público e a Polícia Federal estão dispostos a botar na cadeia aqueles que roubam dinheiro de trabalhadores. E quem acompanha de perto as investigações garante que estão avançados os processos que resultarão em ações semelhantes envolvendo as fundações dos funcionários da Caixa Econômica Federal, a Funcef, e da Petrobras, a Petros. Todas acumularam, nos últimos anos, rombos expressivos depois de terem seus comandos rateados entre o PT e o MDB. Juntos, os três fundos apontam deficit superior a R$ 40 bilhões.
A roubalheira nas fundações de previdência ligadas a empresas estatais é histórica. Não por acaso, sempre estamparam as páginas policiais dos jornais. Por terem patrimônios bilionários, são alvos de cobiça de políticos, que se aproveitam das relações promíscuas com os governos de plantão para saquear os recursos que deveriam garantir o complemento da aposentadoria de milhares de trabalhadores. Tudo sob o olhar complacente dos órgãos fiscalizadores, que deveriam prezar pela saúde financeira das entidades, mas preferem fechar os olhos, pois seus dirigentes temem perder os cargos se partirem para o enfrentamento com os donos do poder.
Alguém se lembra de alguma punição severa imposta pela Previc, o órgão responsável por manter a ordem nos fundos de pensão? Também não há registro de medidas corretivas vigorosas tomadas por sua antecessora, a Secretaria de Previdência Complementar (SPC). No máximo, um ou outro dirigente de fundação foi afastado e obrigado a pagar multas irrisórias. Tal leniência só contribui para a farra nas fundações, que se aproveitam de estar longe dos holofotes para escancarar nas irregularidades. Impunidade sempre faz a alegria dos corruptos.
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Fonte: Blog do Vicente - Correio Braziliense, em 02.02.2018.