Os investidores e as empresas brasileiras precisaram aprender a correr mais risco. A mudança de mentalidade, no entanto, não será simples dada a grande oferta de títulos públicos que oferecem liquidez, alto retorno e baixo risco. "É muito difícil a predisposição ao risco se existe a alternativa dos títulos públicos”, disse o nosso presidente, Robert van Dijk, em debate sobre fontes de financiamento realizado pela Amcham na sexta-feira, 23.
Ele reconheceu que a mudança exigirá um processo cultural, mas destacou que as bases estruturais estão colocadas. "Temos um mercado potencial gigante", afirmou, citando que menos de 5% do patrimônio líquido da indústria brasileira de fundos está em fundos de ações, frente a uma média mundial de 40%.
Questionado sobre a capacidade de o mercado de capitais sustentar a demanda por crédito em um cenário de crescimento econômico, Robert enfatizou uma série de características que favorecem este papel protagonista de agente financiador, especialmente para o longo prazo: um arcabouço regulatório e autorregulatório consistente; um completo portfólio de produtos, tanto em renda fixa como em renda variável; um conjunto de instrumentos de securitização (CRI, CRA e FIDC) que favorece o acesso ao mercado de capitais por empresas de capital fechado; e um conjunto de fundos estruturados que oferece soluções adequadas para os diversos segmentos nos quais eles estão inseridos.
Os desafios para que o mercado de capitais ocupe este papel também foram citados por Robert, a exemplo da menor predominância do BNDES na composição do funding dos projetos; redução dos riscos regulatório e cambial para atração de investidores, especialmente o estrangeiro.
Ele também falou da necessidade de mudanças regulatórias que favoreçam a participação mais ativa das entidades de previdência complementar no mercado de capitais. Hoje, estes investidores institucionais são proibidos de investir em papéis de companhias fechadas, o que acaba restringindo a demanda por estes títulos.
Fonte: ANBIMA, em 26.06.2017.