Carlos Henrique Flory, Diretor-presidente da SP-PREVCOM - Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo, diz em entrevista ao DIÁRIO acreditar profundamente que os fundos de previdência complementar de servidores públicos são o futuro do segmento. Hoje, com menos de 4 anos de efetivo funcionamento do primeiro a ser lançado, que foi a SP-PREVCOM, já existem mais de 50 mil participantes vinculados a esses fundos, que contam com um patrimônio de cerca de R$ 1 bilhão. O potencial de crescimento desses jovens fundos para servidores públicos é a seu ver exponencialmente surpreendente
Diário dos Fundos de Pensão - O desequilíbrio das contas públicas e, mais especialmente, o fato de o déficit da Previdência estar entre as principais causas desse desajuste, parecem reforçar o sentimento quanto à urgência das mudanças que precisam ser feitas. No seu entendimento o Brasil já estaria maduro para a reforma?
Carlos Henrique Flory - O Brasil não somente está maduro, mas necessita urgentemente dessas reformas. O país, a cada dia perde a oportunidade de criar uma poupança interna capaz de financiar projetos de infraestrutura que são fundamentais para o seu crescimento. Além disso, o fenômeno da longevidade brasileiro não pode continuar a ser ignorado. A questão não é somente a discussão da necessidade de aumentar o tempo de contribuição para a previdência e estabelecer uma nova idade mínima para aposentadoria, mas entender que a população brasileira está vivendo mais e isso representa um forte impacto na previdência, prejudicando a capacidade dos governos arcarem com os benefícios previdenciários em longo prazo. É preciso garantir que no futuro o Brasil seja capaz de honrar os compromissos que está assumindo com a população que está ativa hoje e com aqueles que ainda esperam para ingressar no mercado de trabalho. O Brasil não pode virar a Grécia e deixar desassistidos os seus contribuintes.
Diário - Apesar das dificuldades que encontra para voltar a crescer, o sistema de fundos de pensão brasileiro mostra-se forte e saudável, inclusive com níveis de solvência superiores aos de vários países que admiramos, como EUA e Canadá, para ficar em dois exemplos que contam com dados recentes a confirmar isso. E no ano passado muitas entidades estiveram com retornos em seus investimentos acima das metas atuariais e de alguns dos principais benchmarks. Claro, sabemos que fundos de pensão devem ser vistos pelos resultados que geram no longo prazo, mas independentemente disso qual a importância que atribui às rentabilidades obtidas?
Flory - Os resultados dos investimentos dos fundos de pensão realmente não devem ser percebidos ano a ano. É preciso observá-los em um contexto de longo prazo, pois, diferente de outras aplicações, os fundos de pensão não têm por objetivo o resgate imediato em caso de necessidade, mas sim a oferta de um benefício programado a ser pago em parcelas mensais. Por outro lado, é de inteira responsabilidade do gestor estar atento às melhores opções do mercado para que as flutuações do mesmo causem o menor impacto nos investimentos e nas suas respectivas rentabilidades. É verdade que em 2016 os fundos que optaram por investimentos baseados na Selic tiveram um bom resultado, mas é preciso ficar atento e buscar sempre novas alternativas porque esse cenário não deve ser manter estável durante muito tempo, com a promessa de queda dos juros e da inflação.
Diário - Qual a relevância que atribui aos fundos dos servidores enquanto vertente da Previdência Complementar Fechada?
Flory - Eu acredito profundamente que os fundos de previdência complementar de servidores públicos são o futuro desse segmento. Hoje, com menos de 4 anos de efetivo funcionamento do primeiro a ser lançado, que foi a SP-PREVCOM, já existem mais de 50 mil participantes vinculados a esses fundos, que contam com um patrimônio de cerca de R$ 1 bilhão. O potencial de crescimento desses jovens fundos exclusivos para servidores públicos é exponencialmente surpreendente, enquanto os maiores fundos de pensão hoje em dia já apresentam sua maturidade e em breve estarão na sua curva descendente.
Diário - A adesão automática é tudo isso que se diz dela?
Flory - A adesão automática, na verdade, seria apenas uma inversão do processo. O participante não teria que optar por entrar, mas por sair. Isso não representaria nenhum custo para ele e nos daria tempo, enquanto ele estivesse conosco, de mostrar as vantagens do nosso sistema e a importância de se preocupar com futuro. Para aquele tipo de participante que não adere ao sistema por inércia, isso seria mais vantajoso ainda, pois evitaria que na aposentadoria ou no desligamento da empresa ou do governo ele descobrisse o quanto perdeu por não haver aderido à previdência complementar que estava sendo oferecida a ele no momento do ingresso.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 07.03.2017.