O diretor de Investimentos e Controle, Emílio Cáfaro, em entrevista, fala sobre o fechamento dos investimentos de 2021 e estratégias da Fundação para este ano.
Como você avalia o cenário macro econômico do final de 2021 e seu impacto em termos de investimentos?
Apesar do reaquecimento das economias no mundo, após os estímulos em decorrência da pandemia, havia possibilidade de diversas melhorias no ambiente de negócio e nas condições macroeconômicas do país. No entanto, a antecipação do debate eleitoral e a pressão por gastos, sem contrapartidas, impediram o avanço de uma discussão produtiva para as reformas e aumentaram o temor de quebra da âncora fiscal do teto dos gastos. Além disso, a deflagração da Guerra entre a Rússia e a Ucrânia abalou os mercados, trazendo uma pressão no preço dos alimentos e das commodities. A consequente perda de ancoragem da inflação vem fazendo com que o Banco Central aumente os juros, o que está impactando diretamente no preço dos ativos de risco e deve afetar fortemente na atividade econômica de 2022. Neste sentido, o cenário é de cautela, com uma exposição mais defensiva nos ativos de risco e uma participação maior de renda fixa de curto prazo, além da importância de ter mantido uma posição em moeda forte.
A Forluz realizou muitas mudanças em relação às suas estratégias ao longo de 2021? Quais foram os principais ajustes táticos?
A Forluz iniciou 2021 com um planejamento para o aumento da sua posição em investimentos no exterior, já identificando um risco maior na dinâmica de atividade no Brasil. No entanto, considerando a deterioração do cenário mais rápida do que o esperado, a Entidade reavaliou o seu posicionamento, reduzindo a exposição em renda variável, em favor da renda fixa, e de forma complementar em uma exposição maior no exterior. Adicionalmente, alterou a composição do seu portfólio de ações, com maior exposição em setores mais defensivos e com a adição de fundos Long-Biased, aumentando a flexibilidade no hedge.
Para 2022, quais as estratégias a serem adotadas?
Entre as principais alterações de alocações estratégicas estão a redução da exposição alvo em renda variável, em contrapartida de um aumento na renda fixa, aproveitando a abertura das curvas de juros com taxas acima das rentabilidades atuariais dos planos. Também segue no planejamento a adequação da carteira no exterior, monitorando o percentual em função do tamanho da nossa carteira e da nossa exposição cambial.
Em relação aos investimentos imobiliários, tem alguma estratégia nova sendo adotada? Há venda de imóveis no radar?
A legislação estabelece que devemos realizar a venda de nossa carteira imobiliária até 2030, mas os estudos já indicam a necessidade de realizar a venda dos imóveis em um prazo menor, para dar uma maior liquidez aos planos de benefícios. Com a perspectiva do fim da pandemia e avaliando a qualidade da nossa carteira de imóveis, onde possuímos ativos com excelente qualidade e localização, entendemos que o momento é de avaliar as alternativas para vendas dos nossos imóveis, reforçando que estamos sempre monitorando o mercado para que seja aproveitada a melhor janela.
Fonte: Forluz, em 31.03.2022.