Por Theo Carnier

A UniAbrapp realiza, no dia 25 de maio de 2026, das 13h30 às 17h30, o curso “IA para Conselheiros: Uso Estratégico nas Análises e Decisões”, em formato Online | Ao Vivo. A formação tem como objetivo apresentar, em linguagem simples e aplicada à realidade das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, como a inteligência artificial pode apoiar conselheiros na análise de documentos, leitura de riscos, formulação de perguntas estratégicas e qualificação da tomada de decisão.
A especialista Cristina Schimidt será a responsável pelo curso. Founder e Co-CEO da leValen Consultoria Estratégica para EFPCs, Especialista UniAbrapp, fundadora do grupo Mulheres na Previdência, palestrante, mentora, escritora e professora de cursos de pós-graduação, também atua como Coordenadora do Subcomitê de Engajamento e Liderança Feminina e integra o Comitê de Inovação da Abrapp.
Mestranda em Ciências Contábeis pela UFSC e cursando MBA em Neurociência, Consumo e Marketing pela PUC, possui MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV, MBA em Gestão de Projetos e Processos pela FM2S e pós-graduação em Previdência Complementar pelo CESUSC. É certificada pelo ICSS, especialista em Metodologias Ágeis e SCRUM, possui CRC ativo e formação complementar em liderança avançada.
Com mais de 20 anos de experiência em gestão estratégica, controladoria, finanças, contabilidade, governança e inovação no mundo corporativo, dedica-se há 10 anos exclusivamente ao segmento de previdência complementar fechada. Alia um olhar humanizado à ambidestria organizacional, conectando eficiência e inovação para impulsionar resultados sustentáveis nas EFPCs.
Também é entusiasta do uso da inteligência artificial, estrategista em inovação de processos e no desenvolvimento de times de alta performance.
Confira a seguir a entrevista com Cristina Schimidt:
Theo Carnier: Qual é o principal desafio que o seu curso ajuda a resolver?
Cristina Schimidt: A IA pode ser uma grande facilitadora para os conselheiros. Ela pode apoiar a leitura de documentos, organizar informações, chamar atenção para pontos relevantes em relatórios, indicar possíveis riscos conforme o apetite a risco da EFPC, apoiar a leitura crítica de testes de controles internos, análises de balancetes, despesas administrativas, entre outros temas, além de facilitar a compreensão de termos técnicos tão presentes no nosso segmento, bem como a compreensão de toda a jornada do participante em um plano de benefício. Eu costumo dizer que a IA deve facilitar o nosso dia a dia, mas também precisa aguçar a nossa curiosidade. Ela deve nos ajudar a fazer melhores perguntas, funcionando como uma lupa para ampliar o olhar e fortalecer o raciocínio crítico, sempre com foco na preservação da confiança que os participantes depositam em suas entidades. Mas é importante reforçar: a IA não substitui o julgamento humano, a análise técnica formal nem a responsabilidade fiduciária dos conselheiros. A decisão continua sendo humana, colegiada e institucional.
Theo: Por que esse tema é importante para os Conselheiros hoje?
Cristina Schimidt: Porque os conselheiros atuam em um ambiente cada vez mais dinâmico, regulado e desafiador. As decisões exigem visão sistêmica, análise crítica, leitura de riscos, compreensão de indicadores e capacidade de formular boas perguntas, além de interpretar bem as respostas.
Eu acredito que, quando bem utilizada, a Inteligência Artificial nos potencializa. Ela não substitui o julgamento do conselheiro, mas amplia sua capacidade de análise e complementa sua vivência, seu conhecimento e sua experiência. Afinal, no nosso segmento, trabalhamos de pessoas para pessoas.
Em um cenário em que inovação, segurança e responsabilidade precisam caminhar juntas, compreender o uso estratégico da IA passa a ser uma competência relevante para a atuação dos Conselhos. Mais do que acompanhar uma tendência, é uma forma de elevar o nível da atuação e fortalecer o papel do conselheiro estratégico.
Theo: O que os participantes podem esperar aprender no curso?
Cristina Schimidt: Os participantes podem esperar um curso inicial, de 4 horas, voltado à realidade dos Conselhos. A ideia é que o conselheiro saia do curso com mais segurança para usar a IA como apoio no dia a dia, preservando o senso crítico, a responsabilidade fiduciária e o papel humano e colegiado da decisão.
O conteúdo será abordado em linguagem simples e não técnica, desde os fundamentos da IA até os cuidados éticos e de segurança, especialmente sobre o que não deve ser inserido em ferramentas públicas, como dados sigilosos, informações estratégicas ou documentos internos sem autorização.
Os participantes também aprenderão a aplicar prompts simples e estratégicos para apoiar suas análises, qualificar perguntas e fortalecer sua atuação fiduciária.
Theo: Quem mais pode se beneficiar desse treinamento?
Cristina Schimidt: Embora o foco principal seja em Conselheiros Deliberativos e Fiscais, o treinamento também pode beneficiar dirigentes, gestores, membros de comitês, equipes técnicas, profissionais de governança, riscos, controles internos, planejamento, contabilidade, atendimento e demais áreas que lidam com análise de informações e apoio à tomada de decisão. Todos que precisam transformar dados, documentos e informações em análises mais claras e estratégicas podem se beneficiar do conteúdo.
Theo: Qual dica prática você já pode adiantar para quem atua na área?
Cristina Schimidt: Uma dica prática é: antes de pedir uma resposta à Inteligência Artificial, formule bem a pergunta e defina o papel que a ferramenta deve assumir. Quanto mais contexto, objetivo e diretrizes você oferece, melhor tende a ser a entrega. A IA generativa é muito poderosa porque, em geral, ela sempre tenta entregar uma resposta. Mas nem toda resposta está correta, completa ou adequada ao contexto da entidade. As próprias ferramentas costumam alertar que podem cometer erros e que informações importantes devem ser conferidas. Esse aviso precisa ser levado a sério. Por isso, minha dica é usar a IA não apenas para obter respostas rápidas, mas para ampliar a visão, testar caminhos e potencializar a atuação estratégica.
E é importante lembrar: toda resposta deve ser revisada, validada e interpretada por pessoas. A IA apoia, porém quem decide é o conselheiro.
Theo: Por que vale a pena participar dessa edição do curso?
Cristina Schimidt: Porque a inovação deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma responsabilidade institucional. A Inteligência Artificial já faz parte da realidade das organizações, e o grande desafio, em qualquer setor, é aprender a usá-la com segurança, ética e visão estratégica.
Essa edição foi pensada para mostrar que a IA pode ser acessível para todos, mesmo para quem não tem familiaridade com tecnologia. Vale participar porque o papel dos conselheiros está cada vez mais estratégico, especialmente com a Resolução CNPC nº 62/2024, que representa um marco importante para a gestão das entidades. A IA pode apoiar análises, ampliar a clareza e qualificar perguntas, mas o propósito continua humano: fortalecer a governança, proteger futuros e cuidar da confiança que os participantes depositam em suas entidades.
Clique aqui para saber mais sobre o curso.
Fonte: Abrapp em Foco, em 20.05.2026.