O diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Chapchap, afirma que o pico dos casos do novo coronavírus na região metropolitana de São Paulo se dará, levando em consideração modelos de cálculos, na terceira semana de abril. A estabilidade na curva de crescimento dos casos se prolongará por três a cinco semanas. Só a partir daí, acontecerá o início da queda da curva de forma mais consistente, quando poderia começar gradualmente o relaxamento do distanciamento social. "Só vamos relaxar com o isolamento social quando a curva tiver em franco decréscimo", diz. Em entrevista ao Estado, Chapchap diz que a obrigação de manter o distanciamento é necessária para evitar o risco trazido pelo crescimento exponencial ao sistema de saúde, principalmente o público.
O Hospital Sírio Libanês, uma das referências no atendimento hospitalar privado no Brasil, triplicou sua capacidade de número de leitos em UTI de 60 para 170, abriu 100 vagas permanentes para médicos e especialistas em saúde, adiou cirurgias eletivas, diversificou sua cadeia de fornecedores de insumos e redirecionou o atendimento aos pacientes com covid-19. "Algumas doenças, como cardio-cérebro vasculares, câncer ou que causam dor, não podem esperar pois poderá piorar o prognóstico. O resto tem de ser adiado", diz Chachap.
Hoje, dos quase 500 leitos em São Paulo, o Sírio tem cerca de 120 pacientes internados com a covid-19.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Qual é a taxa de ocupação hoje do Sírio-Libanês?
Hoje, a taxa de internação é de 55% a 60% e da unidade ambulatorial é de 20%. Essa taxa de ocupação tende a crescer, caso os efeitos da epidemia não sejam mitigados. Temos tido crescimento diário da ocupação dos pacientes da covid-19 entre 10% e 20%, que é a curva contida de crescimento já vista em outros países que adotaram o distanciamento social. Isso já é possível ver nas classes menos vulneráveis.
Fonte: APM, em 03.04.2020