Além da prestação de contas e da ampliação do diálogo com as associadas, a série de Encontros Regionais da Abrapp tem promovido painéis com apresentações e debates sobre dois temas fundamentais ao sistema: a tecnologia e os investimentos. Nesta edição, abordamos os principais conceitos e temas apresentados no painel intitulado “Desafios da Gestão em Cenários de Incertezas Econômicas e Demográficas”.
“O mundo mudou. E o Brasil voltou a crescer, depois de um longo inverno de recessão. Agora vivemos um cenário benigno de juro baixo e inflação abaixo da meta do Banco Central”, explicou Francisco Reis Jr., Superintendente de Negócios de Previdência da Mongeral Aegon, durante sua apresentação em um dos eventos da série. O especialista atenta para a queda da Selic a 6,25% em um período considerado curto pelo mercado. Apesar do cenário positivo para o crescimento da economia, a gestão de recursos das entidades fechadas terá de enfrentar novos desafios.
“A principal questão no momento é como gerir passivos em um novo cenário de juros reais muito mais baixos do que se estava acostumado”, questionou o Superintendente de Negócios da Mongeral Aegon. Para ele, as entidades terão de assumir mais riscos se quiserem bater suas metas e alcançar retornos adequados aos seus passivos. “Volatilidade é o nome do jogo. É possível conseguir bons retornos, mas isso não será mais obtido sem emoção”, comentou. Para o especialista, os investidores terão de migrar das alocações em renda fixa para a economia real.
O Superintendente de Renda Variável da Bradesco Asset Management, Luís Guedes Costa, explicou que vivemos já há alguns anos em um cenário de maior crescimento econômico internacional, tanto dos países desenvolvidos quanto dos emergentes. “É um cenário bem positivo porque mesmo com o bom crescimento das economias, vemos também um ritmo de inflação bastante baixo”, disse.
O especialista da Bradesco Asset Management prevê que o cenário deve continuar favorável pelo menos neste ano e no próximo para o Brasil, apesar de algumas variáveis preocupantes como a questão do aumento dos juros da economia americana e do contexto eleitoral no País. “Percebemos a recuperação da confiança e um cenário de retomada da economia brasileira. A maior preocupação que temos neste ano é a eleição, então a principal questão é como tomar risco neste ano eleitoral”, disse Luís Guedes.
Renda variável - Apesar das incertezas, diversos indicadores como a queda do índice de risco país e a retomada do consumo apontam que a recuperação econômica tende a continuar. “Isso tudo tem favorecido a atratividade da Bolsa, não só pelos investidores internacionais, mas também pelos investidores locais que têm aumentado o apetite pela renda variável”, comentou o Superintendente da Bradesco Asset. Nesse sentido, apesar da Bolsa já se encontrar em patamar considerado elevado para os padrões domésticos, os gestores apontam que ainda há espaço para obter ganhos no mercado de ações.
Mesmo com a perspectiva favorável para a Bolsa doméstica, as entidades fechadas ainda mantêm baixo nível de alocação no segmento, segundos os gestores. A alocação em renda variável estava em 17,7% do total dos ativos das EFPC no final de 2017, segundo dados do Consolidado Estatístico da Abrapp. Mas se forem excluídas as carteiras de participações de grande entidades como Previ, Petros e Funcef, o nível de alocação cai para menos de 10%. “As entidades ainda apresentam uma alocação muito baixa para conseguir captar os ganhos se mantido o cenário positivo para a economia brasileira”, alertou Luís Guedes.
Fonte: Acontece Abrapp, em 02.05.2018.