Agenda para 2027–2030 reúne propostas para ampliar o acesso aos planos de saúde, fortalecer a integração com o SUS, aprimorar a incorporação de tecnologias e combater fraudes e desperdícios
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) lançou o documento "Propostas FenaSaúde para o futuro da saúde suplementar brasileira (Agenda 2027–2030)", voltado aos candidatos à Presidência da República, ao Congresso Nacional, reguladores e formuladores de políticas públicas.
A iniciativa propõe uma modernização regulatória para enfrentar os grandes desafios do setor, como o envelhecimento acelerado da população, a inflação médica global, a prevalência de doenças crônicas e a escalada de fraudes e da judicialização, garantindo a ampliação do acesso à saúde com qualidade e sustentabilidade econômica.
A agenda estratégica apresentada aos presidenciáveis e parlamentares baseia-se em quatro eixos fundamentais:
- Mais integração entre os sistemas público e privado de saúde: reconhecendo que o SUS e a rede privada operam sobre uma mesma infraestrutura assistencial, a FenaSaúde defende o avanço da interoperabilidade via Prontuário Eletrônico Unificado. A proposta inclui ainda parcerias para redução das filas do SUS em exames e consultas especializadas (onde se concentram mais de 70% da espera), protocolos clínicos unificados e a liberação do código CID nas prescrições médicas para melhorar a gestão epidemiológica.
- Ampliação do acesso à saúde: para levar os planos a mais brasileiros (hoje o setor atende 53,1 milhões de beneficiários em coberturas médicas), o documento sugere a criação de novas modalidades de produtos focados em atendimento ambulatorial e atenção primária. Além disso, propõe regras mais flexíveis para o reajuste de planos individuais por meio do agrupamento de carteiras e a ampliação transparente de fatores moderadores, como coparticipação, franquia e franquia agregada anual, permitindo a oferta de mensalidades até 35% mais baratas.
- Maior racionalidade na incorporação de tecnologias em saúde: a entidade propõe a criação de uma instância única nacional de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) para o SUS e o setor privado, garantindo decisões baseadas em evidências de custo-efetividade, impacto orçamentário e a pactuação prévia de preços viáveis com a indústria, além do uso de acordos de compartilhamento de riscos financeiros e clínicos.
- Combate às fraudes e desperdícios: a proposta defende a implementação de uma base unificada de dados sobre fraudes para compartilhamento entre operadoras e órgãos de segurança, o endurecimento da legislação sobre corrupção privada e a obrigatoriedade do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) integrado aos sistemas de pagamento como ferramenta de governança e integridade.
"O sistema de saúde brasileiro enfrenta uma transformação estrutural sem precedentes. O envelhecimento da população e a chegada de tecnologias de altíssimo custo exigem que abandonemos soluções isoladas e passemos a agir de forma integrada. O objetivo da FenaSaúde com esta agenda apresentada aos candidatos de 2026 é construir um ambiente regulatório previsível e moderno, que proteja o mutualismo, combata o crime organizado que drena recursos da saúde e abra espaço para modelos de planos mais acessíveis, permitindo que mais brasileiros tenham acesso a uma assistência de qualidade sem sobrecarregar o SUS", destaca Bruno Sobral, Diretor-Executivo da FenaSaúde.
A FenaSaúde reitera que os quatro eixos dependem de cooperação e diálogo técnico permanente entre o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e os órgãos reguladores para garantir a eficiência do sistema de saúde como um todo nos próximos anos.
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Fonte: FenaSaúde, em 01.10.2026