
- A primeira estimativa da resseguradora Swiss Re indica que 2025 registrou uma desaceleração nas perdas econômicas globais provocadas por eventos climáticos extremos. Segundo o levantamento preliminar, os prejuízos totais recuaram para US$ 220 bilhões, uma queda de quase um terço em relação a 2024
- Apesar do alívio estatístico, o número mantém o planeta em um patamar historicamente elevado de danos climáticos, confirmando que o custo dos eventos extremos segue estruturalmente alto
Eventos climáticos: menor impacto econômico, mas ainda em níveis críticos
Do total estimado de perdas econômicas em 2025, cerca de US$ 107 bilhões foram cobertos por seguros, o que representa uma queda de 24,1% em comparação com as indenizações pagas em 2024.
Para a Swiss Re, essa desaceleração está diretamente associada a uma temporada de furacões no Atlântico Norte menos onerosa, especialmente quando comparada ao ano anterior, marcado pela passagem devastadora dos furacões Debby, Helene e Milton.
Nem mesmo os grandes incêndios florestais registrados em Los Angeles foram suficientes para reverter a tendência de recuo observada no agregado anual
Furacão Melissa: o evento mais oneroso de 2025
Apesar do cenário geral de desaceleração, 2025 teve um evento de extrema severidade. Segundo a Swiss Re, o furacão Melissa foi o desastre climático mais caro do ano.
Classificado como um ciclone de categoria 5, Melissa:
- devastou a Jamaica
- avançou sobre o Haiti e Cuba
- apresentou ventos próximos de 300 km/h
- provocou inundações severas e deslizamentos de terra
As perdas seguradas associadas ao evento foram estimadas em até US$ 2,5 bilhões. Para a Swiss Re, trata-se de um dos furacões mais poderosos já registrados a atingir terra firme.
Temporada de furacões: menos impacto financeiro global
A temporada de 2025 contou com 13 tempestades nomeadas, incluindo três furacões de categoria máxima: Erin, Humberto e Melissa.
O fator decisivo, porém, foi tanto simbólico quanto financeiro: pela primeira vez em dez anos, nenhum desses furacões atingiu os Estados Unidos
Como o país concentra uma enorme quantidade de ativos altamente segurados, sua ausência na rota direta dos grandes ciclones contribuiu significativamente para a redução das perdas globais.
Um novo patamar estrutural de perdas seguradas
Apesar do recuo em 2025, a leitura estrutural permanece preocupante. A Swiss Re destaca que este foi o sexto ano consecutivo em que as perdas cobertas por seguros decorrentes de catástrofes naturais superaram US$ 100 bilhões.
Isso indica que o custo dos eventos extremos se consolidou em um novo patamar estrutural, mais elevado e recorrente, mesmo em anos considerados “menos severos”.
Tempestades severas seguem como grande fonte de prejuízos
As tempestades severas, acompanhadas por:
- tornados
- granizo
- rajadas intensas de vento
- enchentes
- responderam por cerca de US$ 50 bilhões em perdas seguradas
Com isso, 2025 tornou-se o terceiro ano mais caro da história para esse tipo de ocorrência, ficando atrás apenas de 2023 e 2024. Uma parcela relevante desses prejuízos está associada a tempestades com tornados que atingiram os Estados Unidos nos meses de março e maio.
Estados Unidos continuam no epicentro do risco segurado
Mesmo sem grandes furacões em terra, os Estados Unidos permaneceram no centro do risco climático segurado.
O país concentrou:
- 83% das perdas globais cobertas por seguros,
- o equivalente a US$ 89 bilhões
Desse total, aproximadamente US$ 40 bilhões estão ligados exclusivamente aos incêndios florestais na região de Los Angeles, reforçando o peso crescente desse tipo de evento no portfólio de riscos.
Sudeste Asiático: perdas ainda não mensuradas
Enquanto isso, o Sudeste Asiático voltou a enfrentar episódios severos de inundações, especialmente em:
- Vietnã
- Tailândia
- Indonésia
As perdas financeiras associadas a esses eventos ainda não foram estimadas, mas reforçam a percepção de que, mesmo em anos de recuo estatístico, a conta climática global segue distante de qualquer normalidade.
Fonte: CNseg, em 07.01.2026