Por Theo Carnier

Com o aumento da longevidade e os novos desafios para a proteção social, compreender como as pessoas tomam decisões tornou-se uma competência estratégica para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC. Mais do que oferecer planos e informações técnicas, as entidades precisam se comunicar melhor, simplificar escolhas e apoiar os participantes na construção de uma aposentadoria mais segura.
Esse é o foco do Programa Executivo “Economia Comportamental e Longevidade para a Previdência Complementar”, promovido pela UniAbrapp em parceria com a Evidentia University, que será realizado dia 25 de junho. A formação será conduzida por Carolina Felix e abordará fundamentos da economia comportamental, economia da longevidade, vieses cognitivos, comunicação com participantes e aplicação prática de projetos no contexto das entidades.
Segundo Carolina, a economia comportamental oferece ferramentas importantes para entender por que muitas pessoas adiam decisões, têm dificuldade de poupar ou não conseguem visualizar com clareza os impactos do planejamento de longo prazo. Para ela, em um cenário em que viver mais se torna cada vez mais comum, as EFPC ganham papel ainda mais relevante na orientação dos participantes.
A seguir, Carolina fala sobre os principais temas do curso, os desafios da longevidade e a importância de tornar a comunicação previdenciária mais simples, acessível e efetiva.
Leia a entrevista na íntegra:
Theo Carnier: Qual é o principal desafio que o curso “Economia Comportamental e Longevidade para a Previdência Complementar” ajuda a resolver?
Carolina Félix: O principal desafio está relacionado ao fato de que as pessoas estão vivendo mais, no Brasil e no mundo. Ao mesmo tempo, os sistemas tradicionais de previdência, baseados na contribuição dos trabalhadores ativos para financiar os aposentados, tornam-se cada vez mais pressionados por uma sociedade que envelhece e tem proporcionalmente menos trabalhadores jovens.
Nesse contexto, é fundamental contar com ferramentas que ajudem as pessoas a planejar melhor a aposentadoria e a se preparar para essa etapa da vida. A economia comportamental contribui justamente porque permite compreender como funciona o raciocínio humano, como tomamos decisões e quais vieses cognitivos influenciam nosso comportamento. A partir disso, é possível desenvolver estratégias para superar esses vieses e apoiar melhores escolhas previdenciárias.
Theo Carnier: Por que a economia comportamental se tornou um tema importante para os profissionais das Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC?
Carolina Félix: As EFPC são grandes veículos de melhoria da qualidade de vida na aposentadoria. Por meio da previdência complementar, os participantes podem construir uma aposentadoria mais protegida e com melhor renda.
Por isso, é muito importante que os profissionais que atuam nessas entidades entendam a psicologia humana e saibam como ajudar os participantes a se preparar melhor. Esse tema ganha ainda mais relevância em um contexto de longevidade, em que é cada vez mais comum que as pessoas cheguem a idades avançadas, inclusive aos 100 anos.
Theo Carnier: Como esse conhecimento pode ajudar as entidades a compreender melhor as decisões dos participantes sobre poupança, aposentadoria e planejamento de longo prazo?
Carolina Félix: O curso vai abordar os principais vieses cognitivos que influenciam as decisões de poupança e de planejamento para a aposentadoria. Também será discutido como o longo prazo é percebido pelo cérebro humano e como isso afeta as escolhas individuais.
Um exemplo é o viés do presente. As pessoas tendem a dar mais valor ao que acontece agora ou em um futuro próximo do que a benefícios que só serão percebidos daqui a 20, 30 ou 40 anos. Com esse conhecimento, os profissionais das entidades conseguem compreender melhor o comportamento dos participantes e criar formas de facilitar decisões que sejam benéficas para eles no futuro.
Theo Carnier: De que forma o aumento da longevidade muda a maneira como as EFPC devem se comunicar e se relacionar com seus participantes?
