Daniel Nascimento, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação, destacou a proteção da renda e do patrimônio do produtor e os desafios para ampliar a área segurada no país

O papel do seguro como instrumento de proteção da atividade agropecuária e de fortalecimento do agronegócio brasileiro foi tema da participação da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) na Jornada Valor de Jornalismo em Mercado de Seguros. Nesta quarta-feira (2), o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação, Daniel Nascimento, participou da aula-debate “O papel do seguro para o fomento do agronegócio brasileiro”, realizada no Valor Econômico, em São Paulo, para uma turma de 20 jornalistas de diferentes regiões do país.
Daniel dividiu o debate com Guilherme Rios, coordenador de Produção Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A mediação foi de Patrick Cruz, editor-chefe de Agronegócios do Valor Econômico e da Globo Rural. A atividade integrou o terceiro dia da imersão promovida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com o Valor Econômico.
Durante a conversa, os participantes discutiram como a proteção securitária contribui para a capacidade de recuperação do produtor diante de perdas que podem comprometer não apenas uma safra, mas também o caixa, o acesso a crédito, os investimentos no ciclo seguinte e, em situações mais graves, a própria continuidade da atividade.
Um dos pontos abordados por Daniel foi a necessidade de compreender o Seguro Rural para além da proteção das lavouras. O segmento reúne diferentes modalidades, entre elas os seguros Agrícola, Pecuário, Aquícola, de Florestas, de Benfeitorias e Produtos Agropecuários, de Penhor Rural e de Vida do Produtor Rural.
Desafio de ampliar a proteção
A expansão da área protegida foi outro tema da aula-debate. Em 2021, ano de maior alcance recente do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), a área segurada chegou a 13,77 milhões de hectares, cerca de 14% da área cultivada. Em 2024, caiu para aproximadamente 7,15 milhões de hectares e, em 2025, recuou para 3,2 milhões, equivalente a aproximadamente 2% a 3% da área potencialmente segurável.
O PSR reduz parte do custo da contratação para o produtor por meio da subvenção pública ao prêmio do seguro. Para culturas e atividades em geral, o percentual de subvenção é de 40%, enquanto para a soja é de 20%.
O debate tratou ainda da importância da previsibilidade de recursos para ampliar a proteção no campo. O risco agrícola é fortemente influenciado pelo clima e pode produzir perdas simultâneas em uma mesma região, o que torna a subvenção um instrumento relevante de política agrícola para ampliar o acesso ao seguro.
Clima, inovação e gestão de riscos
Daniel também apresentou aos jornalistas os efeitos que eventos climáticos de grande intensidade podem provocar sobre o mercado. Na safra 2021/2022, por exemplo, perdas excepcionais levaram a uma sinistralidade de 226% e exigiram revisões de preços, condições de cobertura, critérios de subscrição e capacidade disponível.
Entre as alternativas que vêm ampliando as ferramentas de gestão de riscos está o seguro paramétrico, que utiliza índices ou parâmetros objetivos previamente estabelecidos, como volume de chuva e temperatura, para acionar os mecanismos de pagamento previstos no contrato. A modalidade pode funcionar de maneira complementar às formas tradicionais de proteção.
A participação da FenSeg na Jornada também buscou contribuir para a qualificação da cobertura jornalística sobre o Seguro Rural, aproximando profissionais de imprensa dos conceitos, dados e desafios de um segmento diretamente relacionado à proteção da produção, da renda e do patrimônio no campo.
Fonte: FenSeg, em 03.09.2026