Por Bruna Chieco

Brasília foi palco do Encontro Regional Centro-Norte e Nordeste, evento promovido pela Abrapp na última quinta-feira, dia 9 de abril, que reuniu dirigentes, técnicos e representantes do segmento de previdência complementar fechada para debater temas estratégicos da agenda setorial.

A abertura dos trabalhos contou com a participação de Murilo Xavier Flores, Diretor Vice-Presidente Titular da Regional Centro-Norte, e Roberto de Sá Dâmaso, Diretor Vice-Presidente Titular da Regional Nordeste da Abrapp, que apresentaram a programação do evento ao público.
“O Encontro Regional Centro-Norte e Nordeste, realizado em Brasília, foi coroado de êxito. Nós tivemos mais de 400 inscritos”, disse o Diretor-Presidente da Abrapp, Devanir Silva. “No primeiro painel, sobre diretrizes e prioridades da previdência complementar, eu pude apresentar alguns aspectos, principalmente com relação à nossa comunicação, com os nossos participantes e com terceiros”, pontuou.
Segundo ele, comunicar para o público a robustez do sistema é um dos pontos principais para que a expansão ocorra alcançando pessoas que ainda estão fora da cobertura previdenciária. “O setor paga regularmente R$ 10 bilhões mensais em benefícios, entrega uma rentabilidade superior a qualquer alternativa do mercado, aplica nos investimentos estruturantes do país. Não podemos concordar que apenas 4 mil empresas, em um horizonte de 25 milhões, patrocinam um plano de previdência complementar fechada”.
Devanir ressaltou o papel da previdência complementar de propiciar aos trabalhadores uma poupança digna para que eles exerçam plenamente a cidadania. “Nós precisamos estar conscientes que a população, os trabalhadores, vão viver 25, 30 anos sem salários. Ou seja, vão viver da aposentadoria. E isso precisa ser plantado o mais urgente possível”, disse.
A Abrapp apresentará propostas aos candidatos à presidência nas eleições deste ano, reforçando a necessidade de uma revisão estrutural da previdência social adequada a um Brasil diferente. “O modelo que nós temos é para um país que já não existe mais. Temos novas relações de trabalho e muita informalidade. E isso precisa ser visto com muito cuidado. E nós somos parte da solução”, reiterou o Diretor-Presidente.
Para que o setor ganhe cada vez mais visibilidade, a Abrapp também conta com parcerias que buscam fomentar o segmento, como é o caso da ABRH Brasil, Associação Brasileira de Recursos Humanos com a qual a foi firmar um convênio de cooperação para ampliar o debate sobre saúde financeira e previdência corporativa no ambiente empresarial.
Ainda no mesmo painel, o Diretor-Superintendente da Previc, Ricardo Pena, apresentou o plano de ação da autarquia e ressaltou os esforços institucionais em prol de uma comunicação cada vez mais transparente e acessível. Pena também abordou aspectos técnicos centrais para o setor, como a questão da solvência, área em que a Previc pretende atuar de forma propositiva. O dirigente reiterou ainda a necessidade de equacionar a dupla fiscalização do segmento pelo Tribunal de Contas da União, tema que segue na pauta da autarquia.
Já o Secretário do Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, Paulo Roberto dos Santos Pinto, destacou as conquistas do sistema nesses últimos três anos, com a aprovação de normas fundamentais para o fortalecimento e crescimento da previdência complementar fechada.

Também participou do painel a deputada federal pelo Distrito Federal, Erika Kokay, que destacou com muita clareza o papel das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) para a proteção de pessoas e alavancagem socioeconômica do país. Ela destacou a necessidade de disseminar maior conhecimento das atividades do setor, e a Frente Parlamentar Mista pelo Fortalecimento das EFPC foi criada com este propósito. Kokay também anunciou que a Abrapp receberá uma homenagem em celebração aos seus 48 anos em uma sessão solene da Câmara dos Deputados, no dia 30 de abril.
Gestão, comunicação e inovação – O segundo painel trouxe uma visão abrangente sobre diversificação e o papel da bolsa de valores na estratégia de investimentos, com ênfase na fase de desacumulação. Moderado por Roberto de Sá Dâmaso, o debate contou com as análises do Economista-Chefe da Bradesco Asset, Marcelo Toledo, e do Head de Renda Variável da mesma instituição, Rodrigo Santoro, que apresentaram uma visão do mercado sobre as oportunidades da renda fixa e da renda variável.

