
Em março de 2026, os planos de previdência da Fachesf mantiveram trajetória positiva no acumulado do ano, ainda que o desempenho mensal tenha sido impactado por fatores conjunturais relevantes. O ambiente de maior volatilidade, marcado pela abertura da curva de juros, pressão inflacionária e incertezas no cenário externo, influenciou de forma distinta os resultados dos planos.
Nos planos BD, BS e CD BCO, as rentabilidades mensais ficaram abaixo das respectivas metas de investimentos. Esse desempenho foi condicionado, principalmente, por efeitos técnicos na atualização dos títulos públicos indexados à inflação, além da elevação da própria meta no período, em função do IPCA mais elevado. Apesar do resultado do mês, esses planos seguem próximos às suas metas no resultado acumulado do ano.
Já os planos de Contribuição Definida apresentaram resultados moderados em março, após sequência de desempenhos positivos nos meses anteriores. No acumulado do ano, CD BAC e CD Puro permanecem acima de seus índices de referência, enquanto o RealizePrev apresenta desempenho ligeiramente inferior à sua meta no período, refletindo as condições mais desafiadoras de mercado em março de 2026.
Confira abaixo os resultados de cada plano e acesse os relatórios detalhados na página de Investimentos.
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Plano |
Rentabilidade Mês |
Meta Mês |
Rentabilidade Ano |
Meta Ano |
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*CD BCO¹ |
1,25% |
1,32% |
3,11% |
3,26% |
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*BD¹ |
0,94% |
1,31% |
2,81% |
3,22% |
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*BS¹ |
1,23% |
1,32% |
3,03% |
3,25% |
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CD BAC² |
0,46% |
1,32% |
3,47% |
3,26% |
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CD Puro² |
0,79% |
1,21% |
3,71% |
3,41% |
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RealizePrev² |
0,72% |
1,21% |
3,19% |
3,41% |
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¹Rentabilidade dos Investimentos |
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²Variação da cota líquida |
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* Em março, a rentabilidade dos títulos públicos marcados na curva foi impactada pela metodologia de precificação adotada pela ANBIMA. No período, os títulos do Plano tiveram seus Valores Nominais Atualizados (VNAs) corrigidos pela projeção de IPCA de 0,64%, divulgada pela entidade. Entretanto, em 10/04, foi publicado o IPCA oficial de março, que registrou variação de 0,88%, evidenciando um desvio de 0,24 p.p. em relação à estimativa utilizada para a remuneração das NTN-Bs, a qual ficou abaixo da inflação efetiva que compôs a meta atuarial.
Na prática, isso implica que, ao longo de março, os títulos foram atualizados por uma inflação subestimada, gerando um descasamento temporário e impactando negativamente a rentabilidade no fechamento do mês. Ressalta-se, contudo, que esse efeito tende a ser revertido ao longo de abril, à medida que a atualização pelo IPCA efetivo é incorporada às curvas de precificação.
Adicionalmente, observa-se que a inflação significativamente acima do esperado elevou a meta atuarial do plano no mês, uma vez que esta é atrelada ao IPCA. Com isso, os ativos indexados ao CDI, apesar de apresentarem desempenho positivo, não conseguiram superar a meta atuarial, tendo em vista que o CDI no período foi de 1,21%, inferior à meta mensal do plano.
Cenário Econômico
A economia brasileira segue resiliente, com leve melhora na projeção de crescimento (1,85% em 2026), mas ainda enfrenta pressão inflacionária, com o IPCA de março em 0,88% e expectativa acima de 4%. Diante disso, o Copom iniciou um ciclo cauteloso de corte de juros, reduzindo a Selic para 14,75%, com projeção de 12,50% ao fim de 2026. Nos mercados, o cenário foi de volatilidade, com alta do dólar, leve queda do Ibovespa e abertura da curva de juros, refletindo incertezas externas e fiscais.
Em março, o cenário global se deteriorou com o conflito no Oriente Médio, elevando o preço do petróleo (Brent acima de US$ 110) e aumentando as incertezas sobre inflação e juros. Ainda assim, a economia dos EUA permanece resiliente, com crescimento projetado de 2,4% em 2026, sustentado por estímulos fiscais, consumo forte e baixo desemprego. A inflação segue relativamente controlada (CPI de 2,4%), levando o Fed a manter postura cautelosa, com juros entre 3,50% e 3,75%. Nos mercados, o dólar se fortaleceu, os yields dos Treasuries subiram e as bolsas caíram, com destaque para o S&P 500 (-3,80%) e o Nasdaq (-4,75%).
A Zona do Euro apresenta desaceleração econômica, com crescimento projetado de 1,3% em 2026, em meio à queda da confiança e maior incerteza geopolítica. A inflação segue acima da meta (2,6%), pressionada por energia, levando o BCE a manter postura cautelosa. Nos mercados, bolsas europeias caíram, com destaque para a Alemanha, mais sensível ao cenário externo.
A China projeta crescimento de cerca de 4,5% em 2026, com postura cautelosa diante de desafios internos e externos, apesar de sinais recentes de recuperação industrial. No cenário geopolítico, busca reforçar sua segurança energética e comercial em meio a tensões globais. Os mercados mostraram relativa resiliência, mas ainda registraram queda no mês e leve recuo no ano.
Fonte: Fachesf, em 23.04.2026.