Cátia Rucco, integrante da Comissão de Seguro Rural da FenSeg destaca uso de dados, integração com o crédito e articulação entre os setores público e privado para ampliar a proteção da produção

A construção de um Seguro Rural mais amplo, previsível e integrado à gestão de riscos do agronegócio brasileiro esteve no centro do debate realizado na quinta-feira (3/9), durante a Expointer 2026, em Esteio (RS). Integrante da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Cátia Rucco participou do painel “O seguro que o Brasil precisará em 2045”, que discutiu caminhos para ampliar a proteção da produção diante dos desafios climáticos e financeiros enfrentados pelo setor.
O painel fez parte do encontro “Crédito, seguro e resiliência no campo: construindo os próximos 20 anos”, realizado na Casa do Cooperativismo do Sistema Ocergs. Promovido pelo Instituto Pensar Agro (IPA), com apoio da Meridiana, do Simers e do Sistema Ocergs, o evento reuniu representantes dos setores público, financeiro, securitário e cooperativista.
Cátia dividiu o painel com Vitor Ozaki, da Picsel; Gláucio Toyama, do IRB(Re); Márcio Madalena, secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul; e o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
A discussão ganhou significado especial com uma feliz coincidência: durante a realização do painel, foi aprovado o Projeto de Lei nº 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, que aperfeiçoa o marco legal do Seguro Rural no Brasil. O avanço ocorreu justamente enquanto os participantes discutiam alguns dos principais desafios enfrentados pelo setor, como previsibilidade, gestão de riscos, integração entre seguro e crédito e capacidade de proteção diante de eventos de grande impacto.
Para Cátia, a realização do debate no Rio Grande do Sul tornou a discussão ainda mais relevante diante dos efeitos dos eventos climáticos extremos vivenciados pelo estado nos últimos anos.
“Achei a discussão muito rica, principalmente por acontecer na Expointer, no Rio Grande do Sul, onde os impactos dos eventos climáticos são sentidos de forma muito concreta. Na minha fala, procurei trazer uma reflexão sobre como o seguro rural precisa evoluir. Mais do que indenizar uma perda, ele deve fazer parte da gestão de risco da agropecuária do Brasil, com mais uso de dados, integração com o crédito, participação do Estado e capacidade para enfrentar eventos sistêmicos”, avalia.
Seguro como instrumento de gestão de risco
Durante o painel, Cátia defendeu que o seguro seja incorporado de forma mais direta à análise para concessão de crédito. Nesse modelo, a existência de proteção securitária passa a integrar a avaliação de risco da atividade, contribuindo para uma relação mais estruturada entre financiamento, prevenção e capacidade de recuperação do produtor.
A representante da Comissão de Seguro Rural da FenSeg também destacou a necessidade de o Brasil avançar na construção de uma proteção em diferentes camadas para enfrentar riscos sistêmicos, combinando a capacidade do mercado segurador e ressegurador, a participação do poder público e instrumentos do mercado de capitais.
A discussão, segundo Cátia, precisa resultar em ações capazes de preparar o setor para um cenário de riscos cada vez mais complexos.
“É uma construção que precisa envolver o setor público e o privado e, principalmente, precisa começar agora.”
Fonte: FenSeg, em 09.09.2026
Foto: Giovane Hennemann/Quarto Produtora