Em Londres, Isaac Sidney afirmou que bancos, mercado de capitais e seguradoras são decisivos para ampliar o financiamento privado à transição climática
O setor financeiro precisa assumir papel central na mobilização de capital privado para a transição climática, defendeu Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), durante a London Climate Action Week. O encontro reuniu lideranças de bancos, mercado de capitais e seguros para discutir formas de reduzir riscos e ampliar o financiamento climático.
Sidney participou do evento “Diálogos de Liderança COP30-COP31: Ampliando o Financiamento e os Seguros para um Impacto Global”, promovido pela UNEP FI, iniciativa financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Financiamento climático
No painel de abertura, o presidente da Febraban disse que o sistema financeiro pode transformar compromissos climáticos em projetos financiáveis, com impacto econômico, social e ambiental mensurável. “Bancos, mercado de capitais e seguradoras têm condições de converter ambição climática em investimentos concretos, ao estruturar operações de crédito, proteção financeira e instrumentos de mercado capazes de mobilizar capital em grande escala”, afirmou Sidney.
A Febraban também destacou avanços da agenda ESG do setor bancário brasileiro. Entre eles, estão a gestão de riscos climáticos, a revisão da taxonomia voltada para finanças sustentáveis, a mensuração padronizada de emissões financiadas e o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050.
EcoInvest Brasil
A programação incluiu, ainda, um painel sobre o EcoInvest Brasil, moderado por Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban, com representantes do Tesouro Nacional e do Itaú BBA.
O debate abordou o uso de recursos públicos catalíticos, proteção cambial e crédito estruturado para atrair capital privado a projetos de bioeconomia e restauração em larga escala.
Dados apresentados no encontro mostram que o EcoInvest Brasil já realizou três leilões, mobilizou R$ 127 bilhões em investimentos e captou R$ 56 bilhões no exterior, com 41 projetos contemplados. A quarta edição liberou R$ 13,2 bilhões para iniciativas de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura, dos quais cerca de R$ 9 bilhões são voltados à Amazônia Legal.
Para Isaac Sidney, “a agenda debatida na London Climate Action Week reforça a importância de alinhar políticas públicas, gestão de riscos e instrumentos financeiros para transformar a COP30 em uma plataforma de implementação, capaz de conectar prioridades brasileiras à mobilização global de capital”.
A Mesa Redonda Global da UNEP FI é realizada a cada dois anos e reúne instituições financeiras, reguladores e formuladores de políticas para acelerar a integração entre finanças sustentáveis, resiliência climática e desenvolvimento econômico. Mais informações sobre a programação estão disponíveis no site da Mesa Redonda Global UNEP FI 2026.
Fonte: Febraban, em 25.06.2026.