Por Bruna Chieco

O Programa de Autorregulação da Abrapp registra avanço consistente. No mês de abril, mais quatro entidades conquistaram o reconhecimento: Cibrius e Serpros, em Governança Corporativa, e Economus e Futura, em Governança de Investimentos. Com as concessões, o programa acumula 138 adesões aos códigos e 94 selos concedidos, sendo 62 em Governança de Investimentos e 32 em Governança Corporativa. É nesse contexto de crescimento e amadurecimento do sistema que a Centrus se destaca como uma das fundações pioneiras do programa.
Em 2017, a Centrus foi a primeira entidade a receber o Selo de Autorregulação em Governança de Investimentos e desde então segue nos processos de renovação, demonstrando o aprimoramento contínuo de seu processo de governança. “A validação, por meio dos Selos de Autorregulação, representa a chancela de que estamos no caminho correto”, diz Carolina de Assis Barros, Diretora-Presidente da entidade, em entrevista ao Blog Abrapp em Foco.
Durante a entrevista, Carolina contou a trajetória da fundação na autorregulação e os aprendizados acumulados ao longo dos ciclos de avaliação. Leia a seguir na íntegra:
Blog Abrapp em Foco: A Centrus foi pioneira na adesão ao Programa de Autorregulação. Como a fundação construiu essa trajetória de protagonismo?
Carolina de Assis Barros: A candidatura ao Selo foi, na verdade, um caminho bastante natural para nós. A Centrus sempre teve a boa governança como um valor central. As decisões aqui são colegiadas, buscamos as melhores práticas do mercado e temos um compromisso muito claro com nossos participantes e assistidos, e com o patrocinador Banco Central. Quando o programa surgiu, ele dialogava diretamente com o que já vivíamos internamente. Então o pioneirismo foi, de certa forma, uma consequência dessa cultura que a fundação foi construindo ao longo dos anos.
Blog: Qual é a importância da obtenção e da renovação dos Selos de Autorregulação?
Carolina Barros: A validação, por meio dos Selos de Autorregulação, representa a chancela de que estamos no caminho correto. Uma das contribuições mais concretas dos selos está na avaliação e na validação por um ente externo. Por mais dedicados que sejamos, quando estamos dentro de um processo, é natural que alguns pontos escapem ao nosso olhar. A banca avaliadora enxerga o que a rotina às vezes não deixa ver.
Blog: De que forma a adesão aos códigos reforça o compromisso junto aos diferentes públicos da Centrus?
Carolina Barros: Ao aderir publicamente aos códigos de autorregulação, a Centrus assume um compromisso declarado com uma gestão ética e transparente, o que é muito importante para funcionários, participantes e autoridades supervisoras e reguladoras. O trabalho no processo de renovação dos Selos, especificamente, evidencia que esse é um compromisso contínuo, que se renova a cada ciclo junto com a própria fundação.
Blog: Como a Centrus avalia o processo de obtenção do Selo, desde a adesão até a avaliação da banca?
Carolina Barros: É um processo exigente, e precisa ser. Desde a candidatura até a avaliação final, levamos em média seis meses em cada ciclo. Envolve análise de conduta, normativos, transparência, integridade, compliance e estrutura de governança. A banca avalia com profundidade, e isso tem valor real para nós. O que fica de cada ciclo é a certeza de que sempre há espaço para melhorar.
Blog: Como essa conquista contribui para o aprimoramento contínuo da EFPC?
Carolina Barros: O processo em si já promove aprimoramento antes mesmo do resultado final. Ao revisar normativos, estrutura de governança, condutas e gestão de riscos, a fundação inevitavelmente identifica pontos que podem evoluir. E é exatamente essa revisão sistemática que mantém a Centrus em movimento. Por mais que busquemos as melhores práticas e tenhamos o compromisso do corpo técnico e dos dirigentes, sempre há espaço para aperfeiçoamento. Cada ciclo deixa a fundação mais atenta e mais preparada. É um aprendizado que se acumula e que fortalece a instituição de dentro para fora.
Blog: O que torna a autorregulação legítima para quem atua no segmento?
Carolina Barros: A autorregulação tem uma característica muito relevante: ela é conduzida por quem conhece e vive a realidade do segmento, o que a torna mais legítima e aderente às necessidades de quem está aqui dentro. Para a Centrus, participar desse processo é também uma forma de contribuir com o fortalecimento do sistema de previdência complementar.
Blog: Quais são os próximos passos da Centrus para seguir avançando em autorregulação?
Carolina Barros: Acabamos de receber a renovação do Selo de Governança de Investimentos e, em breve, iniciaremos o processo de renovação do Selo de Governança Corporativa. Não há intervalo entre um ciclo e outro, e isso diz muito sobre a forma como a Centrus enxerga a autorregulação: não como uma obrigação a cumprir de tempos em tempos, mas como parte da rotina da instituição. Os códigos evoluem, as melhores práticas se renovam, e a gente acompanha esse movimento. Queremos seguir sendo referência nisso e contribuindo para elevar o padrão do segmento como um todo.
Fonte: Abrapp em Foco, em 21.05.2026.