Carlos Tejeda, sócio da Itajubá Administração Previdenciária (IAP), trouxe ao debate um tema que o Diretor-Presidente da Abrapp considerou fundamental: a desacumulação. “Nós ajudamos as pessoas a acumular recursos e precisamos ajudá-las também a desacumular. Esse é um ponto fundamental para que tenhamos a estabilidade tão desejável para os nossos participantes quando passam à condição de aposentados”, afirmou Devanir.
O terceiro painel, dedicado à comunicação e à transparência, reuniu contribuições da Torre Comunicação e Estratégia com o Gerente de Contas Lucas Santos, que apresentou a estratégia de comunicação da Abrapp, com destaque para o trabalho junto à imprensa. A Coordenadora de Comunicação da Previc, Monyke Castilho, reforçou a necessidade de ir além da prestação de informações e relatórios, falando com o participante em uma linguagem que ele possa acompanhar, simples e direta.

Patrícia Linden, Gerente de Comunicação e Relacionamento da Funpresp-Exe, apresentou um case de comunicação direta, o projeto Simplifica Aí, destacado por sua objetividade e proximidade com os participantes. Encerrando o painel, Murilo Xavier Flores, Diretor Vice-Presidente da Regional Centro-Norte da Abrapp e Diretor-Presidente da Fundação Ceres, apresentou o case da entidade que abrangeu mudanças de layout, ambiente, marca e linguagem. “Entender o que acontece com o próprio dinheiro é parte fundamental do cuidado com o cliente. Quando existe clareza, existe confiança, e só assim as decisões sobre o futuro podem ser tomadas com muito mais consciência”, diz trecho do vídeo apresentado por ele.
O quarto painel aprofundou as implicações da Resolução Previc nº 26/2025 e os critérios ASG para a atuação das entidades em 2026. Fernanda Mandarino Dornelas, da Previc, abordou os aspectos jurídicos das resoluções 23 e 26, enquanto Alcinei Cardoso Rodrigues tratou da incorporação dos critérios às políticas de investimento, reforçando que a adoção dessas práticas dentro de um planejamento estruturado é o que garante sustentabilidade à gestão previdenciária.

O painel foi enriquecido pelo case da Previ, apresentado por Vitor Vallim. Com duas décadas de experiência no tema, a entidade lidera iniciativas de investimento responsável tanto no Brasil quanto no cenário internacional, com metodologia consolidada orientada pelos princípios do investimento responsável.
Encerrando a programação, o quinto painel tratou da transformação digital e do uso de inteligência artificial e dados na gestão previdenciária. Glauco Milhomem, membro do Comitê de Inovação e Tecnologia da Abrapp, apresentou aplicações concretas de IA na governança das entidades.

Vanessa Dall Inha, especialista da Uniabrapp, abordou estratégias de captação e fidelização de participantes com base em dados. Mauricio da Rocha Wanderley, Diretor de Investimentos e de Inovação da Valia, demonstrou a evolução da gestão de investimentos com apoio tecnológico, reforçando que essa transformação “não tem retorno” e exige atenção permanente por parte dos gestores.
O Encontro Regional Centro-Norte e Nordeste foi uma realização da Abrapp em parceria com UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Ouro: Bradesco Asset Management. Prata: IAP – Itajubá Administração Previdenciária. Bronze: BB Asset. Apoio: Aditus, Apoena Seguros, Conserpo, Galapagos Capital, Icatu Vanguarda, MAG Investimentos e Santander Asset Management.
Fonte: Abrapp em Foco, em 10.04.2026.