Apostar na literacia financeira, na agilização dos processos de subscrição de seguros, redução do prémios dos seguros e clareza da oferta pode diminuir a lacuna de proteção sobre eventos climáticas.
A iliteracia financeira, o preço dos prémios e a percepção do risco são alguns dos fatores que diminuem a procura por produtos de seguros de riscos climáticos, aponta a Autoridade Europeia de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (EIOPA). O relatório desenvolvido pelo regulador revela, em primeiro lugar, o que afasta os clientes deste produto, do lado da procura, assim mantendo elevada a lacuna de proteção de eventos climáticos catastróficos. Posteriormente, indica métodos, testados junto de consumidores, que as companhias podem usar para aumentar as vendas deste produto.
O que afasta os clientes dos seguros de riscos climáticos?
- O preço dos prémios é apontado como uma barreira à aquisição de seguros, uma vez que os consumidores analisam o seu poder de compra e rendimento e consideram os preços dos seguros muitos elevados;
- Segundo a EIOPA, este fator é muitas vezes acompanhado por outra barreira: o desconhecimento do âmbito da cobertura dos prémios e por isso, muitos consumidores acreditam que são demasiado caros por não relacionarem o preço à amplitude ou utilidade da cobertura;
- Nesse sentido, soma-se falsa sensação de segurança: 30% dos inquiridos do estudo dizem não ter contratualizado o seguro por não correrem risco de sofrer sinistros com catástrofes climáticas, uma percepção que tem por base a localização do bem passível de ser segurado e se já presenciou ou não um evento catastrófico;
- Noutros casos ter tido uma experiência negativa com uma seguradora, ou conhecer alguém que tenha passado por essa situação afeta a confiança dos consumidores nas companhias, o que se torna numa barreira à aquisição de seguro contra catástrofes climáticas, por acreditarem que não vão ser pagas as indemnizações em caso de sinistro. Por outro lado, quem já teve experiências positivas em caso de sinistros, está mais propício a contratualizar apólices;
- A crença que o Estado irá salvaguardar os danos sofridos em caso de catástrofe climática junta-se aos fatores que contribuem para a lacuna de proteção em caso de evento climático catastrófico. Aliás, 59% dos inquiridos acreditam que os governos devem ser responsabilizados quando os cidadãos sofrem perdas em catástrofes climáticas;
- O último fator impeditivo apontado pela EIOPA é a forma como este seguro é vendido, muitas vezes associado ao crédito de habitação, fica visto pelos clientes como um processo difícil, uma obrigação e não um benefício, e, paralelamente, é mais difícil este produto ser vendido a quem não é proprietário de uma habitação.
Fonte: ECO Seguros, em 06.03.2024