Carolina Félix: O aumento da longevidade torna o papel das entidades ainda mais importante. As EFPC precisam comunicar melhor a relevância da previdência complementar e manter um relacionamento que ajude os participantes a aproveitar essa oportunidade.
Também é necessário estimular uma reflexão sobre a possibilidade de aumentar contribuições, considerando uma sobrevida maior após a aposentadoria. Em resumo, a longevidade faz com que a relação entre entidade e participante se torne ainda mais estratégica.
Theo Carnier: Quais comportamentos ou vieses mais dificultam o planejamento previdenciário dos participantes?
Carolina Félix: Três vieses se destacam. O primeiro é o viés do presente, que leva as pessoas a valorizarem mais o agora do que o futuro. O segundo é o viés da inércia, também associado à procrastinação, que faz com que decisões importantes sejam adiadas, especialmente quando exigem reflexão ou parecem complexas.
O terceiro é a aversão à perda. De forma simplificada, as pessoas não gostam de perder. Como poupar pode ser percebido como uma redução da renda disponível no presente, muitas vezes essa contribuição é sentida como uma perda, mesmo quando representa um benefício futuro.
Theo Carnier: O que os alunos podem esperar aprender ao longo do curso?
Carolina Félix: Os alunos terão contato com os fundamentos da economia comportamental, seus principais conceitos e vieses cognitivos, além de compreender como esses fatores afetam o planejamento para a aposentadoria.
O curso também abordará o contexto da longevidade e trará uma dimensão prática, com discussão sobre o papel das EFPC e sobre projetos que podem ser aplicados nas entidades. A proposta é trabalhar desde iniciativas menores até projetos mais estruturados, estimulando a troca de ideias entre os participantes em um ambiente semelhante a um workshop.
Theo Carnier: O curso apresentará exemplos práticos de aplicação da economia comportamental na previdência complementar?
Carolina Félix: Sim. O curso trará exemplos práticos da América Latina e de outros países, sempre com o olhar voltado para o que pode ser aproveitado pelas entidades brasileiras.
A ideia é mostrar experiências já realizadas e discutir de que forma elas podem inspirar projetos dentro de cada EFPC, considerando a realidade do sistema brasileiro de previdência complementar.
Theo Carnier: Quem mais pode se beneficiar desse treinamento dentro das entidades?
Carolina Félix: De alguma forma, todos podem se beneficiar, porque o curso oferece uma visão diferente e muito interessante sobre o papel das entidades.
Mas ele pode ser especialmente útil para profissionais ligados à estratégia, comunicação com participantes, relacionamento, liderança e conselhos. O conteúdo ajuda a ampliar a compreensão sobre como a entidade pode estimular uma participação maior e melhor de seus participantes.
Theo Carnier: Qual dica prática a senhora já pode adiantar para quem atua com previdência complementar e quer melhorar o engajamento dos participantes?
Carolina Félix: A principal dica é simplificar. Simplificar a comunicação, a linguagem e o relacionamento com os participantes.
A psicologia humana é complexa e os temas previdenciários também costumam ser difíceis para a maioria das pessoas. Quanto mais simples forem a linguagem e os processos, mais fácil será para os participantes compreenderem as informações e tomarem boas decisões.
Theo Carnier: Por que vale a pena participar desta edição do curso?
Carolina Félix: Esta edição será uma oportunidade muito especial, porque marca a primeira realização do curso, com muitas ideias novas e grande expectativa.
Além disso, o curso será ao vivo, permitindo interação, conversa e feedback durante os encontros. Para quem não puder acompanhar alguma aula, o conteúdo ficará gravado para revisão posterior. Outro diferencial é o certificado internacional da Evidentia University, universidade sediada nos Estados Unidos e reconhecida na área de economia do comportamento.
Trata-se de uma oportunidade de se aprofundar em um tema atual, estratégico e cada vez mais necessário para o futuro da previdência complementar.
Clique aqui para saber mais sobre o curso.
Fonte: Abrapp em Foco, em 15.06.2026.