No início deste mês de junho, Gueitiro Genso, tomou posse para um novo mandato de quatro anos como Diretor Presidente da Previ. Junto com ele tomaram posse novos diretores e conselheiros para o período que vai até maio de 2022. Em entrevista exclusiva para o Acontece, o dirigente da Previ, que também é Presidente do Conselho Deliberativo da Abrapp, revela as principais iniciativas previstas para a gestão dos planos de benefícios e dos investimentos da entidade.
Na entrevista, o Diretor Presidente da Previ retoma a importância das ações de aperfeiçoamento da governança adotadas pela entidade nos últimos anos. Essas ações foram responsáveis, em grande medida, pelos bons resultados do Plano 1, que alcançou a reversão do déficit no início deste ano, sem a necessidade de equacionamento. De janeiro a abril de 2018, o Plano 1 alcançou um superávit de R$ 4,71 bilhões, com rentabilidade de 5,38% no período, mais do que o dobro da meta atuarial, que foi de 2,34%. Confira a seguir a entrevista na íntegra:
Avanços na Governança
O envolvimento da Previ com boas práticas de governança corporativa vem de longa data, mas nos últimos anos implementamos algumas ações importantes, como a inclusão do Programa de Integridade nas Políticas de Investimentos e a criação do Rating de Governança. As Políticas de Investimento são balizadoras da governança da Previ, norteando a gestão dos ativos dos planos de benefícios. Elas são revisadas anualmente para um ciclo de sete anos.
Integridade nas investidas
Se, nas versões anteriores da política de investimentos, eram analisados os instrumentos de governança tradicionais na avaliação de ativos para aquisição, no ciclo 2018-2024 também é levado em consideração se a companhia tem um programa de integridade efetivo. Isso significa definir parâmetros mais rígidos de ética, integridade e cumprimento das leis nos investimentos da Previ e cobrar das empresas nas quais a entidade investe a adesão ao código de ética e o respeito às boas práticas de responsabilidade socioambiental.
Rating de Governança
Já o Rating de Governança é uma metodologia inovadora, em que as companhias em que a Previ pretende investir são avaliadas antes da compra, ou até mesmo do aumento do investimento no ativo. A nota recebida serve como um dos subsídios utilizados nos processos de tomada de decisão de investimentos em renda variável.
Transparência na gestão
Nos últimos anos também estamos enfatizando cada vez mais a importância da transparência na gestão. Na Previ, em vez das divulgações trimestrais exigidas pelo mercado, os resultados mensais são publicados mensalmente. As apresentações de resultado também são realizadas presencialmente em diversas capitais do país, com a presença da Diretoria Executiva. A Previ possui uma auditoria interna, Comitê de Auditoria, e uma ouvidoria, além de um Guia de Conduta publicado em seu site.
Reversão do déficit do Plano 1
O modelo de governança, assim como as políticas de investimentos criteriosas, está entre os fatores que proporcionaram à Previ resiliência diante do conturbado cenário político-econômico que o país vem enfrentando desde 2015. A entidade chegou em 2018 no equilíbrio técnico, depois de resultados positivos nos exercícios de 2016 e 2017.
Taxa de juros
O grande desafio para o Plano 1, nosso plano de Benefício Definido (BD) que tem mais de R$ 160 bilhões de patrimônio e 114 mil associados, é a taxa de juros baixa. É um cenário desafiador para um plano de benefícios que está em fase de liquidez, com a maioria dos seus associados já usufruindo a aposentadoria.
Redução da meta atuarial
É necessário preparar o fundo para correr menos riscos e ter mais liquidez, o que significa aumentar a taxa de alocação em renda fixa e diminuir a meta atuarial. Todo ano precisamos rentabilizar, no mínimo, aquele valor para o plano ficar sustentável. À medida que a conjuntura econômica melhora e os nossos ativos recuperam de fato o valor que possuem, o Plano 1 passa a ter recursos a mais. E o objetivo de um plano BD não é ter superávits, mas estar sempre em equilíbrio. O que a gente vai fazer? Diminuir a meta atuarial.
Maior liquidez
O que nós estamos fazendo no Plano 1, que é um plano maduro e com isso precisa ter um foco de maior liquidez e menor risco, é um movimento de redução da renda variável e de desconcentração dessa carteira. Ter uma grande alocação em renda variável não é problema. No mundo, os fundos de pensão também são assim. Mas como no Brasil temos um mercado de capitais em desenvolvimento, o nosso movimento é ir reduzindo ao longo do tempo. A nossa ideia é de nos próximos sete anos reduzir a alocação de 48% em renda variável para cerca de 30%.
Reinvestimento em ações mais líquidas
Apesar de um leve aumento nos limites de alocação [na política de investimentos] em renda variável do Plano 1, de um intervalo que variava entre o mínimo de 41,75% e máximo de 49,75% para um de 43,90% a 51,90%, a tendência em 2018 é diminuir a exposição da carteira, com um rebalanceamento e aumento da diversificação. O conceito, chamado de desinvestimento líquido, é simples: ao vender participações, a Previ realoca parte dos recursos levantados em novas companhias com expectativa de valorização, bom fluxo de dividendos e elevados padrões de Governança Corporativa.
Fonte: Acontece Abrapp, em 28.06.2018.