Diretora de Previdência da Sinqia, Renata Coutinho é formada em Ciência da Computação pela Universidade Federal Fluminense e possui MBA em Economia e Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. A executiva atuou em diversos cargos no banco Itaú e foi CEO da Itaú Soluções Previdenciárias, adquirida pela Sinqia em 2020.
Com vasta experiência no setor, Renata iniciou a sua carreira na Sinqia em março de 2020 e atualmente é responsável por toda a unidade de negócios de Previdência da empresa.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
(Editora Roncarati): Prezada Renata, agradecemos o tempo disponível para conversar conosco. Conte-nos, brevemente, como foi a sua entrada no setor de previdência complementar fechada.
(Renata Coutinho): Comecei a trabalhar no setor de previdência em 2003. Tinha acabado de me formar em Ciência da Computação e fui trabalhar na construção na versão web do ERP Previdenciário da Evertec + Sinqia. Desde então, sigo atuando no segmento e na mesma empresa.
Atualmente você é Diretora de Operações de Previdência na Evertec + Sinqia. Quais são as suas principais atribuições e responsabilidades na organização?
Sou a diretora responsável pelo negócio de forma geral e faço a gestão matricial das demais áreas que atuam na Previdência. Meu papel principal é olhar para fora, acompanhar o mercado, estar próxima dos clientes e dar o tom da estratégia do negócio dentro da Evertec + Sinqia.
No ano passado foi publicada a Resolução Previc 23/2023, que consolidou diversos dispositivos em um único ato. Quais foram os benefícios para o setor com a difusão desta norma e quais são os grandes desafios, na sua opinião, para as entidades atenderem aos requisitos regulatórios exigidos pela Previc?
Entendo que a meta foi consolidar normas e tentar reduzir algumas complexidades e obrigações sem objetivo específico, o que vejo como algo positivo ao setor. Ao mesmo tempo que cresce o nível de exigência na parte de governança, o que é bom para garantir a perenidade da entidade, há alguns casos em que o aumento crescente de custos pode inviabilizar a existência da Entidade de forma independente.
O principal objetivo do fundo de pensão é o pagamento de benefícios e com o cenário atual do INSS, deixa de ser eletivo e passa a ser uma necessidade básica para as famílias brasileiras. Sendo um investimento de longo prazo, uma governança e gestão de riscos adequada têm que fazer parte do dia a dia da Entidade, pois alguns erros operacionais podem ser irreparáveis ao planejamento do participante.
A questão da sustentabilidade (aspectos ASG) é um assunto que cada vez mais ganha destaque no setor das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC); inclusive foi tema de painéis no 45º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP). Poderia falar qual é a sua visão sobre o tema?
Na minha opinião, o setor ainda tem muito que atuar nessa questão, tanto que foi um tema bastante discutido no congresso. Inclusive, foi interessante ver a presença de grandes empresas patrocinadoras falando das práticas já aplicadas nas atividades core e isso irá facilitar a implementação dentro das próprias Entidades. Mais uma vez o ponto de equilíbrio de custos é o desafio e as Entidades terão que ser criativas nas soluções, seja embarcando em programas da patrocinadora ou mesmo criando consórcios para compartilhar ações e práticas entre mais de uma Entidade.
O Brasil está preparado para lidar com os principais desafios relacionados à longevidade?
Esse é um assunto que todos falam, mas, na prática, não existem políticas públicas e privadas adequadas para tratar esse futuro. No Brasil, vemos ainda que os idosos muitas vezes continuam sendo a principal renda familiar e há cada vez menos nascimentos. Segundo o “Relatório Previc 2023” os planos fechados de benefícios de previdência complementar abrangem 8 milhões de pessoas, entre beneficiários, participantes ativos e dependentes. Quais são os principais mecanismos para manter e aumentar a atratividade do setor?
Embora o mercado insista na diversificação de produtos, eu ainda sou defensora da Educação Financeira e Previdenciária. Precisamos desenvolver uma cultura de planejamento e educar mais sobre o real objetivo da Previdência. Muitas vezes o speech para aquisição de participantes passa por um viés de investimento, contudo se não houver a conscientização sobre o longo prazo, não é possível capturar verdadeiramente os objetivos.
Outro ponto importante é o incentivo fiscal. Esse tem sido um dos atrativos e o incentivo do governo é fundamental para fomentar o aumento da formação de poupanças. Recentemente tivemos a aprovação da 14.803, o que representou uma conquista importante para o setor.
A Evertec + Sinqia fornece diversas soluções tecnológicas para o mercado de EFPC. Poderia falar um pouco dos últimos recursos lançados e como o uso de IA está sendo trabalhado no desenvolvimento de futuras aplicações?
Nós estamos usando a IA em diversas iniciativas, tanto internas quanto externas, mas ainda há muito espaço para evoluir. Neste mês, estamos fazendo treinamentos e fomentando o uso criativo da IA para trazer soluções aos problemas reais que temos no nosso dia a dia. Temos desde usos mais básicos, como chatbots para atendimento, até mais complexos, como a leitura de regulamentos de planos para configuração dos sistemas e geração de resumos.
Além da Previdência, nós temos áreas especialistas em prevenção de fraudes e outras soluções mais complexas. Falando de sonho grande, eu vejo que futuramente poderemos fazer cálculos atuariais praticamente individualizados que usarão dados cada vez mais refinados como aplicativos de saúde e comportamentos, nos permitindo uma precisão e assertividade exponencial.
Renata, agradecemos pela entrevista! Por fim, qual a mensagem que gostaria de deixar para os profissionais e dirigentes que atuam no setor de EFPC?
Estamos apenas no começo para uma renovação e reinvenção da Previdência no Brasil, temos muitos desafios que são acompanhados de diversas oportunidades. Mais do que um negócio, nós somos responsáveis por educar e incentivar a adesão e poupança para termos um futuro melhor.
(07.11.2024)