Por Bruna Chieco

Dirigentes, especialistas em comunicação e representantes da Previc debateram no Encontro Regional Sudoeste como o setor de previdência complementar fechada pode ampliar sua presença e relevância por meio de uma comunicação mais acessível, estratégica e alinhada à nova regulação. O evento é realizado nesta quinta-feira, 5 de março, em São Paulo.
A complexidade da linguagem do segmento é atualmente vista como uma barreira para a atração de um público mais amplo, fora da atual “bolha” com a qual as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) já se comunicam. “Temos um ambiente de muita dispersão de informação e precisamos de um filtro para avaliar o que faz sentido e o que importa”, destacou Cleber Nicolav, Diretor Superintendente AETQ da Inovar Previdência e Diretor Executivo do ICSS, na abertura do painel.
“As entidades estão neste ambiente complexo, de pouco controle. Precisamos nos posicionar diante desta nova realidade, e a comunicação é estratégica”, continuou. Para atuar de maneira mais assertiva e uniformizada, buscando fortalecer o posicionamento institucional do setor, a Abrapp firmou, no ano passado, uma parceria com a Torre Comunicação e Estratégia.
Desde então, a Torre fez uma análise buscando posicionar a previdência complementar fechada para dar voz e reconhecimento diante de sua importância. “O setor está em um momento de transição para expansão. Ele é robusto e agora olha para trabalhadores informais e plataformas, pequenas e médias empresas, maior aproximação com Congresso Nacional e parlamentares, atuação com judiciário e amplificador do diálogo com a imprensa”, disse Lucas Santos, Gerente de Contas da Torre Comunicação e Estratégia.
As áreas de atuação para essa estratégia passam pela captação de participantes e patrocinadores, a Frente Parlamentar Mista Pelo Fortalecimento das EFPC, micro pensões e eleições de 2026, além de casos de impacto jurídico e a cobertura econômica, política e jurídica em Brasília. “As pessoas precisam conhecer e saber falar do setor. Isso passa por um processo de simplificação da linguagem”, reiterou.
Lucas ancora o argumento nos dados do Edelman Trust Barometer 2025, que mostram que apenas 32% da nova geração acredita que o futuro será melhor, e 64% nutre ressentimento contra empresas e governo, indicando que o setor precisa construir confiança em um ambiente hostil.
Pela ótica regulatória, Monyke Castilho, Coordenadora de Comunicação da Previc, afirmou que “relações de longo prazo só se firmam com confiança, transparência e respeito”. Sob a ótica do supervisor, a Resolução Previc nº 26 trouxe direcionamentos sobre a comunicação de forma institucionalizada, indo direto ao ponto e utilizando recursos visuais para facilitar a compreensão do participante. “Comunicação não é falar bonito, é fazer com que o outro entenda o que estamos falando”, enfatizou Monyke.
A norma prevê que a comunicação e atendimento devem ter o olhar dos gestores, e as EFPC (S1 e S2) precisam designar um membro da Diretoria Executiva responsável por esses setores. A Previc recomenda às S1 a criação de Ouvidoria vinculada à alta administração. O desenvolvimento de ações de reconhecimento e respeito aos participantes e assistidos também entram nas exigências da norma.
Maria Teresa Carneiro, Gerente Executiva de Comunicação e Marketing da Vivest, apresentou a estratégia multicanal que a entidade vem adotando nessa direção para públicos heterogêneos – idosos, jovens, participantes ativos e aposentados. Por isso, investe em múltiplos canais simultâneos, sem hierarquia entre eles. Os principais mencionados são WhatsApp, boletim semanal, portal na internet, vídeos curtos, live com diretores de investimento, podcast, redes sociais, material impresso e relatório integrado.
Simplificação da linguagem na prática – “Precisamos simplificar nossa linguagem, que deve ser entendida por todos”, reforçou Lucas. As cinco mensagens-chave do plano de comunicação da Torre posicionam a previdência complementar fechada como:
- Investimento de longo prazo que garante dignidade na aposentadoria
- Acessível a diferentes classes sociais
- Um dos pilares relevantes do PIB brasileiro
- Essencial para o futuro previdenciário do país
- Os fundos são gerenciados com técnica, transparência e supervisão rigorosa
A parceria já apresentou resultados: a Torre apoiou a construção de papers sobre micro pensões, documento comparativo EFPC x RPPS, pesquisa qualitativa e quantitativa sobre previdência e memorial jornalístico para o Judiciário.
As EFPC também estão colocando a comunicação estratégica em prática. A Vivest já utilizou a substituição de termos técnicos para que a comunicação atinja diferentes públicos. Para que essa estratégia seja homogênea na entidade, Maria Teresa disse que há um treinamento constante das equipes de atendimento e comunicação, além de um monitoramento de clareza nos e-mails de atendimento, e auditoria aleatória de respostas para avaliar a clareza das informações. “Uma comunicação permanente com linguagem fluida e simples gera proximidade e confiança”, completou.
Fonte: Abrapp em Foco, em 05.03.2026.